Debandada geral do Lille, que aposta na economia
O Lille já sente na pele os malefícios de ficar fora da Liga dos Campeões 2013/14. Sem se classificar para a principal competição interclubes do continente, a equipe passa o chapéu para equilibrar suas contas da melhor maneira possível. Os sacrifícios para dar um pouco de fôlego aos cofres do LOSC incluem uma grande reformulação de seu elenco. A ordem é clara: diminuir a folha salarial do elenco e negociar os principais jogadores, mesmo que as propostas recebidas não sejam as mais desejadas.
Desde quando se sagrou campeão da Ligue 1 na temporada 2010/11, o Lille manteve apenas três jogadores em seu elenco. Após o título, o clube se desfez progressivamente de seus principais destaques. O plano para se manter no topo e disputar a LC nos anos seguintes era contratar reforços de eficiência comprovada na disputa do Campeonato Francês. A tática deu certo, muito embora o time tenha mudado de forma radical nos últimos anos e tenha perdido aquela identidade de equipe operária, na qual a força do conjunto se sobressai e compensa um grupo formado quase em sua totalidade por anônimos.
Nas duas últimas temporadas, o Lille obteve bons resultados financeiros, seja com a negociação de atletas ou com a grana vinda da participação da equipe na LC. Boa parte destes recursos foi utilizada na construção do Grand Stade Pierre Mauroy, uma arena ultramoderna e que combinava com as aspirações continentais dos Dogues. A esperança da diretoria do clube de multiplicar seus ganhos, porém, caiu por terra com o sexto lugar obtido pelo time na última Ligue 1.
Sem ter como manter um elenco caro demais para disputar apenas o Francês, o Lille se viu obrigado a se desfazer de suas estrelas. Dimitri Payet (Olympique de Marseille), Lucas Digne (Paris Saint-Germain) e Aurélien Chedjou (Galatasaray) já deixaram o clube e renderam em torno de € 31 milhões aos cofres dos Dogues. A porta de saída ainda está aberta e por ela deve passar Salomon Kalou muito em breve.
O atacante veio do Chelsea para suprir a ausência de Eden Hazard, negociado com o próprio clube inglês. Após um início pouco produtivo (ele marcou apenas dois gols nas 12 primeiras rodadas), o marfinense se encaixou à equipe e começou a crescer. Com um desempenho muito bom no fim da temporada, Kalou terminou a Ligue 1 com 14 gols em 28 partidas e foi o artilheiro dos Dogues no torneio.
O cinto apertado levou a diretoria do Lille a adotar um discurso completamente impensável para quem deseja retomar seus melhores dias. O clube recusou ofertas do West Bromwich Albion e do Trabzonspor, mas analisa com carinho uma oferta de apenas € 3,5 milhões do West Ham. Um valor irrisório pela importância mais do que comprovada por Kalou para o elenco.
Para o Lille, os números que realmente importam neste momento são outros. Kalou tem o maior salário do grupo, com rendimentos de € 5,7 milhões anuais. De nada adiantam os pedidos do técnico René Girard, ou mesmo o desejo do jogador de continuar na equipe. A um ano da Copa do Mundo, ele teme perder espaço em sua seleção caso vá para um clube menor. Aos olhos da diretoria dos Dogues, porém, o destino do marfinense está mesmo selado.
O bom e barato está de volta ao Lille, que gastou menos de € 2,5 milhões até agora para reforçar seu elenco. Girard precisa se inspirar em Rudi Garcia e montar um banquete a partir de ingredientes bem modestos. Se a receita vai render um manjar dos deuses ou uma grande indigestão, vai depender muito da habilidade do cozinheiro.
Finais felizes
Diante da possibilidade de perder Thiago Silva, o Paris Saint-Germain comemorou o acordo com o zagueiro para a renovação do contrato com o brasileiro. Além do alívio pela certeza da permanência de um de seus pilares, o clube da capital também festeja o acerto com o volante Marco Verratti, também cobiçado na janela de transferências. O próximo alvo das negociações da diretoria se chama Zlatan Ibrahimovic.
Embora tenha partido com muito atraso ao mercado, o PSG conseguiu cumprir suas pretensões de reforçar seu elenco. Gastou quase € 111 milhões (é o terceiro clube que mais gastou até agora nesta janela) para trazer Edinson Cavani, Lucas Digne e Marquinhos e, a menos que apareça uma oferta de ocasião, a torneira está fechada. Agora, a diretoria se dedica com afinco à segunda parte de seu planejamento para a temporada.
Com o objetivo de manter suas melhores peças, o PSG se esforça para acalmar o ambiente após as conturbadas saídas de Carlo Ancelotti e Leonardo. Até aqui, o clube tem tido sucesso em suas tentativas. Embora tenha elevado sua folha salarial em níveis perigosos, o clube resistiu às investidas feitas por alguns dos gigantes europeus aos seus principais jogadores e mandou um recado claro: está preparado para incomodá-los.
Thiago Silva teve um acréscimo de € 2 milhões ao seu salário anual, agora de € 12 milhões livres de impostos. O zagueiro prolongou seu vínculo até 2018 e afastou qualquer intenção do Barcelona de levá-lo para a Catalunha. O PSG também acertou a renovação de Verratti até 2018. O salário do volante passou de € 800 mil para € 2 milhões por temporada. Além de passar a mensagem ao jogador de que realmente conta com ele (e acabar com qualquer insatisfação do atleta), o clube encerrou a pressão que Fiorentina e Napoli faziam para tentar contratá-lo.
Um dos momentos mais delicados para a diretoria do PSG chegou: negociar com Zlatan Ibrahimovic. O cisne sueco deseja mais uma massagem em seu ego e, claro, uma recompensa em seu bolso para se sentir querido, amado e idolatrado. Os confetes tão desejados por Ibra, que já recebe € 14 milhões por temporada (um dos maiores salários da Europa), devem ser um aumento de € 2 milhões e uma renovação por uma temporada – seu atual vínculo termina em 2015.
O otimismo do PSG em acertar rapidamente com sua principal (e mais egocêntrica) estrela ilustra como o clube soube contornar o turbilhão no qual parecia fadado e retomou sua preparação com força total. Assim que resolver a questão com Ibra, os parisienses voltam suas atenções para seus convocáveis à seleção francesa, cujos contratos estão bem perto do fim. Enquanto a situação de Blaise Matuidi caminha para um final feliz, as de Mamadou Sakho e Jérémy Ménez devem ter um desfecho diferente.
Tanto o zagueiro como o meia-atacante sofrem com a forte concorrência, ainda mais acirrada com as chegadas de Marquinhos e Cavani. Com espaço reduzido, Sakho e Ménez devem mesmo procurar outras equipes e seguir o exemplo de Kevin Gameiro. Com a Copa do Mundo-2014 cada vez mais perto, não dá para bobear e colocar sua participação em risco (caso a França se classifique, lógico) como um reserva de luxo do PSG.


