França

Em clássico quente, Marselha vence o PSG com mudança de filosofia e quebra de longo tabu

Com intensidade alta e comprometimento tático, Olympique bate arquirrival no Vélodrome

A vitória do Olympique de Marselha por 1 a 0 sobre o Paris Saint-Germain, nesta segunda-feira (22), pela quinta rodada da Ligue 1, marcou um ponto de virada na abordagem tática da equipe sob o comando de Roberto De Zerbi. Conhecido por seu futebol propositivo e construção desde a defesa, o técnico italiano mostrou uma faceta mais pragmática e inteligente, ajustando sua filosofia às exigências de um clássico de alta intensidade.

Em vez de insistir em posse de bola contra um adversário tecnicamente superior, De Zerbi adotou uma estratégia mais vertical, priorizando a organização sem a bola e explorando os espaços deixados pelo time de Luis Enrique.

Um dos pilares do triunfo foi a pressão alta bem coordenada que os comandados de De Zerbi impuseram desde os minutos iniciais. O Marselha não permitiu que o PSG construísse confortavelmente desde sua linha de defesa. Os gatilhos de pressão eram bem definidos, forçando erros de saída de bola e acelerando a recuperação da posse.

A linha de frente, com atacantes comprometidos em fechar as linhas de passe, combinava com um meio-campo intenso, dificultando a fluidez do jogo do rival. Já no aspecto defensivo, os donos da casa apresentaram estrutura compacta e disciplinada. Mesmo quando recuava, a equipe mantinha blocos curtos e bem sincronizados, impedindo que o Paris encontrasse brechas entrelinhas.

Roberto De Zerbi, técnico do Olympique Marseille
Roberto De Zerbi, técnico do Olympique Marselha (Foto: Icon Sport)

Essa consistência reduziu significativamente as chances claras de gol do adversário, obrigando o time de Luis Enrique a arriscar chutes de média distância ou cruzamentos previsíveis. Ofensivamente, a transição rápida foi o principal trunfo. O Marselha apostou em ataques verticais logo após a recuperação da bola, aproveitando o posicionamento avançado da defesa do PSG.

A vitória do Marselha foi menos sobre talento individual e mais sobre aplicação coletiva e domínio estratégico. De Zerbi demonstrou que pode adaptar seu estilo de jogo às circunstâncias, sem perder identidade.

Sua leitura do adversário, a execução do plano tático e o comprometimento dos jogadores foram fatores decisivos para neutralizar um PSG que, embora recheado de estrelas (Dembelé, João Neves e Doué não atuaram), mostrou-se vulnerável diante de um adversário que soube explorar suas fragilidades.

Como foi a vitória do Marselha sobre o PSG

Marcação alta, pressão forte e uma blitz insana.

Empurrado por um Vélodrome pulsante, o Marselha encurralou o PSG e abriu o placar logo aos quatro minutos de jogo. Em chute desviado de Greenwood, a bola ficou viva no alto e Chevalier saiu mal da baliza. Atento à jogada, Nayef Aguerd foi mais rápido que Marquinhos e o goleiro adversário, e cabeceou para as redes.

Gol estranho, mas que ilustrou bem a diferença de voltagem entre as duas equipes. O que se viu no primeiro tempo do clássico francês foi um Marselha vibrante, raçudo e aguerrido. Em contrapartida, o time de Luis Enrique parecia assustado com a alta intensidade imposta pelos donos da casa.

Passado o baque inicial, o Paris passou a fazer o que sempre faz em praticamente todos os seus jogos: adiantou as linhas, controlou a posse de bola e ditou (ou tentou ditar) o ritmo das ações. Mas não deu certo. Organizado na defesa, o Marselha absorveu a pressão, não sofreu e, de quebra, seguiu incomodando o rival no decorrer da etapa inicial — com marcação azeitada, faltas táticas e estocadas rápidas.

No segundo tempo, tal configuração se manteve. A diferença é que o volume parisiense aumentou, e o Marselha não conseguia responder nos contra-ataques. Cabeçada rente ao travessão, defesas providenciais de Rulli e um PSG melhor em campo. Nada disso, porém, foi suficiente para alterar o placar e e impedir a vitória dos mandantes.

Foi a primeira vez, desde 2011, que o Marselha derrotou o PSG em casa pela Ligue 1. O revés — primeiro da equipe parisiense na temporada 2024/25 — também significou a perda da liderança — o Monaco assumiu a ponta.

Matthew O'Riley celebra gol do Marseille
Matthew O’Riley celebra gol do Marselha (Foto: Icon Sport)

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E agora, PSG?

O Paris volta a campo no próximo sábado (27), quando recebe o Auxerre, em jogo válido pela sexta rodada da Ligue 1. A bola rola a partir das 16h05 (de Brasília), no Parque dos Príncipes. Na sequência, terá pela frente Barcelona (Champions League) e Lille (Ligue 1).

Próximos jogos do PSG:

  • PSG x Auxerre — Ligue 1 – sábado, 27 de setembro, às 16h05
  • Barcelona x PSG — Champions League — quarta-feira, 1 de outubro, às 16h
  • Lille x PSG — Ligue 1 — domingo, 5 de outubro, às 15h45

O Marselha, por sua vez, visitará o Strasbourg, nesta sexta-feira (26), às 15h45 (de Brasília), no Stade de la Meinau.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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