França

De volta aos trilhos

Sem sentir o gostinho de uma vitória desde meados de janeiro, o Bordeaux chegou a temer pelo pior diante do Galatasaray. A eliminação da Copa Uefa, após um desempenho mediano na fase de grupos da Liga dos Campeões, desmoronou as esperanças de se dar bem em um torneio continental. Pior do que isso, a queda diante do clube turco parecia acentuar o processo de baixa dos girondinos, há tempos capengando na Ligue 1. No entanto, bastou apenas uma partida para a torcida se reanimar. A vitória por 1 a 0 sobre o Lorient, aliada ao tropeço do Lyon, devolveu as esperanças ao time para salvar sua temporada.

Na Turquia, o Bordeaux esteve irreconhecível. Gourcuff, há tempos com sinais claros de cansaço, foi poupado e nem entrou em campo. Os Marine et Blanc deram a impressão de que nem sentiriam a pressão da torcida local, pois abriram o placar com onze segundos de partida. Só que os girondinos não contavam com as seguidas falhas de sua defesa e permitiram a virada por 2 a 1 no final da primeira etapa. Foi o suficiente para o time se desestabilizar.

Blanc quis dar maior poder ofensivo à equipe e colocou Cavengahi e Jussiê em campo, mas a curto prazo o resultado foi péssimo. O Galatasaray marcou o terceiro; porém, as mudanças do treinador francês renderam bons frutos e o Bordeaux empatou. Quando a vaga estava nas mãos dos visitantes, mais uma falha da defesa colocou tudo a perder. Sabri aproveitou e definiu o placar, jogando o Bordeaux contra as cordas. Assim como na Ligue 1, os momentos de letargia da equipe custaram algo importante.

Embora a eliminação na Copa Uefa tenha sido difícil de se digerir, o Bordeaux ao menos soube se reerguer da lona. Em vez de lamentar sua sorte, a equipe buscou forças para voltar ao seu melhor nível de exibição, quando esteve muito perto de tirar a coroa do Lyon. Concentrada em seu novo objetivo, a equipe tratou de se levantar e esquecer sua recente sequência de fracassos (três empates e duas derrotas em seu cartel).

A vítima ideal para esta redenção era mesmo o Lorient. Acostumados a complicar a vida dos grandes, os Merlus seguiram a regra durante o primeiro tempo no Chaban-Delmas, para desespero da torcida local. O Bordeaux tentava marcar a saída de bola dos visitantes ainda no campo de defesa, mas não encontrava o tom certo para tanto. Para piorar, o Lorient levou perigo constante nos contra-ataques, sobretudo com a dupla Saïfi e Vahirua. De novo, foi necessária a intervenção de Blanc para mudar o rumo das coisas.

Depois de um primeiro tempo pálido, o Bordeaux voltou a campo completamente mudado. A postura de ‘coitadinho’ se transformou para a de um autêntico ‘brigador’, muito por conta das orientações (para não dizer broncas) de seu treinador. Com uma cobrança de ânimo desta, restou ao Bordeaux deixar de lado sua preguiça e enfim jogar bola. Mesmo Gourcuff, um pouco abaixo de sua forma ideal, conseguiu manter um bom ritmo, algo do qual o time sentia falta.

As vaias do público também mexeram com os brios dos jogadores girondinos. Chamakh e Cavenaghi, até então apagados, esforçaram-se para dar maior poder de fogo ao setor ofensivo. O trabalho deu certo, com o gol marcado pelo marroquino em bela jogada coletiva. O Lorient não encontrava mais os mesmos espaços de outrora e se limitou a se retrair na defesa, torcendo para os Marine et Blanc serem novamente atingidos pelo vírus letárgico.

Como isso não ocorreu, o Bordeaux finalmente voltou a vencer e manteve vivas as esperanças de se sagrar campeão francês. Embora ainda esteja atrás de Paris Saint-Germain e Olympique de Marselha, a equipe deve se reencontrar com a boa fase, efeito natural após uma vitória para tirar a urucubaca em cima do elenco. Com os brios em ebulição e Gourcuff mais descansado, os Marine et Blanc estão bem vivos na briga para desbancar os lioneses.

Falsas esperanças?

Quando todos esperam que o Lyon perderá o trono, o OL se recupera, conta com deslizes de seus principais concorrentes e coloca uma boa vantagem na liderança. Quando o título parece questão de dias para os lioneses, a equipe tropeça e enche seus adversários de ilusões. A irregularidade dos heptacampeões impressiona a esta altura do campeonato, mas isso é excelente para quem deseja ver o circo pegar fogo.

O Lyon estava com a faca e o queijo nas mãos diante do Rennes, mas novamente sofreu um apagão. Em pleno Gerland, o OL cedeu o empate por 1 a 1 ao rival com um gol nos acréscimos, em resultado excelente para os demais pretendentes ao título. Para os lioneses, uma triste confirmação: a equipe encontra dificuldades para fazer valer seu domínio em casa, algo impensável em temporadas anteriores. O triunfo diante do Le Havre foi apenas uma obrigação, pois perder pontos para o lanterna da Ligue 1 seria motivo de sobra para desencadear problemas mais sérios no clube.

O esforço provocado pelo duelo contra o Barcelona alguns dias antes fez efeito no confronto contra os bretões. Pressionado pelas vitórias de Bordeaux, PSG e OM, que entraram em campo antes, o OL ainda tinha pela frente um rival na briga pelas primeiras posições e que sempre complica sua vida. Em Gerland, os donos da casa até mostraram sua velha feição, com uma boa pressão inicial. Contudo, com o pesar das pernas, foi o Rennes o dono do terreno.

Os rubro-negros rapidamente tomaram conta, com um estilo de jogo compacto e de marcação firme no campo adversário. O Lyon, acuado e sem espaço, resumiu-se a jogadas de bola parada. Se Briand tivesse melhor sorte, os lioneses lamentariam uma derrota diante de seus seguidores. Entretanto, o time da casa melhorou um pouco na segunda etapa, criou algumas chances e abriu o placar. O OL, porém, não resistiu até o fim e deu a Briand a chance de se redimir, após sofrer enorme pressão dos visitantes.

Para o duelo, o técnico Claude Puel mandou a campo praticamente a mesma formação diante do Barça. A única mudança foi a entrada de Källström no lugar de Makoun. Portanto, não é de se estranhar o cansaço sentido pela equipe. Com Éderson mais uma vez perdido em campo, teria sido melhor deixar o brasileiro no banco de reservas, ainda mais diante de um Rennes eficiente e determinado na marcação. Tal atuação isolou Benzema, que deixou o campo machucado. Bela forma de se comemorar seu centésimo jogo na Ligue 1. Pelo menos, o Lyon não perdeu.

O Paris Saint-Germain goleou o Nancy por 4 a 1 e vive nas nuvens. Classificado para as oitavas-de-final da Copa Uefa, o time da capital prova estar em excelente forma no momento. A equipe superou o cansaço de uma viagem para a Alemanha (venceu o Wolfsburg por 3 a 1 um dia depois do jogo do Lyon contra o Barcelona) e, com incrível tranquilidade, bateu um time enjoado. Nas seis últimas rodadas, o PSG somou 16 pontos. Em casa, ganhou seus quatro jogos mais recentes, com dez gols marcados e apenas três sofridos no Parc des Princes.

A hora da verdade chegou para o PSG. O time será colocado à prova em duas semanas e meia, quando fará seis jogos cruciais: um pela Copa da França, dois na Copa Uefa e três na Ligue 1. Aliás, no Francês, a equipe terá que se virar sem dois de seus mais importantes jogadores. Makélélé e Sessegnon foram suspensos por dois e três jogos, respectivamente. Seus próximos duelos são contra seis equipes na luta para escapar do rebaixamento e, para completar, terá nada menos do que o clássico contra o Olympique de Marselha e Toulouse no meio do bolo. Hoarau, Giuly e Rothen precisarão se desdobrar para manter o nível da equipe.

Para quem gosta de emoção, do Lorient (nono colocado) ao Saint-Etienne (16º) existe uma diferença de apenas cinco pontos. Levando-se em consideração que o Le Havre está praticamente condenado à segunda divisão, nada menos do que onze equipes brigam para escapar dos outros dois lugares para a Ligue 2. Só o Nice parece estar em situação confortável pelo resto da temporada. Com 39 pontos, o OGC está longe de correr perigo de cair, mas também está meio longe da briga por uma vaga em torneios continentais.
 

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Equipe Trivela

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