De patinho feio a cisne

O Paris Saint-Germain investiu milhões de euros para reforçar seu elenco para esta temporada, mas um velho conhecido da torcida tem resolvido os problemas do time. Criticado muitas vezes por seu excesso de individualismo e acusado de ser egoísta, Nenê mostrou-se decisivo mais uma vez e ajudou o time da capital a se manter na liderança da Ligue 1 com mais uma vitória. Contra o Évian, o brasileiro voltou a mostrar seu valor.
Em um momento no qual Pastore prima pela irregularidade, Nenê colhe os frutos do esquema montado pelo treinador Carlo Ancelotti, que valorizam suas qualidades. Desde a chegada do italiano, o brasileiro viu seu futebol crescer. Dos 13 gols marcados pelo PSG em 2012, nada menos do que dez tiveram a participação direta do meia-atacante. Nada mal para quem conviveu com os boatos da contratação de reforços como Alexandre Pato e Tevez para o setor ofensivo.
Ancelotti segue um 4-3-2-1 no PSG. Tal formação tática favorece Nenê, que também viu seu posicionamento em campo sofrer uma pequena, mas significativa, alteração. Em vez de cair mais pelo lado esquerdo, o brasileiro agora atua mais centralizado. A mudança se mostrou fundamental para o crescimento de produção do meia-atacante, agora mais próximo do gol e sem tantas funções defensivas. Mais solto, ele pode, enfim, usar as jogadas individuais a seu favor.
O treinador não morre de amores pelo atual esquema tático da equipe – Ancelotti já declarou que não é uma formação “para ganhar, mas permite explorar uma boa filosofia de jogo”. Melhor para Nenê, que pode se considerar um privilegiado. Afinal, sua posição de titular parece bem consolidada, ao contrário da situação de outros companheiros.
Com as chegadas dos reforços contratados na intertemporada (principalmente Alex, Thiago Motta e Maxwell), a concorrência por uma vaguinha entre os onze titulares ficou ainda mais acirrada. Só na defesa, são dez nomes para somente quatro postos. Já Momo Sissoko, Mathieu Bodmer, Thiago Motta, Blaise Matuidi, Clément Chantôme e Christophe Jallet se engalfinham na briga por um lugar no meio-campo.Hoje, são três vagas; na próxima temporada, apenas duas.
Nem mesmo Pastore tem situação confortável dentro da equipe. Quando se recuperar da lesão que o afastou dos gramados recentemente, o argentino deve exercer uma função diferente no time. Ancelotti manifestou seu desejo de testá-lo no lado esquerdo do setor ofensivo, um pouco mais recuado do que de costume. Cabe lembrar que, após suas primeiras semanas no PSG, Pastore reclamou de seu posicionamento em campo e se baseou nisto para justificar sua oscilação.
Pensando no futuro e no 4-4-2 pretendido por Ancelotti, Pastore continua ameaçado. Se a experiência pela esquerda der errado, o argentino terá a concorrência de Ménez, que se encaixou muito bem pela direita. No ataque propriamente dito, Kévin Gameiro leva vantagem sobre Guillaume Hoarau, mas tudo pode mudar pelo desejo da diretoria de reforçar o setor.
E Nenê? No meio de tantas hipóteses, experiências e disputas por posição, o brasileiro parece ser o único sem grandes preocupações. Contra o Évian, ele marcou dois gols em um mesmo jogo pela quarta vez nesta Ligue 1 e ostenta o posto de artilheiro da equipe com onze gols – isso sem contar as quatro assistências. Para Ancelotti não mudar de planos, o brasileiro só não pode repetir a temporada passada, quando se cansou de fazer gols no primeiro turno e passou em branco em boa parte do returno.
Líderes agradecem
O empate por 2 a 2 entre Olympique de Marselha e Lyon deixou Paris Saint-Germain e Montpellier rindo à toa. O resultado no Vélodrome permitiu à dupla escapar um pouco mais na disputa pelo título da Ligue 1, relegando os dois adversários à briga pela terceira vaga na Liga dos Campeões. E OM e OL podem nem sentir esse gosto direito, já que o jogo do Lille contra o Schaux foi adiado – e o LOSC pode se distanciar caso vença este compromisso.
Embora marselheses e lioneses lamentem o resultado, o OM tem mais motivos para se chatear. O Olympique de Marselha abriu uma vantagem de 2 a 0 com apenas 35 minutos de partida e parecia ter o controle do jogo nas mãos, ainda mais com a apatia exibida pelo Lyon. O primeiro tempo, porém, reservou péssimos momentos para os donos da casa.
O vacilo no gol de Gomis e a infelicidade de Diawara ao desviar uma tentativa de Cissokho não apenas empataram a partida como implodiram o OM. Sem contar com Valbuena, suspenso, os anfitriões perderam o rumo no retorno dos vestiários. O Lyon, mesmo sem ser brilhante, dominou o duelo do meio-campo sem grandes dificuldades. As chances de virar a partida só vieram no fim, quando se viu Steve Mandanda salvar a pátria do Olympique de Marselha.
Os comandados de Didier Deschamps tiveram interrompida a série de oito vitórias (levando-se em conta todas as competições disputadas pelo clube) e, pela primeira vez em 2012, deixou de conquistar pontos em uma partida. O OM ficou a onze pontos do líder PSG, enquanto o Lyon está a dez do clube da capital. Para os dois, a briga pelo título da Ligue 1 terminou com um abraço dos mais gélidos.
Do lado do Montpellier, a vitória por 1 a 0 sobre o Brest manteve o time três pontos atrás do PSG. O jogo, porém, teve péssimas consequências para o MHSC. A equipe perdeu Geoffrey Dernis por pelo menos seis semanas. O meio-campista sofreu uma lesão no joelho direito e desfalcará a equipe logo em uma das partidas mais importantes do time nesta temporada: o duelo direto contra o clube da capital no Parc des Princes.
Dernis se tornou um dos destaques do Montpellier ao longo desta temporada, com 17 partidas disputadas (das quais foi titular em 13) e cinco gols – o último deles foi exatamente o que definiu o triunfo sobre o Brest. Nem mesmo o retorno de Belhanda, que estava com a seleção de Marrocos na Copa Africana de Nações, parece resolver o problema causado pela ausência de Dernis e sua canhota. Um problema que deve complicar, e muito, a vida do MHSC logo na hora mais indesejada.


