De cara nova
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Como esperado, Laurent Blanc iniciou o processo de renovação da seleção francesa em sua primeira convocação. Claro, o treinador já havia anunciado que não levaria qualquer um dos envolvidos no fiasco dos Bleus na Copa do Mundo, mas mesmo assim surpreendeu ao divulgar sua lista para o amistoso contra a Noruega. Além de chamar vários novatos, o técnico também se lembrou de algumas caras que há tempos não vestiam a camisa azul. A comparação com o Brasil de Mano Menezes se torna inevitável.
Como o novo técnico do Brasil, Blanc olhou com carinho para quem joga no país. Nada menos do que 16 dos 22 convocados atuam na Ligue 1. O treinador justificou sua escolha com um argumento simples: o preparo físico. Ele ainda adiantou que, mesmo se tivesse à disposição os mundialistas, ainda assim chamaria um número considerável de estreantes. Atitude respeitável, como uma prova de quem está realmente interessado em observar com atenção os talentos surgidos no país – algo que Raymond Domenech havia se esquecido como fazer.
Aliás, os tempos carrancudos de Domenech parecem ter ficado para trás. De cara, Blanc até brincou durante o anúncio dos convocados. “Charles Aznavour… N’Zogbia”, disse o técnico, em atitude inimaginável até um mês atrás para o técnico dos Bleus. Do ponto de vista técnico, Blanc deixou clara sua preocupação com a defesa. Ponto fraco dos franceses na Copa, o setor ganhou a atenção especial de Blanc.
Nota-se que o treinador privilegiou os jovens talentos quando pensou em montar a defesa para enfrentar os noruegueses. Enquanto a presença de Rod Fanni parecia lógica, há uma concorrência saudável entre Mathieu Debuchy e Mathieu Chalmé pelo lado direito. O primeiro fez uma temporada muito boa pelo Lille; o segundo, embora tenha apresentado uma queda de rendimento na reta final da Ligue 1, tem a vantagem de já ter trabalhado com Blanc.
Benoit Trémoulinas ganha uma chance na esquerda após suas atuações regulares pelo Bordeaux – e também sob as ordens do treinador. No miolo da zaga, Mamadou Sakho e Younès Kaboul despontam como titulares e terão que amadurecer rapidamente se quiserem continuar na seleção. Philippe Méxès, de fracas atuações antes da Copa, terá mais uma oportunidade, talvez a última, para enfim mostrar ter condições de fazer parte da equipe. Para o meio-campo, outro setor que recebeu muitas críticas no Mundial, Blanc tinha um dilema: em um primeiro momento, privilegiar a experiência ou também chamar a molecada?
A segunda opção pareceu mais interessante e Blanc também se lembrou da Samir Nasri. O meia do Arsenal deveria fazer parte do elenco dos Bleus na África do Sul, o que certamente diminuiria a sobrecarga em Yoann Gourcuff – e talvez aliviasse a pressão psicológica em cima do jogador do Bordeaux. Para o ataque, eis que o técnico chamou Karim Benzema, apesar dos apelos da ministra Roselyne Bachelot.
Blanc agiu corretamente em convocar o atacante do Real Madrid. O treinador mostrou-se corajoso ao chamá-lo mesmo após o escândalo sexual do qual Benzema e Ribéry se tornaram protagonistas. Enquanto não se chegar a uma resposta definitiva sobre o “caso Zahia”, ele deve sim fazer parte dos Bleus – até porque é um dos melhores atacantes franceses no momento.
Sem a truculência de Domenech e com um declarado espírito de renovação, Blanc começa bem seu trabalho à frente dos Bleus. Seu trabalho a longo prazo também consiste em resgatar a imagem do futebol francês, tão arranhada após o fiasco na Copa. Resta saber qual será sua atitude depois de encerrada a “geladeira” imposta aos jogadores que estiveram na África do Sul. Quais deles sobreviverão?