De Canelones a Paris, pela Turquia

O Paris Saint-Germain deu a pinta que seria o bicho-papão da temporada francesa. No entanto, mesmo com o pesado investimento para reforçar o elenco, a equipe mostrou uma certa fragilidade defensiva em seus primeiros jogos. O problema agora parece ter sido solucionado. Afinal, a chegada de Diego Lugano ao elenco do PSG traz a experiência e a vibração necessárias para o setor se acertar.
Lugano, capitão da seleção uruguaia campeã da Copa América, chega para assumir não só o posto de titular como o de líder da equipe. O zagueiro vem em momento decisivo para o PSG, que tenta encontrar sua melhor formação quando há uma cobrança muito forte por bons resultados. Se por um lado o defensor enche a torcida parisiense de esperanças, por outro significa um duro golpe para a atual dupla de zaga do time.
Camara e Bisevac se viram no olho do furacão. Com Mamadou Sakho lesionado, coube a eles formar o miolo de zaga do PSG nas rodadas iniciais da Ligue 1 e na Liga Europa. No entanto, o desempenho deles ficou longe de saltar aos olhos. Embora tenham todo atuações corretas, ambos não deram aquela segurança a um dos setores mais criticados da equipe na última temporada.
Quando estiver completamente recuperado de seu problema muscular, o que não deve demorar muito, Sakho retomará naturalmente sua condição de titular. Não dá para imaginar que Lugano ficará no banco de reservas. Ou seja: Camara e Bisevac já estão em contagem regressiva para suas despedidas da equipe principal. A constatação dói ainda mais para Bisevac.
Após se destacar pelo Valenciennes, o zagueiro trocou o clube pelo Paris Saint-Germain, em transferência que custou € 3,2 milhões. De bom candidato a titular, ele passou em um piscar de olhos a ser uma opção no banco de reservas após a confirmação do acerto com o uruguaio. Trata-se de uma nítida demonstração de força de Leonardo, tanto para convencer Lugano a ir para o PSG como para mostrar pulso firme com os jogadores que não estiverem rendendo o esperado.
Largada da Ligue 1
Enquanto isso, o PSG deixa as desconfianças de lado para aos poucos encaixar um estilo de jogo interessante. Por motivos óbvios, todas as atenções estavam voltadas para Javier Pastore. No entanto, o meia argentino teve participações discretas e já houve quem achasse precipitado demais lançá-lo como titular. Seu desempenho contra o TFC jogou por terra qualquer crítica a ele.
Em 45 minutos, Pastore deu uma bela resposta a que duvidava de seu talento ao dar duas assistências e participar do outro gol da vitória por 3 a 1 do PSG sobre os Violetas. Após um primeiro tempo decepcionante, os parisienses enfim tiveram uma exibição convincente, dando mostras de que seus jogadores mais importantes já pegam algum entrosamento. Ganhar fora de casa e selar o quarto triunfo consecutivo (levando-se em conta todas as competições disputadas) deu à equipe uma grande confiança de que o caminho está correto.
Já o Olympique de Marselha segue um rumo completamente obtuso. O sensacional jogo contra o Lille, vencedor por 3 a 2, evidenciou as falhas defensivas da equipe e deixa Didier Deschamps preocupado. Afinal, os marselheses completaram sete jogos sem vencer na Ligue 1 (contando, claro, a temporada passada). Tal marca negativa só foi alcançada logo no início do trabalho do treinador à frente da equipe.
O duelo lancinante pelo Troféu dos Campeões, com uma inacreditável vitória do Olympique de Marselha por 5 a 4 na Tunísia, parece ter se tornado a marca registrada deste duelo. O OM mostrou poder de reação após ficar em desvantagem e virar o placar, mas ao mesmo tempo ficou clara a necessidade de encontrar a melhor formação defensiva. Os três gols do Lille foram marcados em falhas do setor.
Deschamps foi mais uma vez obrigado a mexer na defesa, pois não contava com M’Bia (lesionado) e N’Koulou (suspenso). O jeito foi escalar um miolo de zaga formado por Souleymane Diawara e Rod Fanni. No entanto, a dupla nem de longe transmitiu serenidade aos companheiros. Erros seguidos de posicionamento, lentidão e desordem complicaram mais uma vez a vida do OM, que ainda não venceu nesta Ligue 1. Deschampsterá muito trabalho para descobrir a melhor fórmula para fechar sua defesa.
Sorteio maldito
Se dentro de campo o Olympique de Marselha leva azar, no jogo a má sorte também acompanha o clube. O sorteio da Liga dos Campeões reservou ao OM o grupo mais complicado entre as equipes francesas. Se no ano passado os marselheses enfrentaram as pedreiras Real Madrid e Milan, desta vez o nível de dificuldade se assemelha. Em outras palavras, a equipe deve se contentar em brigar pela vaga na Liga Europa.
Por mais que o Arsenal passe por um instável processo de mudanças, o OM não deve se animar muito e sonhar com uma das vagas do grupo F. As saídas de Fàbregas e Nasri diminuíram demais o poder de fogo dos Gunners, arrasados depois dos 8 a 2 sofridos diante do Manchester United. Nem por isso a equipe inglesa se tornou uma baba.
O Borussia Dortmund vem credenciado por seu excelente trabalho de renovação, com um elenco jovem e de qualidade, características raras de se reunir assim. O Olympiacos, que completa o grupo, está alguns degraus abaixo, mas não é um peso morto como outros times que se classificaram para a fase de grupos da LC.
O Lyon se acostumou a ser o carrasco do Real Madrid, mas a temporada passada colocou o OL em seu devido lugar. Não dá para achar que os comandados de José Mourinho tremerão de medo diante dos lioneses. Isso já passou. No entanto, os lioneses brigam de igual para igual com o Ajax pelo segundo lugar do grupo D, até com um pequeno favoritismo. O Dínamo Zagreb nem entra nesta conta.
Situação parecida vive o Lille. O atual campeão francês nem deve se preocupar com o primeiro lugar do grupo B, que deve ficar nas mãos da Internazionale. O LOSC precisa mesmo almejar a segunda posição, para a qual o CSKA Moscou pinta como forte candidato. A inexperiência dos Dogues em uma competição de tamanho peso pode fazer a balança pender a favor da equipe russa. O Trabzonspor ganhou a vaga no colo, o que já demonstra como o time turco pouco pode alterar este panorama.
Sendo assim, há uma grande chance de ver um clube francês nas oitavas de final da LC, com favoritismo para o Lyon. Dá para pensar em duas equipes do país na fase seguinte, com o Lille obrigado a se superar. As chances de 100% de aproveitamento são quase remotas. E se alguém espera ver algum deles ir longe… Bem, corre sério risco de jogar dinheiro pela janela.


