Crime sem castigo

Quando tudo parecia calmo no Olympique de Marseille, eis que surge um escândalo para tumultuar o ambiente. O que parecia ser o inferno para Brandão revelou ser mais um caso de uma dessas marias-chuteiras que esperam a menor brecha para tentar arrancar o máximo de grana e aparecer às custas do atleta. Para o brasileiro, nada pior do que limpar sua barra, provar sua inocência após ficar com a imagem arranhada pelas acusações de ter estuprado a tal mulher.
Desde o início das investigações, Brandão se mostrou muito calmo para tratar do assunto. O atacante logo se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos sobre o que realmente ocorreu. No entanto, o estrago já havia sido feito. Por mais que seja provada sua inocência, Brandão passou pelo desgaste de ser detido, comparecer a uma delegacia, dar seu depoimento, apresentar-se a um juiz, enfim, seguir todos os passos burocráticos para comprovar que nada havia feito.
Por mais que a mulher tenha retirado a queixa de estupro contra Brandão, o brasileiro levou a pior. Houve todo um pré-julgamento público, que sempre tende a colocar o famoso contra a parede. Ele logo se tornou o culpado, o monstro, o tarado, ainda mais com o desenrolar do caso. As notícias de que ele havia sido detido e que mesmo com a reviravolta no caso a Justiça havia prorrogado em 24 horas esta detenção, por mais que sejam praxe, somente pioraram a imagem de Brandão. Mesmo inocente, o atacante acabou punido por algo que não cometeu.
Vamos ao histórico da suposta vítima. A mulher passou a noite em uma casa noturna e, durante a noite, envolveu-se com o brasileiro. Os dois saíram de carro e esticaram a noite, quando ela diz ter sido violentada – quando as evidências deixam claro que não houve nada forçado. A jovem, de 23 anos, seria uma velha conhecida do elenco do Olympique de Marseille. Brandão não foi o primeiro jogador do clube com quem ela manteve um relacionamento mais íntimo.
Pelo menos três atletas do OM já tiveram algo mais do que uma simples relação entre fã e ídolo com a moça, há algum tempo. A mulher tem facilidade para circular no clube, pois é irmã de um agente de jogadores bem conhecido na região sul da França. Ou seja: não dá para chamá-la de santa.
Tanta polêmica apenas ajudou a conturbar o ambiente do Olympique de Marseille quando a equipe se prepara para uma das semanas mais cruciais desta temporada. O OM se concentra para a partida contra o Rennes, vice-líder da Ligue 1 e contra quem joga suas últimas fichas pela disputa do título nacional. Como se não fosse suficiente o peso deste confronto, o próximo se revela ainda maior.
Na próxima semana, os marselheses encaram nada menos do que o Manchester United no Old Trafford para decidir seu futuro na Liga dos Campeões, no duelo de volta das oitavas de final da competição. Para o treinador Didier Deschamps, manter o foco do elenco se tornou uma missão hercúlea, pois não deve ser fácil conciliar treinos com depoimentos de atletas a investigadores. Se houve vítimas com toda esta confusão, sem dúvida estas foram Brandão e o Olympique de Marseille.
Crise no PSG
No Parc des Princes, a situação também anda bastante tensa. O mais recente episódio dos problemas que minam o Paris Saint-Germain está nos bastidores. Desta vez, o presidente Robin Leproux e o proprietário Sébastien Bazin andam se estranhando. Se em campo, a temporada parece tranquila, com o time na luta pelos títulos da Ligue 1 e da Liga Europa, fora dele as disputas se intensificam.
Segundo um dirigente, que não quis revelar sua identidade, informou ao jornal Le Parisien, Bazin anda descontente com a mudança de atitude de Leproux. O presidente do PSG passou da postura servil à Colony Capital para tomar atitudes mais agressivas, inclusive do ponto de vista financeiro, o que teria irritado o dono do clube da capital francesa. Bazin, que terminará a temporada com um déficit de € 20 milhões, reclama disto.
Por outro lado, Leproux estaria descontente com o modo como Bazin trata do projeto de renovação do estádio Parc des Princes. O proprietário do PSG forneceu quase nenhuma informação sobre os planos, nem como eles serão colocados em prática. Também está obscura a participação de futuros investidores no clube. Tanto mistério incomoda o presidente, que deseja acompanhar de perto as conversas e conhecer todos os detalhes.
Em campo, o PSG amargou uma derrota para um Auxerre desesperado por conquistar pontos para sobreviver na primeira divisão. O time da capital sentiu demais a ausência de seus dois principais atacantes, Erding e Hoarau. Luyindula, Giuly e Maurice tentaram ocupar a posição de centroavante, mas em momento algum ofereceram perigo à defesa adversária. A zaga do Paris Saint-Germain também foi um horror.
Para completar o ambiente tenso, o técnico Antoine Kombouaré aumentou sua coleção de brigas com jogadores do elenco. Desta vez, o goleiro Edel Apoula teve uma violenta discussão com o treinador, conhecido por sua personalidade forte e seu rigor. Assim que o juiz apitou o fim da partida contra o Toulouse, vencida pelo PSG por 2 a 1, Kombouaré e Edel bateram boca e quase saíram na mão.
Tanto nervosismo foi motivado pela cobrança feita pelo técnico ao goleiro, que falhou no gol marcado pelo TFC. Edel, cujo contrato termina no fim desta temporada, já foi questionado várias vezes durante a campanha do PSG em 2010/11 devido aos seus erros e atuações inconstantes. Esfriados os ânimos, os dois trataram de virar a página e dizer que tudo passou. Não é bem assim.
Kombouaré já havia se desentendido antes com Stéphane Sessegnon e Peguy Luyindula, com a mesma fúria exibida contra Edel. O treinador até pode conquistar as metas estabelecidas pelo clube para esta temporada, mas dificilmente terá vida longa em uma equipe com a qual se indispõe com certa frequência. A paciência dos jogadores tem limites, e o PSG parece adorar o estouro de uma crise interna.


