FrançaLigue 1

Como a grana de PSG e Monaco vai afetar o resto da Ligue 1

Ainda é difícil encontrar razões para acreditar que os participantes da Ligue 1 irão desfrutar de alguma vantagem com o advento dos ricos Monaco e Paris Saint-Germain.

Desigual em tempos que a própria França sofre para manter sua saúde financeira, o campeonato francês traz dois grandes favoritos logo de cara: os endinheirados citados no parágrafo anterior. E se você acha que Lyon ou Marseille ou até Saint-Etiénne podem ameaçar esse reinado, fique sabendo que eles estão passando pelo processo contrário.

A grana gasta por Monaco e PSG não está preenchendo os cofres de outras equipes menores na França. Ao contrário da época em que o Lyon monopolizava o futebol comprando os jogadores dos seus adversários, desta vez os ricos investem no mercado estrangeiro, trazendo grandes estrelas por salários astronômicos. Astronômica talvez seja a melhor expressão para definir a postura de parisienses e monegascos no futebol local.

Baixa rotação no mercado francês

Claro que ainda há tráfego entre os mais modestos. Como por exemplo o Lille, que comprou Thauvin do Bastia, grande revelação da temporada 2012-13. Quando esse dinheiro de transferências é “dividido” entre os clubes, a equação fica um pouco mais fácil de se resolver, mas se apenas estrangeiros se beneficiam dessas ofertas generosas, cada vez mais os pequenos passam aperto.

Meses atrás, o presidente do Toulouse, Olivier Sadran, dizia que o seu time não conseguia patrocínios e chegava a depender de vendas de atletas para fechar o balanço no azul. Com o baixo público e a fuga de anunciantes, o caixa do Toulouse passou a operar no vermelho.

Se por um lado o mercado francês pode ficar atraente para quem chega e para quem quer abrir o bolso, o outro lado da moeda é aterrador para dirigentes que não revelam tantos atletas e não encontram uma estrutura tão firme de trabalho. Antes a Ligue 1 podia ser até tediosa, mas era um lugar seguro.

Uns com muito, outros com tão pouco

Ainda não se sabe se a ilha da riqueza formada dentro do futebol vai permanecer tão alheia ao panorama francês. Ao que depender do presidente da França, François Hollande, a nova lei de impostos deve afetar diretamente o futebol no país. E o aumento dos gastos seria nocivo para quem não dispõe de rendimentos tão abissais ou uma fonte inesgotável de recursos como o russo Dmitri Rybolovlev, magnata dono do Monaco.

Sem o Fair play financeiro aplicado com o devido rigor, é de se esperar que as duas principais forças no país sigam torrando aos montes, sem parcimônia. Enquanto isso, os pequenos lutam para sobreviver, procurando fazer valer o significado da palavra estabilidade. O problema é que a desigualdade anda na contramão.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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