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Como a ganância da Fifa criou um chaveamento injusto que prejudicou a França

Sucesso de público e audiência, a Copa do Mundo feminina vai chegando à reta final, com as semifinais já definidas. Os jogos derradeiros da competição poderiam ser ainda mais atrativos, não fosse o método mercantilista, voltado mais para interesses econômicos do que esportivos, aplicado pela Fifa na definição dos chaveamentos da fase de grupos e, consequentemente, dos mata-matas do Mundial. Por intervenção direta da entidade, Alemanha e França, duas das três melhores seleções no ranking feminino, tiveram que se enfrentar cedo, ainda nas quartas de final. As alemãs saíram vencedoras, e as francesas, claro, revoltadas com a influência de um sistema de chaveamento nada aleatório.

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Desde a definição dos grupos da Copa do Mundo, sabia-se que, caso França e Alemanha ficassem terminassem líderes de suas chaves e vencessem seus confrontos nas oitavas de final, duas possibilidades bastante prováveis, teriam de se enfrentar já nas quartas de final. E isso por causa de um chaveamento da Fifa que, diferentemente do que acontece no futebol masculino, não conta com um sorteio. O motivo para isso? Segundo a própria entidade, “por razões promocionais e de venda de ingressos”.

Após a eliminação, Camille Abily, da seleção francesa, foi dura nas críticas, queixou-se do método e pediu um sorteio como acontece no Mundial masculino. “Infelizmente, voltaremos a isso, mas a Fifa não conduziu um sorteio de verdade. Não estou os culpando (pela derrota francesa), mas por que não fazemos como os garotos? O A1 sendo o Canadá, e o restante sendo aleatoriamente sorteado de acordo com o chaveamento. Não venha me dizer que, para ver um jogo de Copa do Mundo, não havia ninguém em Moncton! Em algum momento, eles precisam parar de nos fazer de idiotas. Sinto muito, mas se eles tivessem feito um sorteio de verdade, talvez não tivéssemos jogado contra a Alemanha ou os Estados Unidos tão cedo. Inevitavelmente, é frustrante, mesmo que soubessemos disso desde o início. A esperança era de, ainda assim, ir até o fim, como provamos na sexta-feira”, afirmou a meio-campista.

Na lógica da Fifa, que buscava o lucro, era preciso colocar certos times em certas cidades, como a França em Montreal neste confronto de quartas de final, para vender ingressos; e em certos fusos horários, para melhorar a audiência dos jogos das equipes nas emissoras de seus respectivos países. Tal medida tomada na formação dos grupos, que naturalmente já teriam as equipes mais fortes separadas de si, é compreensível, mas influenciando também a fase de mata-mata isso mina parte do interesse esportivo no torneio justamente no momento em que isso mais deveria prevalecer.

Como se isso não fosse o bastante, ainda cria desequilíbrios, como o fato de que Alemanha, Estados Unidos e França, os três melhores países no ranking de futebol feminino da Fifa, caíssem do mesmo lado do chaveamento. Ou como o conhecimento prévio de que Estados Unidos e Canadá, dois cabeças de chave, só poderiam encontrar outros cabeças de chave a partir das semifinais.

Depois de apresentar um dos melhores desempenhos técnicos até aqui, a França teve de enfrentar a Alemanha, outra equipe que vinha encantando. Caiu apenas nos pênaltis. Daqui a alguns anos, quando observar a Copa do Mundo de 2015, maior parte das pessoas não se lembrará desse detalhe infeliz do chaveamento, mas, sim, de uma campanha de simples quartas de final por parte das francesas. Isso torna compreensível o descontentamento das Bleus e necessária a mudança por um sistema mais justo e que não privilegie as receitas em detrimento do nível técnico.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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