Quatro dias após a boa apresentação diante do Valencia pela Liga dos Campeões, o Paris Saint-Germain voltou à rotina de altos e baixos na Ligue 1. Diante de um Sochaux ameaçado pelo rebaixamento, o time da capital virou comida de leões e perdeu uma invencibilidade que já durava 13 partidas. Para piorar, a chance desperdiçada de ampliar a vantagem na liderança chega em um momento delicado, já que o clube se prepara para a disputa do clássico contra o Olympique de Marseille – na tão cogitada estreia de David Beckham.
Era de esperar um favoritismo do PSG, com uma chance daquelas de ratificar sua autoridade na Ligue 1 e mandar um recado aos perseguidores Lyon e Olympique de Marseille. Só faltou combinar o roteiro com o Sochaux. Os Leões não se amedrontaram diante do poderoso adversário. Jogando em casa, eles surpreenderam ao adotar uma postura incisiva, com marcação adiantada e firme, com excelente movimentação ofensiva. Deu certo.
Após o jogo, Javier Pastore justificou a derrota do PSG com uma tal ‘falta de motivação’. Em outras palavras, uma depressão pós-Champions, como se o duelo contra o Sochaux fosse um joguinho qualquer, uma tarefa daquelas que você deseja se livrar o quanto antes e a cumpre nas coxas. Grandes times da Europa conseguem superar este ioiô emocional e mantém o nível mesmo quando precisam encarar um Granada, um Queens Park Rangers, um Pescara. Os parisienses ainda não têm essa capacidade.
Nesta altura da temporada, não dá para um time apresentar um relaxamento como o PSG exibiu contra o Sochaux. É compreensível tirar o pé após uma partida como a diante do Valencia na LC, mas isso não significa abrir mão de um jogo apenas por se tratar de um adversário menos gabaritado. Isto só deveria acontecer quando o time não tem mais chances na Champions, ou se a vantagem para os demais concorrentes na Ligue 1 fosse abissal. Não é o caso.
O PSG parece se cobrar demais pela busca da perfeição e este perfeccionismo também tem prejudicado o time. Basta uma adversidade para os jogadores perderem o controle e tudo desandar. As provas se concentram, sobretudo, em Zlatan Ibrahimovic. Sua expulsão diante do Valencia e a pressão em cima do árbitro durante a partida contra o Sochaux (reforçada por Matuidi e Gameiro) demonstram como o pavio do elenco anda bem curto.
Jogador importante para o meio-campo do PSG, Marco Verratti também retrata muito bem este nervosismo em excesso da equipe. Ele recebeu seu nono cartão amarelo nesta Ligue 1, um recorde, e está suspenso. Cabe lembrar que ele também está fora do jogo de volta contra o Valencia pela Liga dos Campeões pelo mesmo motivo. Cabeça quente que não serve para coisa alguma.
Ancelotti se vê em apuros quando olha para o banco de reservas e não encontra tantas opções disponíveis para promover um rodízio e descansar quem está pedindo água. Contra o Sochaux, por exemplo, o técnico foi obrigado a recorrer a Kingsley Coman, de apenas 16 anos. A enfermaria continua cheia, ocupada por Thiago Silva, Thiago Motta, Lucas e Ménez. Quem sonha se tornar um grande da Europa não pode sofrer com tantos problemas assim.
Contrastes lioneses
Após duas derrotas consecutivas na Ligue 1, o Lyon despertou. O Bordeaux pagou o pato e foi devorado pelos lioneses, que impuseram um 4 a 0 impiedoso no Chaban-Delmas e se mantiveram próximos ao líder Paris Saint-Germain. Se por um lado a euforia pelo resultado renova as esperanças da equipe na busca pelo título, por outro a diretoria tenta contornar a insatisfação de Lisandro López.
Diante dos girondinos, o Lyon apresentou uma eficiência que não havia exibido nos reveses para Ajaccio e Lille (ambos por 3 a 1). Mesmo jogando na casa dos Marine et Blanc, o OL foi preciso quando subiu ao ataque – foram apenas cinco finalizações e um aproveitamento impressionante. Isso tudo com o Bordeaux pressionando os lioneses desde seu campo defensivo.
Com o placar de 1 a 0 para o Lyon, o Bordeaux voltou para o segundo tempo disposto a matar ou morrer. Esse foi seu maior erro. A marcação rígida deu lugar ao ataque desenfreado e os lioneses agradeceram pelos latifúndios criados no meio e na defesa dos anfitriões. Os espaços foram muito bem aproveitados por Ghezzal e Ferri, jovens que abusaram da velocidade e deram outra cara ao time quando entraram nos lugares de Gomis e Lisandro López.
Por falar no atacante, López se tornou uma dor de cabeça para o Lyon. O argentino estava insatisfeito por não ver atendido seu desejo de deixar o clube e, para completar, tinha que engolir em seco o fato de atuar fora de sua posição original. O técnico Rémi Garde o escala pelo lado esquerdo do campo, mas Lisandro sempre gostou de atuar centralizado. Para atender à vontade de um de seus principais jogadores, o treinador vive um dilema.
Caso ceda aos caprichos de Lisandro López, Garde está obrigado a deixar Gomis no banco de reservas. Coincidência ou não, Gomis está aquém de suas melhores exibições exatamente após perder o posto para o companheiro de equipe. O Lyon perdeu o timing de negociar o sul-americano, muito por conta de seu desejo de querer recuperar boa parte dos € 24 milhões para sua contratação. Como a realidade falou mais alto e ninguém se ofereceu para pagar tanto, os lioneses agora precisam driblar este pepino para não atrapalhar seus planos de lutar pelo título da Ligue 1.


