França

Coluna do meio

Os primeiros colocados da Ligue 1 parecem mesmo dispostos a deixar o campeonato mais emocionante em sua reta final. Nos jogos da 28ª rodada, os líderes resolveram que era hora de empatar. O Lille estava perto de seguir este mesmo caminho da igualdade, mas contou com a colaboração do lanterna Grenoble para vencer por 1 a 0. Graças à combinação de resultados, o LOSC subiu na tabela e agora está a apenas dois pontos de distância do líder Bordeaux.

Para os Dogues, o triunfo em casa coroou uma semana perfeita. Pelo mesmo placar, o Lille derrotara o todo-poderoso Liverpool em casa na partida de ida das oitavas de final da Liga Europa. Sem dúvida, uma injeção de moral inigualável para a equipe, mas que parecia sem grandes efeitos devido à dificuldade encontrada para superar o saco de pancadas chamado Grenoble.

Preocupado com a importante sequência de jogos pela frente em um curto intervalo de tempo (o jogo de volta da Liga Europa contra o Liverpool e um decisivo duelo contra o Bordeaux), o treinador Rudi Garcia decidiu poupar alguns titulares. Contra o GF 38, Cabaye, Obraniak e Emerson começaram no banco de reservas. Além disso, o gramado estava em péssimas condições, o que contribuiu decisivamente para o baixo nível técnico da partida.

O primeiro tempo traduziu muito bem o que foi o jogo. Sem conseguir desenvolver um bom ritmo, as duas equipes acumularam faltas. Quando a bola rolou, no início do segundo tempo, o Lille achou seu gol quando Cesar desviou um cruzamento de Emerson (que entrara no lugar do lesionado Ricardo Costa) contra suas próprias redes. Mesmo com as mudanças promovidas pelo técnico Mécha Bazdarevic, o Grenoble seguiu inofensivo e está com o passaporte encaminhado para retornar à Ligue 2.

Enquanto isso, no principado, o Bordeaux sofreu para ficar no 0 a 0 com o Monaco. Assim como contra o Auxerre, Laurent Blanc fez um rodízio e deixou Chalmé, Gourcuff e Chamakh entre os reservas. O treinador ainda escalou uma defesa experimental, com Fernando Menegazzo e Chalmé no miolo da zaga e Sané na lateral-direita. Com a cabeça na Liga dos Campeões, a equipe sentiu as dificuldades de atuar num 4-5-1 engessado e de pouca imaginação no meio-campo.

Ficou claro mais uma vez que Fernando não tem cacoete algum para atuar como zagueiro. O volante, que já havia atuado nesta posição em alguns jogos, posicionou-se mal em vários lances e seu desentrosamento com Ciani era gritante. A ausência de Planus foi bastante sentida, mas o Bordeaux escapou de perder a liderança por conta do 1 a 1 entre Montpellier e Auxerre.

Logo após a heroica classificação na LC (leia mais detalhes logo abaixo), o Lyon tinha outra pedreira pela frente: o dérbi contra o Saint-Etienne. Assim como contra o Boulogne, o OL se deu mal. Contra duas equipes mal classificadas na Ligue 1, os lioneses somaram apenas dois pontos. Deixar escapar duas vitórias diante de adversários bem mais frágeis terá suas consequências logo mais à frente.

Obviamente, Claude Puel deu um descanso a alguns de seus principais jogadores contra Boulogne e Saint-Etienne. O treinador percebeu, nestes jogos, que não o time não funciona sem alguns nomes. Na zaga, por exemplo, o novato Lovren ficou anos-luz longe de Boumsong. Contra o ASSE, enquanto Lisandro López não entrou em campo, o Lyon inexistiu do ponto de vista ofensivo.

O milagre do Bernabéu

Sim, leitores, este que vos escreve fará um mea culpa por cravar que o Lyon seria dizimado pelo rolo compressor do Real Madrid no Santiago Bernabéu. Bom, não só eu, mas grande parte dos que analisaram como seria o duelo de volta entre as duas equipes na Liga dos Campeões. A manchete do L’Équipe resume de forma simples o que aconteceu na casa dos Merengues: “Galácticos são os lioneses.”

Como explicar a eliminação do badalado Real Madrid em casa, com Cristiano Ronaldo e Kaká em campo, diante de um Lyon que vai aos trancos e barrancos na temporada? Não seria exagero falar em sorte e competência. Sorte pelas chances desperdiçadas a rodo pelos blancos na primeira etapa, que poderia terminar com um placar bastante tranquilo para os donos da casa. A competência vem pela visão de jogo de Claude Puel, que mudou radicalmente a cara do OL para a segunda etapa.

Nos 45 minutos iniciais, o Real Madrid teve a chance de matar o Lyon. Após o gol de Cristiano Ronaldo, Higuaín perdeu chance clara de ampliar após driblar Lloris. As oportunidades perdidas se acumularam, enquanto o OL se limitava a ficar em seu campo de defesa, quase sem saída e com uma inexistente ligação entre seu meio-campo e o ataque. Para a segunda etapa, Puel teve seu momento mágico.

O técnico fez as duas alterações que mudaram a história da partida. As entradas de Gonalons e Källström, com a passagem de Toulalan para o miolo de zaga, transformaram o gatinho manso do Lyon em uma fera faminta. Enfim o time conseguiu ter a posse de bola, conseguiu trocar passes e, com maior vocação ofensiva, não se intimidou em atacar o Real Madrid. As seguidas chances perdidas no primeiro tempo ajudaram a minar o lado psicológico dos Merengues, extremamente pressionados pela necessidade de uma vitória categórica para justificar o status de “galácticos.”

Fazendo seu jogo, aproveitando o nervosismo dos adversários e o clima de pressão da torcida da casa, o OL se sentiu bem mais à vontade no Santiago Bernabéu. Empatou a partida, deu-se ao luxo de perder oportunidades claras para virar e deixou o gramado com um feito histórico, digno para cada jogador contar para seus netinhos.

Quando deixou de respeitar em demasia o Real Madrid, o Lyon exterminou o fantasma em torno da tão propagada superioridade merengue. Higuaín, por exemplo, mais uma vez mostrou que precisa comer muito arroz com feijão para amadurecer em jogos decisivos. Sumido em campo, o argentino não só perdeu um gol feito como desapareceu no restante da partida. É fácil fazer gols nos Murcias da vida, mas também é preciso ter sangue frio para resolver em um jogo da LC. E isso os lioneses tiveram de sobra, como bem provou Puel no intervalo.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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