França

Clássico do fôlego

Nada melhor do que ganhar um clássico para dar um gás na disputa pelo título da Ligue 1. No Parc des Princes, o Paris Saint-Germain derrotou o Olympique de Marseille por 2 a 1 e segue na cola do Montpellier, líder com os mesmos 63 pontos do time da capital e um jogo a menos. Apesar do resultado lhe dar um fôlego essencial para renovar suas esperanças, o PSG continua com seu futebol aos trancos e barrancos.

Em uma partida bastante tensa e na qual prevaleceu a força física, PSG e OM estiveram equilibrados, mas no lado ruim da coisa. As duas equipes cometeram muitos erros de passe, domínio de bola e técnica praticamente nula. Os velhos rivais também entraram em campo pressionados. Do lado parisiense, estava sobre os ombros uma série de quatro jogos sem vitória. Os marselheses, em fase descendente, ainda amargavam a eliminação da Liga dos Campeões para o Bayern de Munique e tentavam juntar forças para ganhar seu título da temporada. No entanto, a derrota no Parc des Princes ajudou a afundar um pouco mais na lama os comandados de Didier Deschamps.

Coincidentemente, o Olympique de Marselha tem a estranha incumbência de ser um fator decisivo para o campeonato. Afinal, o time enfrenta na sequência os dois candidatos à taça e pode definir o futuro do Montpellier na quarta-feira (cabe lembrar que a coluna entra no ar poucas horas antes do pontapé inicial deste duelo). Para quem sonhava brigar pelo alto do pódio, resignar-se com o papel de coadjuvante soa como uma das piores humilhações às quais o time poderia se submeter.

Logo no começo do clássico, o PSG voou na jugular do OM e dela não largou até inaugurar o placar. Armado em seu já tradicional 4-3-2-1, o time da capital cometeu um grande erro ao achar que o 1 a 0 bastava para os 84 minutos restantes. Sem contar com um legítimo centroavante dentro deste sistema, os donos da casa cederam terreno aos marselheses, que aos poucos começaram a ocupar melhor os espaços. Isto, claro, sem que a partida seguisse um primor tático e se desenvolvesse mais calcada nos erros cometidos de ambas as partes.

O jogo se definiu em jogadas de bola parada, tanto no gol de empate do OM marcado por Andre Ayew como na conclusão de Alex para fechar o marcador. Se já não era um primor no ataque, o Olympique de Marselha viu seu lado ofensivo se transformar em um deserto com a saída de Loïc Rémy e a entrada de Brandão. Vale lembrar que o meia Javier Pastore também foi um forte concorrente ao posto de soneca da partida e saiu de campo vaiado pela torcida da casa, algo que já se tornou rotineiro.

A temporada do OM termina no sábado, quando decide o título da Copa da Liga Francesa contra o Lyon. Mesmo que o torneio não tenha grande prestígio, a taça serviria ao menos para apagar a péssima fase vivida pela equipe, que completou uma série de onze jogos sem vitórias – sendo dez derrotas. Já Carlo Ancelotti, técnico do PSG, ganhou forças ao superar (pelo menos por enquanto) seu período mais delicado à frente da equipe.

Mesmo sem jogar havia quase duas semanas, o Montpellier continuou seu bom ritmo e derrotou o Sochaux por 2 a 1 em casa. Os Leões, que haviam vencido três dos seus quatro últimos jogos na Ligue 1, mostraram-se rivais bem complicados e não se entregaram mesmo quando o MHSC saiu na frente logo aos quatro minutos. O empate veio ainda na primeira etapa, encerrada com os donos da casa apáticos.

Na volta dos vestiários, o Montpellier corrigiu seu principal erro cometido nos 45 minutos iniciais. Desta vez, ao tomar o controle da partida, o MHSC não largou mais o osso. O segundo gol dos anfitriões veio com naturalidade. O Sochaux ainda tentou mudar o panorama da partida ao se alinhar num 4-4-2, mas de nada adiantou. Os donos da casa mantêm uma solidez e uma constância fundamentais para quem sonha com o título.

Aliás, o Lille também poderia estar no meio deste bolo, mas derrapou diante do Brest. A derrota por 3 a 1 na casa do adversário se explica pelo início de partida completamente perdido pelo LOSC, que sofreu dois gols nos dez primeiros minutos. Nem mesmo a sensível melhora no nível de jogo dos Dogues serviu para a virada. O estilo de toques curtos dos atuais campeões franceses não resistiu aos contra-ataques do Brest, que selou a vitória e praticamente fez o Lille dar adeus ao título.

Lyon em outra final

Não dá para dizer que a temporada do Lyon seja aquela mais desejada pelos torcedores e dirigentes, mas o time contorna suas limitações como pode. A equipe terá a chance de colocar duas taças na estante, o que ameniza um pouco os problemas vividos por um elenco dizimado por lesões e marcado pela inexperiência de grande parte de seus atletas. Para chegar à decisão da Copa da França, os lioneses precisaram superar o GFCO Ajaccio e as ofensas racistas da torcida rival.

O Lyon se tornou a terceira equipe a se classificar para as finais das duas copas nacionais francesas na mesma temporada, repetindo os feitos de Paris Saint-Germain e Lorient. Mais do que a goleada por 4 a 0 sobre a equipe da Córsega, o resultado foi um teste para avaliar a maturidade do grupo lionês. Os jogadores do OL se saíram muito bem em todas as esferas, não apenas pelo nível de jogo apresentado em campo.

O GFCO Ajaccio havia eliminado Troyes, Toulouse e o Montpellier em fases anteriores da competição. Para tentar chegar à final, a equipe corsa apostou nas provocações e na pressão de sua torcida para desbancar mais um gigante da Ligue 1. Na primeira etapa, o time da terceira divisão acertou a trave duas vezes, mas a agressividade exagerada de seus jogadores se tornou uma vilã. A expulsão de Colinet ainda na primeira etapa foi a chave para o Lyon deslanchar na segunda etapa, quando marcou todos os seus quatro gols.

Golear um time da terceira divisão e que joga com um a menos por mais de 45 minutos soa como uma obrigação natural e até uma covardia para uma equipe do porte do Lyon. Para os lioneses, o mais importante não foi o resultado em si, mas sim o lado psicológico do jogo. O OL não caiu no clima hostil criado pelo GFCO Ajaccio, muito menos revidou a violência utilizada pelos atletas da equipe corsa. A paciência foi outra virtude exibida pelos visitantes, sem se deixar levar pelo fantasma da zebra.

Para completar o inferno no qual o Lyon parecia visitar, a torcida do GFCO Ajaccio deu uma demonstração lamentável de comportamento ao proferir insultos de cunho racista a Bafétimbi Gomis. Assim como seus companheiros, o atacante não se abalou com as imitações de macaco quando tocava na bola e se preocupou apenas em jogar bola. A melhor resposta para quem insistia em provoca-lo veio no campo e, claro, não deve passar incólume pela Federação Francesa.

Autor do quarto gol do OL, Gomis comemorou com o gesto típico (e provocador) de quem pede para que o continuem xingando: as mãos curvadas na orelha. E mais gritos e bananas foram direcionados ao atacante, que ainda levou um cartão amarelo por seu gesto. Foi o único momento de maior descontrole emocional por parte do Lyon, mas completamente justificável pelo ambiente visto durante toda a partida.

Para quem começou a temporada sem saber direito qual seria seu rumo, o Lyon tem se saído muito bem e deixa uma ponta de esperança em seus torcedores para o futuro a curto prazo. O nível de maturidade extracampo apresentado pelos jogadores da equipe contra o GFCO Ajaccio mostra a imprescindível evolução necessário para um grupo jovem e que ainda busca seu espaço para se firmar.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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