Eliminatórias da CopaFrança

Derrota para a Espanha é choque de realidade para a França

A chance da vaga direta para a Copa do Mundo-2014 ficou para trás. Mesmo jogando no Stade de France, os franceses desperdiçaram a melhor oportunidade de manter uma gordura para a Espanha e aproveitar um dos raros tropeços da Fúria, como o da rodada anterior diante da Finlândia. A derrota por 1 a 0 representou um golpe de realidade para os comandados de Didier Deschamps, que devem mesmo se contentar com a repescagem e a sorte de pegar um adversário de pouca resistência.

A França parece estar em um eterno aprendizado de como enfrentar uma seleção de grande porte. Afinal, desde 2006 não vence uma potência em uma competição oficial e apenas coleciona vexames nas últimas competições das quais participou. Contra a Espanha, os Bleus não tiveram chances no duelo tático exposto pelos visitantes, donos da posse de bola. Os seguidos erros dos donos da casa facilitaram o trabalho dos campeões mundiais, sólidos como a França ainda tenta ser um dia.

Os Bleus passaram boa parte do tempo se defendendo. Mesmo com poucas aparições no ataque, a França até conseguia parar os avanços espanhóis. Foi quando Jallet cometeu a falha que nunca deveria diante de uma seleção tão sorrateira. Sua atuação não foi das piores, até por conta de sua participação efetiva no ataque. No entanto, a falta de rigor defensivo complicou seu desempenho, ainda mais se levarmos em conta o erro no posicionamento no lance que permitiu a Pedro garantir a vitória espanhola.

O meio-campo cumpria seu trabalho com correção. Pogba,  Matuidi e Cabaye conseguiam interromper a linha de passes espanhola, mas sentiam dificuldades na hora de apoiar o ataque. Quando eles estavam mais próximos desta ajuda ofensiva, Pogba levou dois cartões amarelos em cerca de cinco minutos e complicou qualquer chance de reação dos Bleus. Valbuena, sobrecarregado, desdobrou-se em campo com onipresença e lucidez. Ele esteve na origem de todas as jogadas de perigo da França, mas ficou isolado.

Ribéry e Benzema atuaram de forma mais defensiva do que o comum. Aliás, o atacante do Real Madrid vive um daqueles momentos de avestruz, procurando o primeiro buraco para enfiar a cabeça. Ele completou seu 12º jogo seguido sem marcar pela França e, para piorar, com mais uma atuação decepcionante. Criticado com veemência por Raymond Domenech, Benzema fez jus à alcunha de ‘inútil’ dada pelo ex-treinador dos Bleus. Tanto contra a Geórgia como diante da Espanha, ele foi apenas uma peça de decoração no ataque.

A pressão sobre o atacante vem de todos os lados. A extrema direita o condena por não cantar a Marselhesa. A torcida perdeu a paciência com ele, assim como a imprensa. Benzema parecia quebrar com a sina de más atuações nas primeiras ações do embate contra a Fúria ao demonstrar vontade nas disputas de bola e arriscar alguns chutes. Foi apenas fogo de palha, muito por conta da sobrecarga de Valbuena e a ausência de outro armador para distribuir as jogadas e facilitar esta transição para o ataque.

As vaias se multiplicaram nas arquibancadas do Stade de France. Os gritos de ‘Giroud, Giroud’ ecoavam pelo estádio quando ele deixou o campo para a entrada de Moussa Sissoko. Em baixa, Benzema mereceria um período no banco de reservas por justiça e para lhe mostrar que realmente algo está errado e precisa de correção.

Nos três últimos jogos desta fase das eliminatórias, a França tem dois compromissos fora de casa (Geórgia e Bielorrússia) e recebe a Finlândia. Como a Espanha dificilmente verá o raio da zebra finlandesa cair duas vezes no mesmo lugar, dificilmente perderá pontos de novo diante dos mesmos adversários. Os Bleus também passam longe desta certeza de obter os nove pontos, o que já os fazem pensar na repescagem. Que não venha Inglaterra ou Portugal pela frente.

Vitória enganadora

Sem grandes dificuldades, a França havia derrotado a Geórgia por 3 a 1 antes de enfrentar a Espanha. Um resultado obtido sem sustos diante de um adversário na defesa, mas que ofereceu pouca resistência. O triunfo serviria como motivação extra para o duelo contra a Fúria, ainda mais depois do surpreendente empate espanhol contra a lanterna Finlândia em Gijón. Seria a chance de explorar a pressão que voltava a cercar os campeões mundiais, vaiados por sua própria torcida. Seria.

Contra a Geórgia, a França desenvolveu uma partida de ataque contra defesa. A casa georgiana só caiu nos acréscimos do primeiro tempo. Com a porteira aberta, foi fácil aumentar a vantagem sem forçar o ritmo. Valbuena provou estar em excelente forma com a camisa azul ao endiabrar a defesa rival com sua movimentação intensa, passes inteligentes e visão apurada. Ribéry também teve papel determinante na vitória por suas ações pelo flanco.

Desde a chegada de Deschamps ao comando da seleção, Ribéry e Valbuena cresceram de produção e hoje parecem indissociáveis. Dos 12 gols marcados pela França com o treinador, eles marcaram cinco, com quatro assistências. A dupla reencontra o sucesso depois de momentos complicados. Ribéry foi bombardeado pelos polêmicos acontecimentos em Knysna durante a Copa-2010 e o escândalo com uma prostituta menor de idade. Valbuena sofria com a fama de frágil e de não aguentar uma marcação mais firme. Hoje, a dupla está com a confiança lá em cima.

Já o ataque… Giroud e Benzema não falaram a mesma língua no Stade de France. A dupla deveria comandar o sistema ofensivo e fazer render o 4-4-2 escalado por Deschamps. A partida era a chance perfeita para ambos encontrarem a redenção. O primeiro queria mostrar seu valor e ganhar mais tempo de jogo na seleção. O segundo sonhava calar os críticos e tirar a urucubaca do jejum de gols pelos Bleus. Só Giroud conseguiu seu objetivo; Benzema fracassou de forma retumbante.

Em tese, Giroud e Benzema têm estilos de jogo que se complementam. Diante da Geórgia, esta ideia ficou apenas no papel. A afinidade entre eles esteve próxima de zero. Com poucas trocas de bolas, cada um tentava resolver seus problemas sozinho. Não houve aquela colaboração essencial para superar um adversário retrancado e com forte marcação sobre cada um. Se não fosse o gol de cabeça de Giroud, o primeiro tempo teria sido um pesadelo para os dois atacantes.

Benzema continuava seu inferno astral de chances perdidas, que irritavam o público presente em Saint-Denis. A insistência de Deschamps em mantê-lo no time beira a teimosia em enxergar o óbvio. Ao querer dar um voto de confiança ao atacante do Real Madrid, o treinador compromete a evolução dos Bleus. Estava na hora de dar uma oportunidade para outro jogador exercer esta função (Gomis?) e fazer Benzema refletir um pouco sobre o que está dando errado.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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