França

Chamem os caça-fantasmas

Não dá para tirar muitas conclusões sobre o futebol exibido pela seleção francesa diante da Romênia, em Bucareste, pelas eliminatórias da Eurocopa-2012. Tudo por conta do estado deplorável do gramado, que impediu qualquer lampejo de qualidade. Pelo menos, os Bleus conquistaram quatro pontos em duas partidas fora de casa. Para os pessimistas, porém, isso de nada vale, já que a equipe tem apenas um ponto de vantagem para a Bósnia.

Para se ter uma ideia de como a França poderia conhecer melhor sorte no estádio Nacional, basta dizer que a seleção teve 75% da posse de bola diante dos romenos. No entanto, foi insuficiente para criar alguma coisa de útil em um campo bastante ruim. A postura dos donos da casa, concentrados na sua defesa e limitados a congestionar a entrada da área, também contribuiu para um jogo pouco atraente.

Sem conseguir entrar na área adversária com a bola, restou aos franceses arriscar chutes de longa distância. E os Bleus foram uma lástima neste quesito: em sete finalizações deste tipo, apenas uma delas foi em direção ao gol. Quando uma alternativa poderia ser explorar as jogadas pelas laterais, Bacary Sagna e, sobretudo, Patrice Evra encontraram dificuldades. Ambos se mostraram bastante limitados e imprecisos em suas tentativas de subir ao ataque, deixando a partida ainda mais concentrada pelo meio.

Com o campo ruim, jogadores como Samir Nasri, Florent Malouda e Marvin Martin também encontraram muitos problemas para fazer valer seu estilo de toques rápidos e dribles. O meia do Sochaux, ao contrário de suas atuações anteriores, pouco aproveitou a chance como titular, após as críticas recebidas por Nasri diante dos albaneses. Martin, porém, tem crédito.

Era para ele se tornar o grande garçom para Karim Benzema, mas as tentativas de Martin foram bem tímidas. Mesmo em suas tentativas individuais para furar a defesa romena foram infrutíferas. Basta dizer que o meia atuou muito perto de M’Vila, cuja principal missão era impedir qualquer avanço dos donos da casa. Para um jogador técnico, um gramado ruim ajuda a explicar tantos passes errados.

A mesma compreensão não foi oferecida a Nasri. Contra a Albânia, o meia também jogou mais recuado do que o esperado. Sem criatividade, ele deveria desempenhar uma função de armador que não exerce há tempos. Considerado como um líder pelo treinador Laurent Blanc, Nasri não justifica tal escolha e pouco tem correspondido em campo. Há quem já compare o técnico com o antecessor Raymond Domenech por suas escolhas duvidosas e favorecimentos questionáveis. Não é para tanto, mas Blanc ao menos dá sinais de não se acomodar e querer mudar as coisas.

A vitória por 2 a 1 sobre os albaneses em Tirana não escondeu os problemas dos Bleus. Franck Ribéry, embora tenha evoluído, ainda está aquém de seu melhor nível e se revelou muito inconstante. Florent Malouda foi praticamente nulo pela direita, e sua escalação como titular tem sido bastante questionada. Blanc optou por um esquema 4-2-3-1 (o mesmo do sonolento empate com a Bielorrússia por 1 a 1), com seu quarteto ofensivo formado por Malouda, Ribéry, Nasri e Benzema, de poucos bons momentos.

Blanc poderia solucionar este problema com Jérémy Ménez – ou, no mínimo, fazer com que Malouda se coce um pouco ao saber que não tem garantida a condição de titular. O treinador se mostrou disposto a fazer testes, mas os resultados pouco empolgantes deixam margem para críticas e evoquem o espírito de Domenech, algo que se acreditava já exorcizado.

Balanço do mercado

Para quem esperava por um fechamento morno da janela do mercado de transferências na França, as últimas negociações fechadas por alguns clubes da Ligue 1 surpreenderam. Enquanto o Paris Saint-Germain chamou a atenção pelo grande valor gasto em contratações, Lille e Lorient fizeram boas compras quando as portas estavam quase cerradas. Já o Olympique de Marselha protagonizou um dramalhão com André-Pierre Gignac, que não gostou muito da ideia de continuar no Vélodrome.

De forma geral, analisando-se todo o período no qual a janela ficou aberta, claro que não dá para escolher um personagem diferente do PSG. O clube da capital gastou nada menos do que € 89 milhões para trazer novas caras para o seu elenco. Praticamente metade desse valor foi usado para acertar com apenas um jogador: o meia argentino Javier Pastore, ex-Palermo.

Além dele, chegaram mais oito jogadores importantes (Douchez, Sirigu, Bisevac, Lugano, Matuidi, Sissoko, Ménez e Gameiro), dando peso a um elenco considerado muito curto para as pretensões dos novos donos da equipe. O Paris Saint-Germain ficou atrás apenas do Manchester City no ranking de maiores gastadores da Europa neste meio de ano. Os milionários do Qatar esperam, agora, que o time montado dê liga.

Quem costumava gastar demais nas últimas temporadas preferiu não se arriscar e caprichou no escorpião no bolso. O Lyon abriu sua carteira para tirar “somente” € 5 milhões e contratar reforços como Bakary Koné e Gueida Fofana. Para mostrar como os tempos são outros em Gerland, basta ver que o OL passou de clube comprador para fornecedor, em claro sinal da mudança de pensamento do presidente Jean-Michel Aulas.

Como a fórmula da mão aberta deu errado, com fracassos acumulados nas temporadas mais recentes, o Lyon achou por bem negociar alguns de seus titulares. Jérémy Toulalan e Miralem Pjanic, juntos, renderam algo em torno de € 21 milhões aos cofres lioneses. Aulas reforça a aposta em jovens vindos da base, como Tafer, Lacazette e Grenier, para recuperar o tempo perdido em contratações fúteis e de baixo rendimento.

O Lille agiu em duas fases bem definidas nesta janela. Na primeira, diante das saídas de Cabaye, Rami e Gervinho, a diretoria fez a reposição simples com Pedretti, Basa e Payet – que preencheram as vagas deixadas pelos antecessores. Quando o LOSC parecia bem quieto, eis que veio o golpe final. Para manter sua força ofensiva, a equipe trouxe Ireneusz Jelen e, sobretudo, Joe Cole, talvez a maior surpresa do última dia do mercado.

O Lorient também chamou a atenção ao fechar com duas promessas vindas do Arsenal: Gilles Sunu (contrato de 4 anos) e Joël Campbell (empréstimo). Nada mal para um clube acostumado a contratações de pouco impacto. O Saint-Etienne, órfão de boas opções ofensivas com as saídas de Rivière e Bergessio, tenta curar suas feridas com Gradel e Nicolita, novidades de última hora.

No Olympique de Marselha, a ordem foi clara: diminuir a folha salarial. O objetivo foi alcançado com as despedidas de Heinze, Cissé e Hilton. Lucho González também estava com as malas feitas, mas o OM não encontrou alguém que estivesse disposto a pagar o que pedia pelo meia argentino. As chegadas de Alou Diarra, Morgan Amalfitano, Jérémy Morel e Nicolas Nkoulou reforçaram esta necessidade de redução de custos com o elenco.

Se os marselheses viveram momentos de indecisão com Lucho González, outra novela foi vista com capítulos dramáticos (para não falar repletos de canastrice) com André-Pierre Gignac. Houve um vai-não-vai intenso do jogador para a Inglaterra, o que abriria as portas para a chegada de mais um atacante (Amauri era o principal nome da diretoria). No entanto, apesar da insistência, os dirigentes tiveram que engolir a permanência de Gignac, em um episódio confuso e cujas consequências devem ser sentidas logo.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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