Chamem o 193
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Quando era de se esperar mais um resultado tranquilo para o Lille, eis que a zebra resolveu passear no estádio Louis II. Na luta para escapar do rebaixamento, o Monaco surpreendeu os líderes, venceu por 1 a 0 e ganhou importante fôlego para fugir do bloco dos degolados. Para o LOSC, a derrota não trouxe grandes consequências na tabela, mas a paz reinante no elenco quase foi abalada, o que comprometeria o desempenho da equipe em um momento crucial na definição do título.
Logo depois da partida, Adil Rami soltou o verbo nos microfones do Canal +. Culpado diretamente pelo lance que definiu a partida, o jogador não economizou críticas aos companheiros. O zagueiro reconheceu sua parcela de culpa pelo resultado ruim do Lille, mas também afirmou que alguns de seus companheiros não estariam jogando com todo o comprometimento exigido nesta reta final de Ligue 1.
As declarações caíram como uma bomba dentro do elenco, ainda mais pelo fato de Rami nunca ter se levantado desta forma contra algo que julga errado dentro do grupo. Passados alguns minutos, com a cabeça mais fria, o jogador tentou consertar o estrago que havia feito, com o velho discurso de que estava com a cabeça quente. Pura balela; teria sido melhor ficar de boca fechada e, se realmente houvesse algum problema interno, que fosse resolvido longe dos microfones.
Não demorou muito para Mickaël Landreau exercer o papel de bombeiro. Do alto de sua experiência, o goleiro tratou de colocar panos quentes no assunto, sem criar ainda mais confusão em cima do que Rami disse. Ele exerceu com correção seu papel de líder, trazendo a tranquilidade necessária para contornar um momento delicado e sem transformar uma centelha em um incêndio de proporções incontrola´veis.
Para o Lille, a sorte de campeão está mesmo ao seu lado. Com a derrota para o Monaco, o Olympique de Marselha poderia diminuir a diferença para um ponto e acirrar de vez a disputa pela liderança. No entanto, o OM também penou e, mesmo jogando no Vélodrome, não foi além de um empate por 2 a 2 com o Toulouse. O resultado deixa os Dogues três pontos à frente dos marselheses e ainda com folga suficiente para tropeços – mas sem exageros.
Contra o Monaco, o Lille encontrou exatamente o tipo de adversário contra o qual não sabe atuar tão bem. O ASM não teve vergonha de se fechar em seu casulo, sem deixar o menor espaço para o LOSC penetrar em sua defesa. Os Dogues tinham a posse de bola, mas de nada adiantava se não chegavam perto o suficiente para o arremate fatal. O erro de Rami apenas tornou a situação mais tensa, com os visitantes irritados com a marcação dura exercida pelo time do Principado.
O descontrole emocional do Lille se traduziu com a expulsão de Gervinho pouco antes do intervalo ao disputar uma jogada com Adriano. O nervosismo deu as cartas na segunda etapa, traduzindo-se em uma série de erros de passe e jogadas mal costuradas pelo Lille. Por conta deste clima tenso, Rami se contagiou e por pouco não tornou a situação ainda mais grave. O LOSC precisa manter os nervos no lugar e uma dose extra de paciência para encarar as rodadas finais, marcadas por intensas disputas na tabela.
Para cima, para baixo
O duelo em Gerland serviu para manter o Lyon com seus sonhos muito bem vivos e para praticamente condenar o Lens ao inferno do rebaixamento. Com a vitória por 3 a 0 em casa, o Lyon ainda se beneficiou da derrota do Lille e do empate do Olympique de Marselha para se aproximar, assim como quem não quer nada, da disputa pelo primeiro lugar da Ligue 1. Já os Sang et Or, que tentavam a todo custo uma reação no campeonato, está fadado a disputar a Ligue 2 na próxima temporada ao lado do Arles-Avignon.
No primeiro tempo, o Lyon foi uma sombra em campo. Para começar, o técnico Claude Puel não contava com Bafétimbi Gomis para seu ataque. Na defesa, Cris começou no banco de reservas, o que forçou a escalação de um miolo de zaga improvisado, formado por Lovren e Toulalan. Contra um Lens bastante compacto e pouco disposto a abrir espaços, os lioneses praticamente nada criaram.
Sem alternativas para abrir a concha dos Sang et Or, o Lyon apelou para as jogadas de bola parada. O sucesso veio apenas no segundo temo e com grande sorte, já que Yahia e Bedimo entraram um pânico após falta cobrada por Källström. O gol mudou os rumos do jogo. O Lens atuou como se estivesse com as pernas quebradas, amedrontado ao ver a forca se aproximando de seu pescoço.
O OL multiplicou suas oportunidades e se especializou na arte de perder gols. A equipe até mesmo perdeu um pênalti, desperdiçado por Éderson. Foi preciso que Lisandro López, sempre ele, orientasse seus companheiros para colocar o pé na forma e, enfim, sacramentar a vitória que deixa os lioneses a cinco pontos do líder Lille. A esperança continua pelos lados de Gerland, desde que o time se empenhe um pouco mais em matar as partidas.
A oito rodadas do fim da Ligue 1, o Lens está a sete pontos do Caen, primeiro time fora da zona de rebaixamento. Um abismo que se torna cada vez mais impossível de se ultrapassar com o caminhar das rodadas. O estado mental dos jogadores dos Sang et Or explica bem como esta distância parece algo inatingível. Diante do Lyon, o time até começou bem e segurou os donos da casa por praticamente uma hora. Contudo, bastou os lioneses irem às redes para o céu desabar sobre a cabeça dos visitantes.
Toda aquela solidez demonstrada antes se liquefez em um átimo. A solidariedade que compensava as limitações técnicas do time desapareceu, assim como a figura de Issam Jemaa. Ele carregava a esperança de dar sobrevida aos Sang et Or, mas sucumbiu diante de seus marcadores e passou a partida como um fantasma. O gol contra de Bedimo foi o suficiente para acabar com qualquer resistência do Lens, que agora precisa de um grande milagre para se salvar.