Cenário de horror para os Bleus na Eurocopa
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Se queria vida fácil na Eurocopa-2012, a França deve se preparar para um pesadelo. Os Bleus foram confirmados no quarto pote do sorteio dos grupos da competição e, por isso, já pode esperar por uma pedreira logo de cara na Ucrânia/Polônia. Como em 2008, a grande possibilidade de cair em um “grupo da morte” já assusta, ainda mais pelo desempenho de pouco brilho da equipe em seus últimos amistosos.
Há quem se revolte com o fato de a França ganhar um status menor do que o de seleções como Rússia, Croácia e Grécia. A realidade, porém, é dura. Nos últimos torneios oficiais dos quais participou, a França só deu vexame. Na Euro-2008, a equipe foi eliminada de forma melancólica ainda na primeira fase, quando ficou na lanterna de uma chave que continha Itália, Holanda e Romênia. Isso sem contar a vergonhosa participação na Copa do Mundo-2010.
O exercício de previsão do que acontecerá em 2 de dezembro, quando será realizado o sorteio dos grupos, já deixa os franceses apavorados. Em um dos piores cenários possíveis, o que seria dos Bleus se caíssem em uma chave composta por Espanha, Alemanha e Portugal? Ou ainda Holanda, Inglaterra/Itália e os portugueses? Sem dúvida, as possibilidades de um inferno são imensas.
E não dá para a França sonhar com um panorama mais tranquilo. Um grupo com Ucrânia/Polônia, Rússia e Grécia está longe de ser uma baba. Se quiser escapar de mais um vexame, o técnico Laurent Blanc precisa acelerar seu trabalho de observação, tirar conclusões dos testes feitos até agora e trabalhar o quanto antes para lapidar o grupo escolhido. Do contrário, corre o risco de, mais uma vez, tornar-se motivo de chacota mundial.
Amistosos sem graça
Contra os Estados Unidos, os Bleus saíram vitoriosos de campo, mas não deixaram aquela sensação de dever cumprido com louvor. O triunfo por 1 a 0 foi construído na segunda etapa, após um primeiro período de inspiração reduzida e diante de um adversário limitado tecnicamente. No entanto, os norte-americanos impuseram dificuldades com seu estilo de jogo mais físico.
Os franceses demoraram para engrenar, assim como visto contra a Bósnia há cerca de um mês. Pela quinta vez, Laurent Blanc mandou a campo um time montado no 4-4-2, mas com uma defesa modificada. Nos primeiros 45 minutos, os Bleus deixaram um espaço muito grande entre o meio-campo e o ataque, provocando uma natural falta de agressividade ofensiva.
Além disso, a marcação apresentava falhas, com problemas na coordenação. Pelos flancos, também não houve a cobertura esperada, o que facilitava a vida dos norte-americanos para explorar contra-ataques nas costas dos laterais. Como se pode notar, faltou coesão aos comandados de Blanc. Houve apenas um chute na direção do gol, dado por Benzema e defendido por Howard.
Na segunda etapa, o tempo passava e nada de Kevin Gameiro aparecer. O atacante do Paris Saint-Germain tinha mais uma chance de provar que merecia uma vaga como titular e, além disso, mostrar que seu estilo de jogo pode se encaixar bem com o de Karim Benzema. Nada feito. Com uma atuação praticamente nula, ele ainda viu seu reserva, Olivier Giroud, entrar bem na partida. Para piorar as coisas para o seu lado, Loïc Rémy roubou a cena.
A cada partida com a camisa azul, Rémy tem se mostrado cada vez mais decisivo. O atacante do Olympique de Marselha ganhou pontos com Blanc ao marcar seu quarto gol pelos Bleus (o terceiro nos últimos cinco jogos). O treinador o elogiou por sua determinação e por trazer maior profundidade ao ataque da seleção. Isso sem contar suas boas incursões pelo meio, como mais uma opção para finalizar.
Há cerca de um ano, Rémy enfrentou dificuldades em sua chegada ao OM. Hoje, sente-se muito à vontade tanto no clube como nos Bleus, o que se reflete na qualidade de seu futebol. O atacante tem se mostrado muito eficiente quando atua em um 4-2-3-1, como o utilizado com maior frequência por Blanc. Com suas boas atuações, ele certamente terá garantido seu lugar como titular pelo lado direito do ataque.
Já o torcedor francês viu a partida sem o mesmo entusiasmo. A França completou seu 16º jogo invicto, mas a marca está longe de empolgar. Quem espera acompanhar um espetáculo não deve esperar grande coisa ao assistir a uma partida dos Bleus. Com a classificação garantida para a Eurocopa-2012, Blanc usou os amistosos de novembro para fazer testes, mas sua avaliação provavelmente não foi das melhores.
Durante quase uma hora, a França não teve objetividade em suas jogadas ofensivas. A situação só melhorou quando Rémy e Marvin Martin entraram em ação. Ambos mostraram que são indispensáveis para a equipe desenvolver lances de maior criatividade e que realmente incomodem o adversário. Alou Diarra, por outro lado, esta em fase descendente, como já mostra em seu clube, e dá claros sinais de que não faz por merecer estar na seleção neste momento.
Nulo
Se o jogo contra os Estados Unidos já deixara uma impressão pouco animadora, o empate sem gols contra a Bélgica conseguiu ser ainda pior. Os Bleus fecham o ano de 2011 com uma forma de jogar que preocupa os torcedores, já que as perspectivas para o futuro breve não alimentam grandes esperanças de melhorias.
Esperava-se que os franceses dessem uma resposta a quem os criticou por sua falta de agressividade diante dos EUA. Contudo, o que se viu no Stade de France foi mais uma exibição apática diante de um adversário que pouco incomodou. Os Diabos Vermelhos se contentaram em ficar em seu campo de defesa, bem fechados, à espera do ataque azul. Se o setor ofensivo dos donos da casa já não funciona como deveria quando tem espaços, enfrentar uma retranca apenas evidenciou este problema.
Nem mesmo a escalação de Marvin Martin e de Loïc Rémy como titulares deram aquele sopro de inspiração que faltava à equipe. Os dois, que haviam entrado muito bem contra os norte-americanos, foram contaminados pela total passividade demonstrada pelos Bleus. Martin, de comprovado talento, mal teve chances de aproveitar a ausência de Samir Nasri para confirmar sua candidatura a maestro do meio-campo.
Já Rémy teve poucas condições para se destacara pelo flanco direito, com participação discreta demais. Como os dois principais articuladores de jogadas ofensivas dos Bleus estavam em um dia ruim, Karim Benzema mais uma vez ficou em completa solidão no comando do ataque. Franck Ribéry ainda fez algumas tentativas tímidas para incomodar o goleiro Thibaut Courtois.
Se houve algum ponto positivo neste empate insosso, Laurent Blanc acompanhou uma boa atuação da defesa francesa. È preciso dar um desconto, já que os belgas tinham a chance de levar perigo em contra-ataques, mas nem assim se arriscaram muito nas subidas ao ataque. De qualquer forma, a dupla de zaga formada por Adil Rami e Mamadou Sakho esteve razoavelmente bem, embora ainda tenham hesitado em alguns lances.
Agitação no Parc des Princes
Era de se esperar um ambiente tranquilo no Paris Saint-Germain. Afinal, o time lidera com tranquilidade a Ligue 1, está com os cofres cheios com a chegada dos qatarianos e tem um elenco de qualidade. Entretanto, Antoine Kombouaré precisa contornar uma série de problemas que rondam o clube. E, como se isso não fosse suficiente, o treinador ainda precisa matar um leão por dia para se garantir no emprego e afastar os rumores constantes sobre sua saída do PSG.
Para começar, Kombouaré lida com uma dificuldade que o tem atrapalhado demais desde o início desta temporada. Com a sequência de lesões de seus titulares, o técnico se vê obrigado a escalar praticamente uma equipe diferente a cada rodada. Embora os resultados tenham sido bons, o quebra-cabeças tem se tornado cada vez mais difícil. O lado ruim de se ter um elenco internacional dificulta esta tarefa.
Na última pausa para jogos em data-Fifa, o PSG cedeu nada menos do que nove atletas para suas respectivas seleções: Sakho, Ménez, Gameiro, Sirigu, Pastore, Lugano, Tiéné, Landre e Kebano. Restaram apenas uns quinze jogadores para Komboauré trabalhar durante este período. E, claro, quando os demais atletas retornarem de seus compromissos, terão acumulado um cansaço ainda maior, facilitando o surgimento de lesões. O esgotamento físico também se nota em campo, com seguidas maratonas sem uma folga adequada.
Kombouaré também enfrenta outra situação delicada. Peguy Luyindula, considerado como persona non grata no Parc des Princes, foi reintegrado ao elenco profissional após decisão judicial. Até então, ele treinava com a equipe reserva e, em seu retorno, curiosamente se exercitou ao lado dos jovens puxados pelo treinador para completar o grupo.
Por fim, o técnico ainda precisa ter muita paciência para não perder a cabeça com as constantes especulações quanto ao seu futuro. Por mais de uma vez, cogitou-se a contratação de Carlo Ancelotti para ocupar seu lugar, mas nada houve de concreto até o momento. Pelo jeito, o Paris Saint-Germain não é ele mesmo sem uma crise para gerir, mesmo quando tem tudo favorável para navegar em águas calmas.