FrançaLigue 1

Cavani chega e abre portas do PSG para saída de Ibrahimovic

O Paris Saint-Germain se cansou de ver o Monaco brincar sozinho e resolveu mostrar seu poder financeiro. Após o novo rival desembolsar mis de € 140 milhões para reforçar seu elenco para a próxima temporada, eis que o clube da capital surpreende ao pagar nada menos do que € 64 milhões e levar Edinson Cavani de mala e cuia para o Parc des Princes, na contratação mais cara da história do futebol francês. E olha que o recorde pertencia ao time do principado, com seus € 60 milhões por Radamel Falcao Garcia há bem pouco tempo.

A chegada do uruguaio vai além do fato histórico – afinal, ele se tornou a quinta maior transferência de todos os tempos do futebol. Cavani resume a imagem que os catarianos desejam transmitir do clube: simpático, sorridente, tranquilo, solidário – pelo menos foi o que o atacante passou aos jornalistas e àqueles que acompanharam sua apresentação oficial. Em outras palavras, o PSG também mandou seu recado para Zlatan Ibrahimovic.

O sueco certamente compreendeu que Cavani se aproxima muito mais do PSG idealizado pelos catarianos do que ele. Ibra, de longe, foi o jogador mais importante da última temporada para o clube da capital e valorizou cada euro investido em sua contratação. Contudo, seu temperamento egocêntrico, seu destempero emocional e a postura de menino mimado estão cada vez mais fora da realidade desenhada no Parc des Princes.

A reta final da última temporada foi emblemática neste sentido. O título quase foi jogado fora por conta do descontrole emocional do time e também de Leonardo. Basta lembrar o episódio da suspensão por um ano do diretor esportivo por empurrar um árbitro, fundamental para o pedido de demissão do brasileiro há alguns dias. Ibra, lógico, também se meteu em confusão e ajudou a irritar Nasser Al-Khelaïfi, dono do PSG, consternado com tamanha falta de pulso em um momento tão decisivo.

Por mais que Cavani diga que espera formar uma bela parceria com Ibrahimovic, nem é preciso imaginar como o sueco deve se sentir enciumado com a perda dos holofotes. A bola da vez está com o uruguaio, e ficar fora do centro das atenções mexe demais mexe demais com o ego de Ibra. A diretoria do PSG apenas colocou mais gasolina na fogueira das vaidades de seu elenco.

Se o PSG já tinha as lamúrias de Ezequiel Lavezzi pelos cantos por querer mais espaço, o clube agora traz um jogador com perfil completamente diferente de Ibrahimovic para formar o ataque titular da equipe. No papel, sem dúvida um dos mais fortes da Europa, mas que balança por conta do comportamento de estrela do sueco. Estaria ele disposto a dividir as atenções com Cavani?

Vale lembrar ainda que o uruguaio formou uma parceria de extremo sucesso no Napoli ao lado de Lavezzi. A chegada dele pode ser fundamental para a recuperação do argentino, bastante discreto na última Ligue 1 e também na Liga dos Campeões. Junta-se a este caldeirão a personalidade do treinador Laurent Blanc, dado a muita conversa e dificuldades para lidar com quem possui um temperamento explosivo, como se viu no desastre da seleção francesa na última Eurocopa.

Tudo isto favorece algo inimaginável até poucos dias. A porta de saída está cada vez mais próxima de Ibrahimovic, artilheiro da última Ligue 1 com 30 gols. Na mira de Real Madrid e Manchester City, o sueco vê seu reino cada vez mais restrito no Parc des Princes. Caso Ibra permaneça, não terá muito o que fazer. Ou ele se adapta à nova realidade ou todas as partes sairão chamuscadas pelo ego inflado da vedete que não admite concorrência.

Título inédito e esperança renovada

Se a seleção principal decepcionou a torcida francesa por conta de suas vergonhosas atitudes e desempenho na Copa do Mundo-2010 e na Eurocopa-2012, os Bleuets devolveram as esperanças de um futuro brilhante. A vitória nos pênaltis sobre o Uruguai na decisão do Mundial sub-20 disputado na Turquia trouxe um alento para quem espera pela renovação dos Bleus.

Entretanto, a euforia causada pela conquista inédita não significa dizer que a molecada francesa se tornou a salvação da pátria e que todos serão um sucesso na equipe principal. Em 2001, outra geração havia despontado com um grande leque de talentos e houve um oba-oba enorme em torno do grupo, sobretudo com relação à sua dupla de ataque. Passados 12 anos, vem a triste comprovação de que aqueles jovens com talentos saltando pelas veias ficaram cruelmente estirados pelo caminho.

Anthony Le Tallec e Florent Sinama-Pongolle eram as sensações de um ataque leve, habilidoso e letal. Os mais exagerados carregaram nas tintas e nos rótulos para ambos, considerados os novos Henry e Trezeguet. A cada início de temporada, o burburinho era o mesmo: agora eles vão estourar. Os anos se passaram, pouca coisa aconteceu e a então dupla mortal confirmou a triste sina de quem foi sem nunca ter sido.

A triste realidade se comprova pelos números. Le Tallec e Sinama-Pongolle, que um dia carregaram as esperanças dos franceses, contam apenas com uma convocação para a seleção principal. O chamado solitário coube a Sinama-Pongolle, presente na lista para o amistoso contra a Tunísia em 14 de outubro de 2008. Dos outros 16 jogadores daquela geração tida como a mais brilhante dos últimos anos, apenas dois seguiram carreira: Chaouki Ben Saada e Hassan Yebda. Eles, porém, optaram por defender outras seleções (Tunísia e Argélia, respectivamente).

Há quem minimize a importância do título e exalte a sorte dos franceses no Mundial sub-20 da Turquia, já que os Bleuets enfrentaram apenas uma seleção de peso durante a competição. A Espanha, na primeira fase, ganhou o confronto, mas ficou pelo caminho nas fases seguintes. Outros candidatos à taça (Portugal, Alemanha, Holanda) também caíram, mas isso seria apenas uma forma rasteira de menosprezar um time com seu valor.

Paul Pogba exerceu um papel de liderança fundamental para o sucesso da França na competição. Às vezes, o meio-campista exagerou um pouco no nervosismo durante os jogos da primeira fase, mas ele evoluiu para os mata-matas e soube conduzir a equipe com inteligência. Esta maturidade o fez ganhar pontos com Didier Deschamps, que já o convocou para a seleção principal e deve reforçar sua ideia de lhe dar uma vaga como titular.

Geoffroy Kondogbia também aparece como um dos jogadores mais bem lapidados deste grupo. Sua força física no meio-campo e a facilidade em apoiar o ataque comprovam que sua boa temporada pelo Sevilla não foi algo isolado. Cobiçado por Chelsea e Real Madrid, ele tem grandes possibilidades de ganhar logo uma chance nas futuras listas de Deschamps. Lucas Digne surge como opção plausível para a lateral esquerda, posição carente há tempos nos Bleus e uma das principais fontes de dores de cabeça para DD.

Florian Thauvin e Yaya Sanogo deixaram boa impressão na Turquia, mas terão pela frente o desafio de se impor em seus novos clubes e, exatamente por isso, sofram com a falta de espaço e as raras oportunidades de jogo. Os demais ainda tentam ganhar experiência em clubes menores e precisam fazer valer o título mundial sub-20 em seus currículos sob risco de ganhar o nada agradável rótulo de eternas promessas.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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