França

Cavalo francês

Parece ter durado pouco a esperança do Nancy de fazer sombra o Lyon. Maior surpresa do primeiro turno da Ligue 1, a equipe vê seu fôlego diminuir a cada nova rodada. O time completou seu oitavo jogo sem vencer, deixou a vice-liderança nas mãos do Bordeaux e não consegue manter o mesmo ritmo de antes. Em um momento crucial da temporada, o ASNL lamenta as baixas provocadas pela disputa da Copa Africana de Nações e a tabela ingrata.

Sem alguns de seus principais jogadores, o Nancy teve seu primeiro compromisso complicado diante do Nice fora de casa. No Stade du Ray, o Nice não perde há quase um ano; o clube ainda vinha embalado por uma série de três vitórias consecutivas. Já o ASNL, além das perdas no elenco, estava com o moral abalado após ser ultrapassado pelos girondinos na tabela. Assim, os finalistas da Copa da Liga de 2006 se enfrentaram com climas completamente opostos.

Para piorar, Kim não esteve em campo. A ausência do brasileiro exaltou as carências ofensivas do Nancy, pois Curbelo não conseguiu manter o nível do titular. Éderson, por sua vez, segue cobiçado por outros clubes, e esse interesse certamente mexe com a concentração do atacante. Contra o Nice, não houve mesmo jeito: a pressão dos anfitriões justificou a merecida vitória por 1 a 0. no duelo seguinte, contra o Olympique de Marselha, o ASNL não foi muito além.

Alinhado em um 4-3-3, o Nancy foi bastante previsível diante de sua torcida. Contra um OM equilibrado, os donos da casa foram superiores e acharam um gol graças a uma decisão polêmica do árbitro, que marcou falta em dois lances em um recuo de cabeça para Mandanda. Os marselheses empataram a quatro minutos do fim, aproveitando-se da falta de tranqüilidade do ASNL para conduzir a partida em um ritmo conveniente e, mais uma vez, por preciosismos na hora de finalizar.

Já o Lyon procura respostas para a ‘maldição da defesa’. Como se não bastasse já ter perdido Cris e Anderson por longos períodos devido a graves contusões no joelho, agora foi a vez de Mathieu Bodmer se machucar. O meia atuou improvisado na zaga contra o Lorient e sofreu uma lesão muscular, sendo obrigado a deixar o campo e dar lugar ao novato Sandy Paillot. Embora tenha vencido os Merlus por 2 a 0, o OL lamenta a bruxa solta sobre seus defensores.

Para não colocar uma carga pesada demais sobre as costas de Paillot, o Lyon recorreu a Jean-Alain Boumsong. O francês há muito não causa suspiros na Juventus, e sua chegada traz mais dúvidas do que soluções. O jeito será mesmo aguardar a volta de Cris como uma chance para aumenta a confiança e a credibilidade do setor. Em um time instável, que consegue perder para o Lens por 3 a 0, qualquer sinal de equilíbrio se trata de um alento, ainda mais com a perigosa aproximação do Bordeaux.

Destaque ainda para o Paris Saint-Germain, com 100% de aproveitamento nos jogos feitos no Parc des Princes em 2008. Em três partidas na sua casa, o clube da capital obteve três triunfos: Metz e Lens (3 a 0, ambos pela Ligue 1) e Valenciennes (4 a 0, na Copa da Liga). Pode-se alegar que o PSG bateu dois adversários fracos no campeonato nacional, mas esses triunfos foram de vital importância no momento. Além de devolverem a confiança ao elenco, deixarem a torcida mais segura e trazê-la para o lado da equipe, as vitórias foram em cima de rivais que estão abaixo da tabela. Ou seja: ficaram ainda mais distantes na briga pela manutenção na elite.

Caso mantenha seu excelente aproveitamento como visitante e siga embalado em casa, o PSG sonha até com uma classificação para competições européias. Só era necessária a primeira vitória para deixar o péssimo retrospecto da primeira metade da temporada (nenhum triunfo como mandante em 11 jogos) para trás. Claro, o time não se transformou na oitava maravilha do mundo da noite para o dia, mas livrar-se de um fardo traz uma incrível sensação de alívio. Mais leves, sem pressão e com calma, os parisienses conseguirão algo de positivo em 2007/08.

Digo ao Lyon que fico

Após uma desgastante série de negociações, Fred finalmente definiu seu futuro. Cobiçado por Paris Saint-Germain, diversos clubes ingleses e até mesmo times brasileiros, o atacante decidiu seguir seus dias no Lyon. Embora em seu discurso de permanência tenha destacado ser ‘100% lionês’, ele sabe muito bem que seus dias no OL estão longe do mundo encantado de outrora.

Fred ainda terá alguns meses de sobrevida nos lioneses. No entanto, o brasileiro não deve esperar o mesmo tratamento. Dentro do clube, sua já arranhada imagem ficou ainda mais deformada com a forma na qual lidou com uma possível transferência. Primeiro, ele disse que desejava sair; depois, recuou ao ver o interesse real do Paris Saint-Germain em contratá-lo, sem muitos esforços por parte do presidente Jean-Michel Aulas para mantê-lo em Gerland por mais algum tempo.

Aliás, a relação entre Fred e Aulas está sobre uma tênue linha. O dirigente se decepcionou com o jogador desde o episódio da reapresentação da Seleção, no ano passado. Para lembrar, Fred fraturou um osso do pé durante a concentração do Brasil para a disputa da Copa América. Ele demorou mais tempo do que o esperado para retornar à França e não deu muitas satisfações ao clube. O presidente do OL já havia engolido a seco alguns atos de indisciplina anteriores do atacante, mas agora passava dos limites.

Com o afastamento do titular por um longo período, o Lyon apostou em Benzema como substituto. O clube não se arrependeu nem um pouco de sua escolha: o francês se tornou o artilheiro da Ligue 1, teve importante papel na classificação do OL para as oitavas-de-final da Liga dos Campeões e, de quebra, ganhou uma vaga na seleção francesa. Mesmo recuperado, Fred nem poderia sonhar em recuperar seu posto diante do novo queridinho da torcida. Quando entrou em campo, o brasileiro teve desempenho sofrível.

Relegado à reserva, Fred ensaiou um discurso de ‘ninguém me ama, ninguém me quer’. Ele só se esqueceu da paciência cada vez menor de Aulas com relação aos seus deslizes. Foi só o dirigente anunciar que só aceitaria negociar o jogador para o Paris Saint-Germain se animar. O time da capital começou então uma série de conversas e sonhava alto. A transferência estava em um bom caminho, mas o atacante não gostou da oferta, julgando-a insuficiente. Para o PSG, foi um tapa na cara. A resposta do brasileiro mereceu uma resposta irada do clube da capital, que o acusou de ‘colocar os interesses financeiros acima de tudo’. Mais uma porta se fechava.

Talvez a missão de conduzir um clube com grande pressão, cuja luta maior está em evitar o rebaixamento em vez de brigar pelo título, tenha exercido grande importância na decisão final de Fred. Contudo, o desfecho da história foi negativo, pois mais um adjetivo foi acrescentado às diversas críticas já feitas ao brasileiro: mercenário. Agora, ele continua no Lyon, vagando como uma alma errante, sem grandes perspectivas. Ele ficará no banco, entrará em algumas partidas e observará a consagração de Benzema. Isso sem falar na frieza com a qual será tratado pela direção.

Com o filme tão queimado, Fred precisa de novos ares, até mesmo para recuperar sua qualidade. Sua permanência no OL só desgastará ainda mais sua imagem e o desvalorizará em negociações futuras. Da forma como está, ele não pode se dar ao luxo de escolher o que deve fazer, até porque não está em condições favoráveis para fazer isso. Caso não haja uma negociação irrecusável até 31 de janeiro, o atacante passará seis meses nada agradáveis até a reabertura da janela de transferências. Se não colecionar mais problemas até lá, Fred sairá pela porta dos fundos, a preço de banana, para qualquer Portsmouth por aí.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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