França

Carrinho cheio e boas compras no Olympique de Marseille

Esqueçam Paris Saint-Germain e Monaco, que vivem uma realidade econômica paralela quando comparados aos demais clubes da Ligue 1. Excluídos os dois ricaços e seus gastos estratosféricos com reforços, o Olympique de Marseille foi quem se deu melhor nesta janela de transferências. Por outro lado, o Lyon marcou passo: perdeu jogadores importantes e não trouxe novidades à altura para repor as perdas.

No total, o OM gastou € 42 milhões para reforçar seu elenco – nunca o clube havia desembolsado tanto dinheiro no mercado de início de temporada. Vincent Labrune, presidente do clube, cumpriu sua promessa de cobiçar os melhores jogadores franceses (claro, descontando aqueles assediados pelas propostas exorbitantes de PSG e Monaco) e fazer o possível para tê-los ao seu lado.

A política de contratações do Olympique de Marseille foi bem clara do princípio ao fim. Com € 26,5 milhões gastos com o trio Florian Thauvin, Mario Lemina e Gianelli Imbula, o OM confirmou sua preocupação com o futuro e a aposta em jovens talentos. Os dois primeiros foram campeões mundiais sub-20 pela seleção francesa. Imbula foi eleito o melhor jogador da última Ligue 2 e tem grandes chances de explodir.

Por outro lado, doze jogadores se despediram do Vélodrome e renderam aos cofres do clube a sensacional quantia de… € 250 mil. Outro sinal de uma mudança dos tempos. Apenas para comparação, o OM teve um lucro de € 15 milhões na janela de transferências deste mesmo período da última temporada. A explicação para esta postura mais agressiva no mercado é bem simples.

Em 2012/13, o Olympique de Marseille amargou uma temporada fora da Liga dos Campeões. O vice-campeonato na última Ligue 1, e a consequente vaga direta na fase de grupos da LC em 13/14, reforçou o caixa da equipe em pelo menos € 30 milhões. Além disso, o Vélodrome teve mais sete mil lugares liberados, em meio à reta final das obras de renovação do esádio. Com tudo isso, o orçamento dos marselheses chegou a € 125 milhões. Pela primeira vez em dez anos, este valor é maior do que o apresentado pelo Lyon.

Sem o mesmo sucesso na formação de jovens como o apresentado por seus rivais Lyon e Lille, o OM preferiu contratar vários jovens que estão no meio do seu processo de evolução. Em outras palavras, se o Olympique de Marselha não consegue revelar tantos jogadores, ao menos o clube aposta na revenda destes mesmos atletas para obter algum lucro – menor do que obteria se cuidasse direito de suas categorias de base, mas ainda assim essencial para montar um time competitivo e turbinar seus cofres.

A novela em torno da chegada de Thauvin terminou com críticas à ética de todas as partes envolvidas, mas a contratação do meia foi, sem dúvida, o melhor negócio feito pelo OM. O Lille até tentou procurar algum refúgio e se resguardar, mas não conseguiu se desvencilhar do ataque do predador marselhês. De qualquer forma, a saída do jovem foi o melhor para o LOSC, já que a rebeldia de Thauvin chegou a um grau que tornaria insuportável sua continuação no clube.

Já o Lyon vive uma realidade bem diferente. Preocupado em reduzir sua folha salarial, o clube se desfez de Lisandro López (seu principal atacante) e Lovren, mas sem repor à altura. No total, o OL registrou a entrada de € 24,5 milhões em seus cofres, mas gastou apenas € 4 milhões. Em um ano fora da fase de grupos da LC e com concorrência pesada para se classificar para a próxima edição da Champions, os lioneses dependem demais da explosão de seus jovens para almejar lucros maiores e, consequentemente, tenha condições de competir com um pouco mais de força na janela. Do contrário, o clube deve se acostumar ao papel de coadjuvante.

Liga dos sonhos para o PSG

O sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões proporcionou um sorriso daqueles de orelha a orelha ao Paris Saint-Germain. Os atuais campeões da Ligue 1 caíram em uma chave formada por adversários que não lhe devem dar tanto trabalho para ficar com a primeira posição. Já o Olympique de Marselha lamenta até agora fazer parte do grupo da morte, no qual será difícil até mesmo beliscar a vaguinha para a Liga Europa.

Assim como na última temporada, o PSG terá um time português pela frente. Só que, ao contrário da última Champions, o Benfica não deve trazer tantos problemas aos parisienses como o Porto. Ao escapar de um dos poderosos rivais escalonados no pote 1, os atuais campeões franceses também escaparam de outras equipes espinhudas colocadas nos potes 3 e 4.

A sensação de déjà vu parisiense aumentou quando foram definidos seus outros dois rivais. Se em 2012/13 o PSG passeou contra Dynamo Kiev e Dinamo Zagreb, não dá para imaginar como Olympiacos e Anderlecht possam oferecer resistência muito maior. A classificação para as oitavas de final, até de forma antecipada, deve vir sem sustos. O mesmo não pode ser dito do seu maior rival.

O Olympique de Marselha está de cabelos em pé. A sorte que premiou o PSG passou longe do Vélodrome e jogo o time no grupo mais complicado desta Champions. Arsenal, Borussia Dortmund e Napoli podem não aparecer entre os mais cotados para ficar com o título, mas formam uma chave muito equilibrada ao lado dos marselheses. Mesmo com a chegada de Thauvin, o OM está um nível abaixo dos três e terá que se desdobrar se quiser sobreviver na LC.

Há duas temporadas, o Arsenal suou para superar os marselheses na fase de grupos (venceu por 1 a 0 no Vélodrome e ficou no 0 a 0 no Emirates), mas a situação hoje é bem diferente. Com Özil, os Gunners obtêm a qualidade que faltava ao seu meio-campo, em contribuição bem maior a que Thauvin, ainda em busca de afirmação e desenvolvimento, pode trazer aos marselheses.

Borussia Dortmund e Napoli se ressentem das saídas de seus principais jogadores (Götze e Cavani), mas dão sinais claros de avanço. Rafa Benítez, por exemplo, reorganizou os partenopei e Higuaín se adaptou rapidamente à equipe. Vice-campeão continental, o BVB tem a seu favor o maior amadurecimento em competições de grande porte, além dos gols, assistências e dicas de Aubameyang, que já enfrentou os marselheses.

A se julgar pelo seu primeiro jogo para valer na Ligue 1, o Olympique de Marselha apresentou suas limitações diante do Monaco, um rival de peso e que poderia tranquilamente ser colocado no mesmo patamar dos outros três componentes do grupo da LC. Quando o ASM corrigiu suas falhas, sobretudo na marcação pelo lado esquerdo e a presença no meio-campo, o OM sumiu em campo – exatamente o que deve acontecer com o time na Champions.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo