França

Carquefou, o rei da Copa

Um time em situação ruim na quinta divisão enfrenta outro da Ligue 1 que luta para conquistar uma vaga na próxima edição da Liga dos Campeões. Deveria ser um massacre, certo? A Copa da França mais uma vez se mostra uma competição na qual o óbvio passa longe de se confirmar. Em Nantes, o modesto Carquefou, 14º colocado da CFA 2, derrotou o Olympique de Marselha, quarto na elite do país, e avançou para as quartas-de-final do torneio. Na fase anterior, a zebra havia superado o Nancy, com um 2 a 2 arrancado na prorrogação.

Os marselheses, muito embora tenham entrado em campo sem alguns de seus titulares, deveriam encarar o confronto como a única chance de dar fim a um jejum de 15 anos sem títulos. As outras chances restantes na temporada foram por água abaixo. Na Copa Uefa, após derrotar o Zenit St. Petersburg no Vélodrome por 3 a 1, o OM amargou uma derrota por 2 a 0 na Rússia e anotou mais uma eliminação em seu caderninho. No fim de semana, o empate por 3 a 3 com o Lens fora de casa, apesar do caráter heróico, deveria ser lamentado. Afinal, o time vencia por 2 a 0 ao final do primeiro tempo, tomou a virada e só igualou no fim. Ou seja, passar para as quartas-de-final diante de um time bem mais fraco era fundamental para recuperar o moral do elenco.

O técnico Eric Gerets preferiu deixar Cana e Mandanda no banco de reservas e promoveu o retorno de Carrasso após um longo período afastado devido a uma grave lesão no tendão de Aquiles. O goleiro só não contava em ser vazado logo aos oito minutos, quando Le Paih fez um longo lançamento para N’Doye dominar e tocar na saída do arqueiro. Daí por diante, um festival de erros de finalização por parte do Olympique tomou conta do jogo. Isso só serviu para a zaga central do Carquefou, formada por Moreau e Mauget, fazer seu nome na partida.

O time da quinta divisão se mostrou sólido em seu esquema tático, apesar de suas limitações. O 4-5-1 do Carquefou, com apenas N’Doye isolado na frente, mostrou-se eficiente para parar a formação voltada para o ataque escolhida por Gerets. No apoio a Cissé, o treinador optou por mandar a campo um quarteto de respeito, com Akalé, Nasri, Zenden e Ziani. No entanto, ele não esperava que todos eles naufragassem de forma retumbante. Talvez a sensação de que poderiam virar o jogo a seu favor na hora em que quisessem tenha sido a maior responsável pela atuação displicente de todo este setor ofensivo do OM.

Ziani, por exemplo, estava perdido em campo. Gerets tentou dar um novo ânimo à equipe com a entrada do capitão Cana e de Grandin, mas de nada adiantou. Zenden, embora com participação constante no meio-campo, enrolou-se na tarefa de ligar o ataque. Por sua vez, Cissé também se enrolou e desperdiçou duas boas chances para marcar. Os seguidos erros do adversário e a boa atuação de sua defesa fizeram o Carquefou crescer e se transformar num Lyon disposto a defender sua liderança com unhas e dentes.

Sem qualidade no passe, restou aos marselheses apostar em desesperadas tentativas de lançamentos longos para o ataque e insossos cruzamentos na área. O goleiro Joinel agradeceu e, com algumas saídas precisas de sua meta, mostrou como é fácil parar este tipo de jogada. Com tanta precipitação, falta de vontade e uma certa preguiça, o OM se viu eliminado de novo de forma humilhante. Para quem precisa de motivação para subir na tabela da Ligue 1, esta derrota traz conseqüências negativas difíceis de serem esquecidas a curto prazo.

Caindo pelas tabelas

A Ligue 1 se encaminha para sua reta final e, enquanto algumas equipes se preparam para um sprint, outras se lamentam pela falta de pernas em momentos tão decisivos da temporada. De principal surpresa do primeiro turno, o Caen se tornou uma grande decepção. Candidato a brigar por uma vaga na Liga dos Campeões, agora o time está mais preocupado, quem diria, em evitar o rebaixamento. Aliás, o fantasma da queda está bem perto dos calcanhares do Paris Saint-Germain. O Monaco também dava a impressão de beliscar uma vaguinha em competições européias, mas deve se contentar mesmo com o limbo da tabela.

O Caen despencou da quarta colocação para um nada honroso 14º lugar, com apenas quatro pontos a mais do que o primeiro clube a ser rebaixado. De equipe vencedora, o Stade Malherbe de repente viu reverter todas as suas qualidades e amarga uma série de dez partidas sem vitória. E nem dá para se alegar que o time vendeu caro suas derrotas. Algumas delas foram humilhantes, como os 6 a 1 a favor do Olympique de Marselha, os 4 a 1 contra o Lens diante de sua torcida e, agora, os 5 a 0 impostos pelo Lille.

O técnico Franck Dumas agora coloca a culpa na arbitragem, esquecendo-se de sua parcela de culpa. A partida contra o LOSC mostra exatamente como ele deixou de lado o bom senso. Após os donos da casa abrirem uma vantagem de 2 a 0 no primeiro tempo, Dumas resolveu mexer por atacado na equipe e fez três substituições no intervalo. Compan, Deroin e Florentin entraram nos lugares de de Toudic, Proment e Eluchans. No entanto, as alterações logo se mostraram inúteis. Aos 15 minutos do segundo tempo, Mirallas foi derrubado pelo goleiro Costil dentro da área. Pênalti marcado, goleiro expulso… Sobrou para Compan vestir as luvas e tentar evitar o pior. Levou mais três gols.

Está na cara o nervosismo dos jogadores do Caen, que mal conseguem reagir quando saem atrás no placar. A equipe demonstra grande instabilidade emocional, como já foi visto há algum tempo com a determinação de não mais falar com a imprensa. Os problemas do time não estão nas linhas dos jornais, mas sim na cabeça de seus atletas e na falta de controle por parte de seu treinador.

Em um mês, o Monaco deixou a condição de candidato à classificação para um torneio continental a ameaçado de cair. No principado, o time foi uma presa fácil para o Lyon, vencedor do duelo por 3 a 0. Muratori viveu um pesadelo diante dos lioneses; por culpa de três falhas suas, os visitantes marcaram os gols da partida, todos ainda no primeiro tempo. Com mais esta derrota, o ASM se preocupa agora em evitar uma perigosa aproximação da parte de baixo da tabela.

Depois da 22ª rodada, os monegascos ocupavam a quinta colocação. Agora, eles caíram para 12º, a sete pontos da quarta posição e apenas cinco a mais do que o Sochaux, primeiro clube da zona de rebaixamento. Nos últimos sete jogos, o time comandado por Ricardo Gomes somou apenas três pontos e marcaram tão somente um gol (de Almiron no empate por 1 a 1 com o PSG). Além disso, o Monaco foi eliminado da Copa da França pelo Olympique de Marselha por 3 a 1.

O próprio brasileiro reconhece que a grande movimentação de jogadores no início da temporada cobra seu preço agora. Ricardo Gomes parece não ter tido a oportunidade de controlar por completo a entrada e a saída de atletas, com intensa movimentação. O Monaco trata esta temporada como uma transição, mas precisa se cuidar para não se arrepender de seu planejamento equivocado. Por exemplo, a equipe enfrenta problemas defensivos, algo a ser amenizado em janeiro. No entanto, os seis gols sofridos contra o Bordeaux e agora os três do Lyon provam a permanência das carências do setor.

A mesma instabilidade atinge o Paris Saint-Germain. Em um momento no qual o time precisa somar pontos de qualquer maneira, Paul Le Guen resolve inventar. Contra o Valenciennes, por exemplo, ele mandou a campo uma equipe montada num 4-4-2 desequilibrado. No meio-campo, o técnico escalou Clément Chantôme, Jérémy Clément, Grégory Bourillon e Jérôme Rothen. Ou seja: três volantes e apenas um meia-armador para enfrentar um adversário mediano em pleno Parc des Princes.

Para completar, Le Guen optou por colocar Chantôme pelo lado direito, como ‘parceiro’ de Rothen, pela esquerda. Ora, Souza deixou o São Paulo para resolver esse problema crônico do PSG por este lado do campo. O brasileiro só não contava em enfrentar problemas para se adaptar ao time e perder lugar para Bernard Mendy. O técnico faz questão de insistir em suas escolhas erradas e coleciona resultados pífios. Seria melhor deixar o time num 4-3-3, com Diané e Rothen no apoio a Pauleta, única referência ofensiva. Pelo menos haveria um pouco de sentido nesta formação devido às fraquezas do clube da capital.
 

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Equipe Trivela

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