Copa da Liga FrancesaFrançaLigue 1

Camaleão verde

Nunca o Saint-Étienne saboreou um início de temporada tão proveitoso. Com a vitória por 1 a 0 sobre o Valenciennes, os Verdes foram a 25 pontos na Ligue 1 e estão apenas um atrás do líder Paris Saint-Germain (isso antes do duelo entre Olympique de Marselha e Lyon). Mais: o time ainda teve um prazer especial ao eliminar o PSG nas quartas de final da Copa da Liga Francesa. Tudo bem que o torneio está longe de ser a menina dos olhos para muitos clubes, mas os parisienses entraram em campo com força máxima – o que dignifica ainda mais a classificação do ASSE.

Muito dessa boa fase do Saint-Étienne se deve a Pierre-Emerick Aubameyang. O gabonense recebe críticas por ser um atacante que corre muito (a ponto de Grégory Dupont, seu preparador físico quando atuava no Lille, afirmar que o jogador podia fazer 100m em até 10s8), mas apresenta falhas técnicas. No entanto, ele apresenta números muito bons nesta temporada.

Aubameyang se tornou um dos atacantes que melhor finaliza no torneio: em 49 tentativas, ele acertou a direção de suas conclusões 29 vezes. São oito bolas nas redes adversárias e quatro assistências até aqui. Nem mesmo a chegada de Brandão aos Verdes ameaçou o gabonense, de 23 anos, agora deslocado pelo lado esquerdo. Não à toa, ele concorre ao prêmio de melhor jogador africano do ano e se tornou a estrela de sua seleção.

Diante do Valenciennes, o ASSE completou uma sequência de dez jogos sem derrota. Há várias semanas, o time apresenta um futebol consistente e convincente – ao contrário do pragmatismo vivido pelo PSG, cada vez mais irregular. Neste duelo contra o VA, os Verdes exibiram uma de suas principais virtudes nesta temporada: a paciência. Diante de um adversário dono do melhor ataque da Ligue 1, os Verdes adotaram a postura mais adequada em campo.

O Saint-Étienne combateu a ofensiva do Valenciennes com seu próprio veneno: o ataque – até pelo fato de o ASSE também ter um forte setor ofensivo. O ASSE só lamentou a falta de pontaria de Brandão, que desperdiçou quatro boas chances para marcar. A entrada de Romain Hamouma, que começou no banco de reservas, foi essencial para os Verdes saírem com a vitória. Os donos da casa pressionaram até o fim, sem se deixar incomodar.

Diante de um PSG completo (mas com Nenê no banco), o Saint-Étienne não mostrou a mesma qualidade em seu nível de jogo. No mesmo caldeirão de Geoffroy-Guichard que acompanhou o triunfo sobre o Valenciennes, a torcida assistiu a um anfitrião cauteloso em excesso. Tanto que os parisienses, que tinham assumido uma postura de atuar nos contra-ataques (como dissera Carlo Ancelotti antes da partida), partiram para o controle e o domínio do duelo.

Se não foi brilhante como em jogos anteriores, o ASSE atuou com inteligência. Seu viés defensivo frustrou as tentativas do PSG de furar sua muralha. Os parisienses mais uma vez sentiram dificuldades com um meio-campo pouco criativo e um Ménez em outra sintonia, o que minou as chances do time de usá-lo como válvula de escape. Até Ibrahimovic não esteve em uma de suas melhores jornadas.

Tudo por conta da atuação imperial de Stéphane Ruffier. O goleiro, que adora jogos contra o PSG desde que estava no Monaco, brilhou tanto no tempo normal como na decisão por pênaltis. Ele pegou a cobrança de Thiago Silva, um dos destaques do jogo, e fez os donos da casa avançarem às semifinais. O Saint-Étienne se destaca por ler muito bem as características de cada um de seus adversários e se adaptar ao estilo de jogo deles. A tática tem dado certo, o que demonstra a versatilidade da equipe.

Deu a lógica

Paris Saint Germain classificado, Montpellier derrotado mais ume vez e na lanterna de sua chave. Não se esperava nada diferente na quinta rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões. Para o time da capital, a vitória por 2 a 0 sobre o Dínamo Kiev fora de casa serviu para amenizar um pouco o clima pesado sobre o clube – mas que voltou a piorar com a eliminação na Copa da Liga Francesa. Para os atuais campeões franceses, a certeza de nem disputar a Liga Europa deve ser digerida logo para não comprometer o restante da temporada.

Na Ucrânia, o PSG pouco evoluiu com relação à derrota para o Rennes na Ligue 1. Ao menos, os parisienses foram mais eficientes e contaram com a ajuda da defesa do time ucraniano. Com as atenções do Dínamo Kiev voltadas para Zlatan Ibrahimovic, sobrou espaço para Ezequiel Lavezzi enfim aparecer. O argentino fez seu melhor jogo desde a chegada ao time da capital e marcou os gols da partida.

Apesar da vitória tranquila, Ancelotti reconheceu que o time continua com falhas no meio-campo. Matuidi tem feito seu papel com retidão, mas o mesmo não se pode dizer de Verratti e Sissoko. Especialmente o primeiro, que mergulhou na discrição após um início de temporada promissor.

No Emirates Stadium, o Montpellier até conseguiu segurar o Arsenal nos primeiros 45 minutos. O time entrou em campo em um 4-2-3-1, com Yanga-Mbiwa deslocado do miolo da zaga para o meio-campo. Os Gunners foram incapazes de tomar a iniciativa do jogo diante de um rival aplicado na marcação, mas que nem se deu ao trabalho de atacar.

No segundo tempo, o Arsenal forçou um pouco mais e foi o suficiente para assegurar a vitória por 2 a 0. Sem forças, o Montpellier se rendeu sem maiores dificuldades. Consciente de que não conseguiria mudar o panorama do jogo, o técnico René Girard tirou Cabella e Estrada, dois dos jogadores de maior destaque da equipe, já de olho nos próximos jogos pela Ligue 1. Um sinal de sabedoria e consciência de que a LC não é mesmo o lugar do MHSC.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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