França

Busca por mentor de atentados leva polícia aos arredores do Stade de France; dois morrem

A polícia francesa realizou, nesta quarta-feira, uma operação que durou sete horas em Saint-Denis, subúrbio de Paris, dois quilômetros ao norte do Stade de France, em busca do belga Abdelhamid Abaaoud. Ele é considerado pelas autoridades o mentor dos atentados da última sexta-feira, que cobraram 129 vítimas na capital francesa. Duas pessoas morreram e sete foram presas.

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Uma mulher acionou o colete explosivo e se mato, enquanto um homem foi morto a tiros e com uma granada, jogada pelas centenas de policiais da brigada anti-terrorismo e da Swat que participaram da ação. Três pessoas foram presas no apartamento, outras duas que estavam escondidos nos escombros e mais duas, inclusive o dono apartamento.

A operação foi realizada após escutas telefônicas e monitoramento indicarem que Abaaoud, cujo paradeiro ainda não foi confirmado pelas autoridades, estava em Paris, ao contrário do que indicavam as primeiras informações, de que os ataques haviam sido comandados a partir da Síria.

Um estudo chamado “Subúrbios da República”, encomendado pelo think thank L’Institut Montaigne, uma organização parisiense sobre políticas públicas e ambientes sociais, estimou, em 2011, que havia 600 mil muçulmanos na população de 1,4 milhão de pessoas, no departamento de Saint-Denis, a maioria do norte e do oeste da África.

O alto volume de imigrantes é um traço característico do subúrbio de Paris, onde algumas regiões têm até um terço da sua população sem nacionalidade francesa. Isso, um sistema de educação ruim e hábitos diferentes criam sociedades paralelas ao Estado, ainda de acordo com o relatório, e transformam esses locais em terrenos férteis para o recrutamento de líderes radicais.

Nesse ambiente de difícil ascensão social e integração à sociedade tradicional francesa, que se repete em outras cidades, um instrumento muito utilizado é o futebol. Tanto para auto-estima quanto para buscar os sonhos da realização profissional. Ribéry cresceu em Chamin Vert, subúrbio de Boulogne-sur-Mer, no norte do país; Zidane, no pesado bairro de La Castellane, um refúgio de argelinos na metade do século passado, nos arredores de Marselha.

Foi em um desses subúrbios, o de Saint-Denis, que foi construído o Stade de France, alvo dos extremistas que atacaram Paris na última sexta-feira. Mas as bombas não conseguiram passar pelos portões e foram explodidas na rua, minimizando muito a tragédia que poderia ter acontecido. Na mesma região, um pouco ao norte, a polícia fechou as ruas para buscar o responsável pela noite de terror em 13 de novembro.

Leia todas as outras matérias da Trivela sobre os atentados de Paris.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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