Bordeaux 100%

Passadas três rodadas, a Ligue 1 apresenta uma única equipe com 100% de aproveitamento. A honra cabe ao Bordeaux, cuja glória se completou com uma tranquila goleada por 4 a 0 sobre o Nice. Os números favoráveis deixam os Marine et Blanc em excelentes condições para seu primeiro jogo decisivo da temporada, diante do Olympique de Marselha. Por falar no OM, o clube perdeu seus primeiros pontos no campeonato com o empate por 1 a 1 com o Rennes. Um tempero extra para uma partida com promessa de espetáculo.
Para obter sua 14ª vitória seguida na Ligue 1, o Bordeaux teve uma exibição menos vistosa do que em seus jogos anteriores. Tudo por conta da estratégia montada pelo Nice, baseada em fortalecer sua defesa para dificultar o bom toque de bola dos rivais. A tática deu certo por quase toda a primeira etapa, pois os girondinos mantinham larga vantagem na posse de bola, mas não conseguiam se aproximar do gol dos rubro-negros.
O gol de Jussiê, aos 44 minutos, foi o suficiente para abrir o Nice. Daí ficou fácil envolver o rival e ampliar a vantagem sem maiores problemas. Se quiser aperfeiçoar o trabalho inicial feito pelo OGC, o Olympique de Marselha precisa dar uma olhada no trabalho feito no meio-campo dos rubro-negros. Com dois volantes firmes na marcação e uma ligação rápida para o contra-ataque, sempre calcado na velocidade de Rémy, os Aiglons foram o time que mais deu trabalho até agora aos atuais campeões.
O erro do Nice foi querer mexer nesta estrutura para o segundo tempo. O treinador Ollé-Nicolle colocou Diakité em campo e estragou completamente seus planos defensivos, pois três dos quatro postos do setor foram mexidos. A falta de coordenação com o novo formato e a vontade de todos quererem resolver tudo ao mesmo tempo foram cruciais para determinar a queda do OGC, ainda mais diante de um adversário com alto potencial ofensivo como o Bordeaux.
Com um esquema 4-1-3-2, Laurent Blanc mantém o equilíbrio do Bordeaux, ainda mais com as grandes atuações de Yoann Gourcuff. O meio-campista já marcou quatro gols em três partidas, além de ter dado duas assistências. Um desempenho excelente para este início de temporada.
Se o Bordeaux saboreia os louros da vitória, o Saint-Etienne se afunda num oceano de críticas. Os Verdes amargaram sua terceira derrota seguida na competição e seguram a lanterna com um ridículo aproveitamento de 0%. O time não consegue aproveitar até a força de atuar em seu caldeirão. O ASSE perdeu duas vezes em pleno Geoffroy-Guichard, para desespero de sua torcida.
No último jogo, o ‘caçula’ Boulogne-sur-Mer aprontou para cima do Saint-Etienne e ganhou por 1 a 0 na casa do inimigo. Foi o suficiente para os Verdes sentirem a pressão de seus próprios torcedores, que invadiram o gramado ao final da partida e por pouco não transformaram a situação em algo bem pior. Em campo, o time não marcou um gol sequer em casa! Os dirigentes pedem calma, pois os reforços estão chegando à equipe e a enfermaria está se esvaziando. Só que o tempo insiste em querer passar depressa.
Reencontro
A volta de Antoine Kombouaré a Nungesser demorou bem menos do que o esperado. O treinador que fez o Valenciennes alcançar a tão sonhada elite estava de volta ao estádio, mas desta vez como adversário. O técnico, agora no Paris Saint-Germain, deixou a torcida do VA com saudades, ainda mais depois de sua equipe vencer por 3 a 2. Fazia 32 anos que o PSG não vencia por ali.
A pressão do Valenciennes se fez sentir nos primeiros minutos, quando os donos da casa tiveram a bola em seus pés por 64% do tempo. Um domínio ralo, pois o VA chutou apenas uma bola na direção de Coupet. O PSG foi mortal em sua melhor característica neste início de temporada: sua qualidade ofensiva. Mesmo sem Guillaume Hoarau, o time da capital segue incisivo graças às atuações de Mevlut Erding.
Em comparação com a temporada passada, o Paris Saint-Germain parece mais preocupado em atacar. Em 2008/09, sob o comando de Paul Le Guen, a equipe ganhou sete vezes por um mísero 1 a 0, três deles obtidos nas cinco primeiras rodadas. Agora, o time balançou as redes adversárias sete vezes, tendo o segundo melhor ataque da competição, atrás apenas do Nancy. Na Ligue 1 anterior, o clube precisou esperar até a nona rodada para atingir esta mesma marca.
Nem mesmo os temores de possíveis problemas de adaptação no meio-campo se revelaram verdadeiros. Com Sessegnon à esquerda e Giuly pela direita, o PSG mostrou-se perigoso em seu toque de bola rápido, contando com o oportunismo de Erding. Hoarau, que entrou no fim do jogo, ainda precisa recuperar sua melhor forma depois de uma grave lesão, mas já sabe das benesses de encontrar uma formação ofensiva sólida e que lhe favorece.
A chegada de Kombouaré e a mudança tática para o 4-4-2 permitiu um melhor posicionamento ofensivo, mas por outro lado revelou uma preocupação em acertar a defesa. Com os 2 a 0 de vantagem em cima do Valenciennes, o time recuou demais, sem uma explicação lógica. Ao convidar o dono da casa para a festa em seu campo de defesa, o PSG correu riscos desnecessários e só respirou aliviado com o gol de Jallet.
O mesmo alerta apareceu quando o clube da capital enfrentou o Montpellier e, nas mesmas circunstâncias, tomou o gol de empate e por pouco não lamentou um resultado pior. Com a qualidade ofensiva comprovada de seu elenco, o PSG poderia muito bem matar estes jogos fazendo a bola circular em seu ataque. Ao renunciar à posse de bola, o time simplesmente deixa de lado sua principal virtude e se torna presa fácil.
Kombouaré precisa encontrar nos próximos dias este equilíbrio para que o PSG deixe de sofrer tanto no final das partidas. Pouco adianta contar com um time eficiente no ataque, mas descuidado com sua defesa. O clube da capital ainda precisa evoluir, mas desde já mostra ter uma postura diferente daquela exibida na temporada passada.


