França

Bleu etRouge

Uma França de vermelho contra uma Espanha de amarelo. Em um duelo de seleções com uniformes bem diferentes dos quais nos acostumamos a ver, a Fúria levou a melhor sobre os ‘Rouges’. Apesar da derrota por 1 a 0 no amistoso disputado em Málaga, os franceses não devem encarar a derrota como o fim do mundo. Há certas questões para se resolver, mas nada que tire o sono de Raymond Domenech.

Na revanche das oitavas-de-final da Copa do Mundo, a Espanha apresentou um estilo de jogo baseado em boas e rápidas trocas de passe. Já a França mostrou-se bem agrupada em campo, deixando poucos espaços à disposição do adversário. Seria justo a partida terminar com um empate, mas os Bleus sentiram demais a ausência de um articulador. Franck Ribéry e Sidney Govou seriam os responsáveis por facilitar a ligação entre o meio-campo e o ataque. Contudo, ambos se machucaram e deixaram Domenech sem grandes opções.

Ao contrário do 4-3-3 costumeiro, o treinador se viu obrigado a optar por um 4-4-2 sem um verdadeiro armador. Toulalan atuou mais pela direita, com Diarra no centro do meio-campo. Restava a Vieira e Malouda tentar carregar o time, mas era visível a vocação mais defensiva desta equipe. Sagnol, que poderia oferecer alguma saída ao explorar o lado direito, preferiu se conter mais e ajudar a defesa. A Espanha, montada num 4-5-1, teve dificuldades para se desvencilhar deste bloqueio.

Se por um lado a França soube montar um bom esquema defensivo, deixou a desejar quando precisou atacar o adversário. A equipe ficou ‘torta’ pelo lado esquerdo com um Malouda ainda longe de suas melhores atuações. Muito isolados na frente, Henry e Anelka quase nada fizeram, pois praticamente não receberam qualquer bola melhor burilada. O atacante do Chelsea até mesmo se viu forçado a atuar mais recuado do que de costume para tentar aproveitar algum lance. Já Henry, nem isso. Ele teve atuação bem discreta e, quando teve a chance de decidir o duelo, desperdiçou duas chances incríveis no final do segundo tempo.

A situação só melhorou um pouco a partir da etapa complementar, com as entradas de Benzema e Ben Arfa nos lugares de Anelka e Vieira, respectivamente. Aliás, o meia da Internazionale também seria uma esperança de dar alguma articulação ao setor, mas não se encontra em sua melhor forma. Para Domenech, o problema da falta de armadores se agrava quando analisada a partida da seleção B contra a República Democrática do Congo, um dia antes. O empate sem gols contra a seleção africana também revelou uma inquietante falta de finalizações, provocada pela ausência de um jogador capaz de organizar, criar e distribuir as jogadas com um mínimo de qualidade.

Pelo menos, na defesa houve a segurança transmitida pela atuação de Thuram. Com dois desarmes precisos e um excelente senso de colocação em campo, ele tomou conta da zaga e impediu que os espanhóis criassem maiores problemas para Coupet. Ao ser substituído no intervalo devido a uma pequena contusão, o defensor do Barcelona deixou uma lacuna. Escudé não conseguiu manter o mesmo nível; os espanhóis, espertos, souberam explorar essa diferença de nível.

Embora demonstre solidez e equilíbrio, a França mostrou o quanto pode se tornar uma equipe sem imaginação caso fique sem Ribéry. A ausência do meia-atacante do Bayern de Munique foi determinante para a falta de criatividade ofensiva e, principalmente, pelos raros chutes a gol dos Bleus. A poucos meses da disputa da Eurocopa, Domenech viu o quanto pode ser difícil sua missão no torneio, ainda mais dentro do chamado ‘grupo da morte’. O técnico deve apelar para suas superstições para não ficar sem Ribéry em confrontos tão decisivos.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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