França

Blanc precisará mostrar que sabe lidar com estrelas no PSG

O Paris Saint-Germain especulou vários técnicos para substituir Carlo Ancelotti, que já tinha deixado claro que sairia para o Real Madrid. José Mourinho chegou a ser falado, mas nunca foi uma possibilidade séria. André Villas-Boas foi mesmo procurado, mas não houve acordo. Fabio Capello era um nome de maior currículo, mas embora as negociações tenham avançado, também não fechou. Leonardo era uma opção para assumir o time, mas a suspensão atrapalhou. Laurent Blanc era um nome que parecia correr por fora, mas acabou sendo o escolhido. E terá pela frente um trabalho muito difícil.

Sim, difícil, apesar do elenco estelar do PSG. Ou talvez por isso. Controlar os egos e insatisfações de um elenco de primadonnas como Ibrahimovic não é muito fácil e Ancelotti pode ter defeitos, mas sabe lidar bem com jogadores. Tanto que muitos abraçaram o projeto do clube parisiense por causa do técnico, como o brasileiro Thiago Silva, que o conhecia desde a época do Milan. Não por acaso, também, o clube buscou tantos reforços na Itália: a confiança dos jogadores em Ancelotti, sempre muito elogiado, ajuda a atrair. Blanc não tem esse estofo. E precisará criar rapidamente.

O ez-zagueiro começou a carreira no Bordeaux, em 2007, e conseguiu um grande resultado. Foi campeão em 2008/09, depois de dez anos desde o último título, em 1998/99. Os destaques do time eram Yoann Gourcuff, meia criativo – e que dorme durante os jogos, às vezes – e Fernando Cavenaghi, atacante que surgiu muito bem no River Plate e passou sem tanto brilho pelo Internacional (e uma infinidade de outros clubes). Tinha também Wendell, esse que agora está no Vasco.

Blanc conseguiu fazer um bom trabalho na seleção francesa ao assumir logo depois da Copa do Mundo de 2010. Remontou a equipe francesa destruída após a gestão desastrosa de Raymond Domenech, mas faltava alguma coisa. O time tinha qualidades, mas faltou personalidade em momentos decisivos. A derrota nas quartas de final da Eurocopa de 2012, para a Espanha, mostrou um time sem sangue, sem sequer o brio de lutar até o fim pela vitória. De qualquer forma, foi uma experiência com estrelas do futebol francês. Pode ser útil agora.

O técnico tem bons conceitos táticos e sabe trabalhar. Precisará aprender a lidar com um grupo difícil, escolhido por Ancelotti e que certamente não sente a mesma confiança que tinha em relação ao italiano. Alguns jogadores devem ter dificuldade, como Marco Verratti, que ainda não conseguiu se firmar definitivamente. Há jogadores como Pastore e Lavezzi, que vieram do futebol italiano e que podem não ter a mesma facilidade de trabalhar com o novo chefe. Competência técnica Blanc já mostrou que tem. O PSG será um teste no quesito gestão de pessoas.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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