Balanço do primeiro turno – I

Bordeaux
Colocação: 2º (35PG, 10V, 5E, 4D, 31GP, 19GC)
Destaque: Gourcuff
Decepção: Gouffran
Nada como uma arrancada no final do primeiro turno para dar esperanças à torcida dos Marine et Blanc. Com uma sequência de três vitórias antes do fim da metade da Ligue 1, o Bordeaux se tornou o perseguidor mais próximo do Lyon, apenas três pontos atrás dos líderes. Vice-campeões em 2007/08, os girondinos só lamentam o despertar tardio na Liga dos Campeões, quando foram eliminados na fase de grupos. Ao menos restou o consolo de a equipe se classificar para a Copa Uefa, mas, em virtude dos acontecimentos do grupo (tropeços de Chelsea e Roma), dava para sonhar com uma passagem para as oitavas-de-final.
Muito do bom desempenho do time treinado por Laurent Blanc se deve ao talento de Yoann Gourcuff. O meia, encostado no Milan e sem chances nos rossoneri, foi emprestado ao Bordeaux e se encaixou com perfeição na equipe. Não demorou muito para ele assumir de prontidão a responsabilidade de carregar o clube nas costas, com sua facilidade em determinar o ritmo de jogo. Além disso, Gourcuff organizou o meio-campo, uma das principais dores de cabeça de Blanc nos últimos tempos. Tamanha importância lhe rendeu a lembrança de Raymond Domenech para os Bleus – e o jogador chegou com totais condições de ganhar uma vaga entre os titulares da seleção. Ao Bordeaux, cabe agora ter maior cuidado nos confrontos contra adversários diretos (no primeiro turno, não ganhou dos cinco primeiros colocados na tabela). Com o melhor saldo de gols do torneio, os girondinos contam com este trunfo em um possível desempate.
Le Mans
Colocação: 12º (24PG, 7V, 3E, 9D, 25GP, 28GC)
Destaque: Gervinho
Decepção: Frej
Logo nas primeiras rodadas da Ligue 1, o Le Mans deu toda a pinta de que surpreenderia. Apesar da surpreendente derrota por 1 a 0 em casa para o Lorient logo na estreia, a equipe conseguiu uma série de três vitórias, nas quais marcou oito gols. A terceira colocação na tabela fez crer que o MUC 72 havia lidado muito bem com a saída de seus principais jogadores. Contudo, a euforia logo acabou. O Le Mans teve problemas em alguns de seus confrontos como mandante, perdeu três vezes seguidas e caiu para o miolo da classificação, onde permaneceu sem grande destaque. Aos poucos, a equipe encontrou o melhor equilíbrio em seu setor defensivo, além de fazer valer o mando de campo no estádio Léon-Bolée.
As principais dúvidas no Le Mans pairavam sobre seu novo ataque, devido ao desmanche sofrido durante a janela de transferências do meio do ano. Apesar das preocupações, Maïga e Gervinho deram conta do recado. O primeiro, um malinês de 21 anos, marcou cinco gols, mostrou-se perigoso no jogo aéreo e forte fisicamente. Já o marfinense, com poucas chances no clube na temporada anterior, agarrou com firmeza a chance de figurar entre os onze. Rápido, Gervinho marcou cinco gols e encontrou em Maïga a associação ideal entre seus estilos. Quando atua fora de casa, o Le Mans carrega a garantia de muitos gols. Como visitante, o MUC 72 ostenta o melhor ataque da Ligue 1, com 19 gols marcados fora de seus domínios. Tudo seria muito bom não fosse a contrapartida: fora de casa, o time sofreu 19 gols, sendo a pior neste quesito. Sem nada de muito especial, o Le Mans deve mesmo ficar no meio da tabela, o que já está de bom tamanho.
Grenoble
Colocação: 11º (24PG, 6V, 6E, 6D, 13GP, 17GC)
Destaque: Moreira
Decepção: Jemmali
Ausente da primeira divisão há mais de 40 anos, o Grenoble deixou muita gente boquiaberta logo na segunda rodada, quando figurou na ponta da tabela. Com um aproveitamento de 100% (triunfos sobre Sochaux e Rennes), o GF 38 sabia que seu verdadeiro lugar estava reservado mais embaixo. Nem tanto na lanterna do campeonato, mas a equipe conseguiu se segurar muito bem no meio da tabela. Se não fossem seus resultados pouco animadores entre outubro e meados de dezembro, o clube estaria até em uma situação mais tranquila.
Boa parte destas decepções se deve ao seu desempenho ruim como mandante. A equipe somou apenas 13 pontos dentro de casa e aparece com o terceiro pior aproveitamento neste item (atrás de Sochaux e Le Havre, com nove e seis pontos obtidos, respectivamente). Moreira reencontrou o prazer de jogar. O atacante, cujo desempenho no Rennes ficou aquém das expectativas, marcou quatro gols, formou uma boa parceria de frente com Akrour (também autor de quatro gols). Isso não quer dizer que o ataque viveu maravilhas. No total, o time fez só 13 gols, a pior marca entre os 20 participantes. O Grenoble espera manter Sofiane Feghouli pelo menos até o fim da temporada. O jovem, com passagem pelas seleções de base da França, despertou a atenção de Liverpool, Juventus, Ajax, Internazionale, Atlético de Madrid, Chelsea, Olympique de Marselha e Bordeaux e pode render uma boa quantia aos cofres do GF 38. Os dirigentes da equipe calculam um valor de transferência em torno dos € 10 milhões.
Caen
Colocação: 13º (23PG, 5V, 8E, 6D, 23GP, 21GC)
Destaque: Savidan
Decepção: Svensson
Daria para o Caen se sentir mais à vontade na Ligue 1. O time tem uma certa qualidade, mas as circunstâncias o fizeram cair de rendimento conforme o final do ano se aproximava. Do quinto lugar obtido no início da campanha, o Stade Malherbe chegou a ocupar a 15ª colocação em uma queda livre em aproximadamente cinco meses. Nos últimos sete jogos do primeiro turno, a equipe conquistou apenas uma vitória. Tamanha improdutividade na reta final do ano se explica com uma passada na enfermaria. Com diversos jogadores machucados, o Caen se viu obrigado a mudar diversas vezes sua formação e, com isso, perdeu suas características principais.
No lugar do estilo de jogo coletivo, surgiu um time preocupado apenas em fazer resultado, com menos fluidez, mais truncado e sem imaginação. O SMC oscilou demais em sua campanha, com um desempenho ridículo como visitante (venceu apenas uma vez longe dos seus domínios e tem apenas o 14ª melhor aproveitamento fora de casa). Também passou em branco diante de sua torcida em cinco partidas. Ao menos a torcida pôde comemorar as boas atuações de Savidan. O ex-atacante do Valenciennes parecia encontrar dificuldades para se adaptar ao novo “lar”. Nas cinco primeiras rodadas da Ligue 1, ele ficou longe das redes. Passado o período de provação, ‘Savigol’ marcou sete vezes, deu cinco assistências e, de quebra, ganhou sua primeira convocação para a seleção francesa. Nada mal para um jogador com 30 anos, maior esperança ofensiva de sua equipe. Para o restante do campeonato, o Caen precisa com urgência encontrar seu equilíbrio para não correr maiores riscos.
Rennes
Colocação: 3º (34PG, 8V, 10E, 1D, 31GP, 19GC)
Destaque: Pagis
Decepção: Wiltord
Um time perdeu apenas um de seus 19 jogos feitos neste primeiro turno. Errou quem disse Lyon; o dono desta marca de respeito se chama Rennes. Os bretões enfim fizeram uma primeira metade de campeonato digna: ao contrário dos anos anteriores, quando demorava para engrenar na competição, desta vez o clube mostrou-se bem mais regular nesta primeira parte. O Rennes ostenta uma invencibilidade de incríveis 17 partidas – sofreu sua primeira e única derrota até aqui na Ligue 1 para o Grenoble (1 a 0) em 16 de agosto (!), quando o GF 38 liderou o torneio. Até agora, o time faz sua melhor campanha em 47 anos; só falta repetir o ‘sprint’ dado no final das temporadas anteriores, quando deixou a zona de baixo da classificação para quase beliscar uma vaga na Liga dos Campeões, para a equipe sonhar bem alto.
Os segredos para tão bom desempenho está na defesa bretã e no Stade de la Route de Lorient. O Rennes sofreu apenas 13 gols, sendo o segundo time menos vazado da Ligue 1 (só o Lyon está na frente, com um gol a menos). Em casa, o time também se mostrou muito eficiente. Em dez partidas diante de sua torcida, o Rennes acumulou 22 pontos (seis vitórias e quatro empates) – a equipe tem o melhor desempenho como mandante. Há de se lamentar o elevado número de empates (dez, um a menos do que o Sochaux, líder nos resultados iguais), mas compensa pela força demonstrada no segundo tempo de seus duelos. O clube conquistou 34 pontos na etapa complementar (quatro a menos do que o Bordeaux, primeiro colocado neste item). Prova da força bretã foi exibida nos 3 a 0 retumbantes em cima do Lyon, até então invicto, pela oitava rodada. O Rennes vem com tudo.
Monaco
Colocação: 14º (23PG, 6V, 5E, 8D, 22GP, 23GC)
Destaque: Park Chu Young
Decepção: Adu
O horizonte prometia um futuro animador para o time monegasco após temporadas seguidas de um completo marasmo. O técnico Ricardo Gomes até enxergou alguma esperança na equipe com a vitória por 1 a 0 sobre o Paris Saint-Germain, mas logo caiu em si. A equipe do principado logo retornaria à rotina de oscilações, com um elenco de qualidade questionável. O treinador brasileiro, que já não contava com a certeza de permanecer no cargo em algumas oportunidades em 2007/08, voltou a se sentir ameaçado. Uma sequência de três derrotas derrubou o ASM para a 15ª colocação, poucos pontos acima da zona de rebaixamento. Aos trancos e barrancos, o Monaco se distanciou das últimas colocações sem empolgar, no entanto.
O retrato desta situação de pouco alento está estampada em Adu. Emprestado pelo Benfica, o meia-atacante chegou à Ligue 1 com status de possível estrela do campeonato. O norte-americano, porém, mais uma vez ratificou sua condição de promessa fracassada. O jogador de 19 anos, tão celebrado como o novo prodígio do futebol mundial, não conseguiu mais do que 81 minutos de jogo na Ligue 1. Foram oito jogos no torneio, pouca coisa digna de nota e a certeza de que a direção do ASM errou outra vez em sua política de contratações. O time do principado também se mostrou frágil dentro de sua própria casa. No Louis II, os monegascos sentiram como nunca as dificuldades para se impor diante dos rivais. O duelo contra o Bordeaux simboliza este problema. Depois de abrir uma vantagem de 3 a 0, o Monaco permitiu aos girondinos tomar conta do duelo e virar para 4 a 3. Teria sido melhor – e menos doloroso – tomar outros 6 a 0 como em 2007/08. Ricardo Gomes deve se contentar com outra campanha bem sofrível.
Auxerre
Colocação: 15º (20GP, 5V, 5E, 9D, 14GP, 19GC)
Destaque: Narry
Decepção: Niculae
A cada temporada, o Auxerre se dirige lentamente rumo à zona de rebaixamento. De nada adiantou o sopro de esperança dado nos primeiros jogos da temporada. Os 2 a 1 da estreia sobre o Nantes foram apenas uma ilusão. Logo o AJA retomou sua série de partidas apagadas, com grandes dificuldades ofensivas – muitas delas provocadas pelas ausências de Pedretti e Jelen, machucados. Houve um ou outro momento de respiro, como nas vitórias sobre Lorient e Le Havre, mas a regra foi a total incapacidade de incomodar as defesas adversárias.
Em 19 partidas, o Auxerre marcou apenas 14 gols – o time possui o segundo pior ataque ao lado do lanterna Le Havre. A falta de agressividade ofensiva viveu seu pior período nas cinco rodadas finais do primeiro turno, com somente um gol feito. Para completar, a equipe fechou 2008 com quatro derrotas nestes mesmos cinco jogos. Com tamanha necessidade de melhorar seu setor ofensivo, o AJA se mostra quase parado quanto a prováveis contratações em janeiro. Considerado como um dos principais jogadores do elenco na temporada anterior, Daniel Niculae passa por momentos delicados. A morte do pai causou um profundo impacto no meia, que marcou seu último gol pelo clube em 30 de março (!). O técnico Jean Fernandez crê em uma mudança no segundo turno, mas o Auxerre parece mesmo fadado a lutar para não cair.


