França

Balanço do 1º turno (I)

Confira a primeira parte da análise do primeiro turno do Campeonato Francês. Na próxima semana, as demais equipes terão suas campanhas dissecadas.

Olympique de Marselha
(5º, 29PG, 7V, 8E, 4D, 27GP, 17GC)

Atual campeão da Ligue 1, o OM até agora não demonstrou a regularidade necessária para se firmar na briga pelo bi. O time foi capaz de fazer belas apresentações, como nos 4 a 0 sobre o Montpellier. No entanto, a goleada pareceu anunciar tempos difíceis; após assumir a liderança, o Olympique de Marselha amargou quatro empates e uma derrota para encerrar 2010 de forma decepcionante. A torcida, porém, apega-se à temporada anterior, quando a equipe foi para a pausa de inverno oito pontos atrás do então primeiro colocado Bordeaux e ficou com a taça.

A distância para o Lille, atual líder e com um jogo a menos, é de três pontos. Na Liga dos Campeões, o OM obteve a classificação para as oitavas de final com uma vitória incontestável sobre o Spartak Moscou fora de casa. Entretanto, falta constância ao time. Se André-Pierre Gignac decepciona por sua pontaria descalibrada (e por seu egoísmo crescente em campo), André Ayew confirma as esperanças depositadas nele. O filho de Abedi Pelé evoluiu desde a Copa do Mundo, quando já havia se destacado pela seleção de Gana, e mostrou sua capacidade de exercer tanto uma função mais defensiva como segurar as pontas na criação de jogadas. O técnico Didier Deschamps precisa encontrar o equilíbrio que resta ao time para fazê-lo embalar de uma vez por todas.

Bordeaux
(8º, 27PG, 6V, 9E, 4D, 24GP, 21GC)

O Bordeaux esteve longe de brilhar até agora no Francês. O time sentiu a ausência de Marouane Chamakh e Yoann Gourcuff, negociados antes do início da temporada, e demorou para se recuperar do baque. Para completar, os girondinos ainda sofreram com as seguidas mudanças em sua escalação, devido ao elevado número de lesões e de jogadores suspensos. Com tanta inconstância, ficou difícil para o técnico Jean Tigana encontrar o meio-termo e fazer a equipe funcionar como deveria. Para um clube que sonha em voltar a disputar a Liga dos Campeões, trata-se de muito pouco.

Ironicamente, o Bordeaux ostenta uma série de nove partidas sem derrota. A estatística, porém, engana: os Marine et Blanc empataram sete vezes e ganharam apenas duas. O time está cinco pontos atrás do Lille, mas essa proximidade também não significa que a situação anda tranqüila. No último jogo do turno, Tigana ameaçou se demitir caso os girondinos perdessem em casa para o Lens, que luta desesperadamente para escapar do rebaixamento. O técnico quase foi degolado; o Bordeaux perdia por 2 a 1 e estava com dez jogadores em campo, mas encontrou forças para arrancar o empate. Para o restante da temporada, Jean-Louis Triaud deu sinais de que colocará a mão no bolso para reforçar o elenco e, com isso, recuperar-se na luta pelas primeiras colocações.

Brest
(7º, 28PG, 7V, 7E, 5D, 20GP, 15GC)

Sem dúvida, a grande surpresa da Ligue 1 até o momento se chama Brest. Recém-promovido, o time superou as expectativas e embasbacou os críticos ao ir além da disputa para evitar o retorno prematuro à Ligue 2. A equipe fez bem mais do que isso: com praticamente o mesmo grupo que assegurou o retorno à elite após 19 anos, o Brest chegou até a liderar a competição. Embora tenha caído de produção nas últimas rodadas do turno, o time chamou a atenção pela força de sua defesa. O Brest ficou oito jogos seguidos sem sofrer um golzinho sequer (!). A equipe só não pode se acomodar com a ideia de que tudo pode para não correr riscos de ver sua extraordinária campanha ir para o ralo.

Caen
(18°, 18PG, 4V, 6E, 8D, 17GP, 26GC)

Ah, se o Caen mantivesse o embalo do início da temporada… De volta à primeira divisão, o SMC de cara deixou um cartão de visitas respeitável: aprontou para cima do Olympique de Marselha na estreia e derrotou o atual campeão nacional por 2 a 1 em pleno Vélodrome. Em seguida, bateu o Lyon por 3 a 2 em casa. Parecia o começo perfeito, mas o Caen demorou pouco para voltar à realidade. Embora obtivesse mais um excelente resultado ao ganhar do Rennes (1 a 0), o time tirou férias por quase dois meses. Em outubro e novembro, foram nada menos do que onze jogos sem vitórias (seis derrotas e cinco empates), com direito a uma humilhante goleada para o Lille por 5 a 2 no Michel d’Ornano.

Franck Dumas se desesperou ao ver do banco os seguidos erros de seus comandados – os principais, a passividade diante dos rivais e a facilidade em perder a posse de bola. Para se ter uma ideia, o Caen conseguiu a façanha de ser a única equipe derrotada pelo saco de pancadas Arles-Avignon. O SMC precisará muito mais do que o talento de Youssef El Arabi, autor de dez gols, para se livrar do perigo de voltar à Ligue 2 muito mais cedo do que pretendia.

Lorient
(12º, 25PG, 7V, 4E, 8D, 22GP, 24GC)

Jogar em um campo com grama sintética parecia não ser a praia do Lorient. As derrotas para Nice (2 a 1) e Caen (1 a 0) no Moustoir serviram como aprendizado para os Merlus. Em casa, a equipe se tornou quase imbatível. Dos 25 pontos conquistados pelo Lorient no total, 20 foram obtidos diante de sua torcida – o time tem a segunda melhor campanha como mandante, atrás apenas do Sochaux. Fora de seus domínios, porém, a história é bem diferente: o Lorient venceu apenas uma vez e, com cinco pontos, tem o terceiro pior desempenho como visitante.

Apesar das saídas de Koscielny, Vahirua e Marchal, os Merlus mantiveram seu estilo de jogo empolgante, fruto do trabalho realizado por Christian Gourcuff. Desta forma, o principal objetivo dos Merlus aos poucos fica bem perto de se concretizar: a manutenção na Ligue 1, sem correr grandes riscos.

Monaco
(17º, 19PG, 3V, 10E, 6D, 19GP, 20GC)

A grande decepção da Ligue 1 até o momento se chama Monaco. O time do principado tinha a esperança de reviver seus melhores momentos e entrar na disputa pelo pódio, ainda mais após seu bom desempenho nas rodadas iniciais, quando ficou invicto por seis partidas. Contudo, o ASM ruiu de forma brutal. A ausência de Nenê teve efeito devastador. O brasileiro, que trocou o clube pelo Paris Saint-Germain, deixou uma lacuna no ataque, que acreditava-se ser preenchida pelo menos em parte por Dieumerci Mbokani. O Monaco gastou € 5 milhões para contratá-lo, mas o investimento até aqui foi em vão. Em cinco meses, o reforço marcou apenas um gol.

Sem um homem de referência no ataque, sem Alejandro Alonso, afastado a partir da 10ª rodada por motivos ainda pouco claros, o Monaco flerta perigosamente com a zona de rebaixamento. Guy Lacombe foi intimado a obter melhores resultados e salvou sua pele com um empate fora de casa contra o Paris Saint-Germain (1 a 1) e um triunfo sobre o Sochaux (2 a 1). No entanto, dado o pavio curto dos dirigentes do clube do principado, o treinador está longe de respirar aliviado.

Montpellier
(10º, 27PG, 7V, 6E, 6D, 15GP, 19GC)

Após surpreender na temporada anterior, o Montpellier entrou em 2010/11 com o desafio de provar que não se tratava de sorte de principiante. O quinto lugar obtido na última Ligue 1 colocou o clube contra as cordas, com a obrigação de confirmar seu status de surpresa. E a equipe tem conseguido isto com um bom desempenho. As saídas de Tino Costa e Victor Montaño acenavam para uma desestabilização do grupo, mas os dois foram bem substituídos por Olivier Giroud e Marco Estrada.

O MHSC teve como ponto forte seu setor defensivo, que sofreu apenas 19 gols, mas por outro lado exibe um ataque frágil. Talvez se o técnico René Girard tivesse escalado Karim Aït Fana, revelação do time na temporada passada, mais vezes este problema estaria sanado. Embora seja mais irregular e menos dinâmico do que na última Ligue 1, o Montpellier faz o necessário para demarcar seu território na elite.

Nancy
(13º, 25PG, 7V, 4E, 7D, 21GP, 26GC)

O início de temporada castigou o Nancy. Com dificuldades para se impor em casa e com uma defesa que não transmitia segurança, o ASNL deu sinais de que estaria fadado ao fracasso. Seria culpa do gramado sintético do Marcel Picot? Afinal, o time perdeu os cinco primeiros jogos como mandante. A virada veio com o triunfo por 1 a 0 diante do Lorient, em 23 de outubro. Era a gota de confiança que faltava ao grupo. O Nancy se transfigurou no fim de 2010: de equipe facilmente dominada pelos rivais, passou a encará-los com força.

Foi assim que o time obteve uma série de cinco partidas sem derrotas e acabou com a invencibilidade do Paris Saint-Germain ao derrotá-lo por 2 a 0. Outra melhora comemorada se deu na defesa: em cinco jogos, a equipe sofreu apenas dois gols – nos 13 duelos anteriores, o ASNL vira suas redes balançarem 24 vezes. A torcida agora espera que Marama Vahirua se recupere após passar quase alheio pela primeira metade do campeonato. O primeiro objetivo será assegurar a permanência na elite, e sem tantas oscilações.

Nice
(15º, 23PG, 5V, 8E, 6D, 14GP, 18GC)

O Nice começou esta temporada sem dois de seus jogadores mais importantes: Apam na defesa e Rémy no ataque. O OGC até se preparou bem para suprir a ausência do primeiro, mas a transferência do atacante para o Lyon só foi superada perto do fim do ano. O time precisou mudar seu estilo de jogo e se voltar mais para o coletivo. Uma solução encontrada foi se fechar na defesa, que tomou apenas 18 gols. O Nice obteve alguns bons resultados, como empates fora de casa diante de Paris Saint-Germain e Lille e triunfos contra Bordeaux e Saint-Etienne. Por outro lado, seu setor ofensivo envergonhou a torcida.

Os Aiglons têm o segundo pior ataque da Ligue 1, com apenas 14 gols marcados – melhor apenas do que o Arles-Avignon. Os rubro-negros também ostentam outra marca preocupante: não conseguiram derrotar os clubes que estão atrás dele na tabela (Valenciennes, Monaco, Caen, Lens e Arles-Avignon). A manutenção na elite está ligada intimamente à superação destas amarras no ataque e de um melhor desempenho contra seus adversários diretos na luta para fugir do rebaixamento.

Saint-Etienne
(6º, 29PG, 7V, 8E, 4D, 26GP, 20GC)

Após duas temporadas aterrorizantes, quando esteve muito perto de cair, o Saint-Etienne tinha como objetivo primordial para 2010/11 fugir da briga contra a degola. Os Verdes foram muito além nesta primeira metade do campeonato. Christophe Galtier conseguiu encontrar o equilíbrio que havia desaparecido. O treinador tem grandes méritos por formar uma equipe sólida, combativa e com um espírito bem diferente daquele que pairava sobre o Geoffroy-Guichard. Ele soube tirar o máximo de um grupo que ainda tem grandes possibilidades de progredir.

Os reforços contratados (Carlos Bocanegra, Laurent Battles e Albin Ebondo) se encaixaram muito bem à equipe, a defesa reencontrou sua segurança, Dimitri Payet (autor de oito gols) vive excelente fase e a revelação Loris Néry tem impressionado. De quebra, o ASSE pode se orgulhar pela vitória no 100º dérbi contra o Lyon (1 a 0), que traduziu o sangue frio do elenco diante de um adversário de renome. Pelo jeito, o Saint-Etienne deixou de temer os grandes, mesmo consciente de suas limitações.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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