Balanço da temporada – III

Nancy
Colocação: 10º (25PG, 6V, 7E, 6D, 18GP, 17GC)
Destaque: Hadji
Decepção: Calvé
Na temporada passada, o Nancy deu um sufoco aos primeiros colocados e quase se infiltrou no bloco dos classificados para a Liga dos Campeões. Para 2008/09, o ASNL prometia incomodar, mas esteve distante de seus melhores momentos. O clube terminou o primeiro turno em um modesto 10º lugar, consequência direta das saídas de dois de seus principais jogadores. Em uma transferência polêmica, Sébastien Puygrenier preferiu rumar para o Zenit St. Petersburg, deixando a equipe sem sua referência defensiva. No plano ofensivo, a despedida de Kim também marcou um novo período no clube: o da falta de produtividade de seu ataque. Isso se reflete na porcentagem de finalizações certas. Em média, o Nancy manda 2,8 bolas na direção do gol, em 9,7 tentativas. O aproveitamento, de apenas 28,9%, é o pior da Ligue 1.
Antes da 19ª rodada, o máximo que a equipe conseguiu alcançar na tabela foi um 11º lugar. Em seus onze primeiros jogos, o ASNL venceu apenas uma vez. O treinador Pablo Correa se viu obrigado a mudar o esquema tático e optou pela covardia. Sem grandes arrependimentos, ele montou o time com cinco defensores, em uma retranca atroz, e deixou o ataque ao deus-dará, apostando em um ou outro contra-ataque. Isolado na frente, Hadji até cumpriu bem seu papel, sendo decisivo em quatro dos seis triunfos do Nancy. Para quem surpreendeu ao não contratar em 2007/08, desta vez o clube perdeu a mão e deve se contentar mesmo em buscar uma posição intermediária na tabela.
Le Havre
Colocação: 20º (3V, 3E, 13D, 14GP, 34GC)
Destaque: Lesage
Decepção: Fauré
Se obteve a promoção para a Ligue 1 com certa folga, o Le Havre deve se acostumar com a idéia de voltar à segunda divisão também com antecedência. A equipe segura firme a lanterna do campeonato, com uma impressionante marca negativa de 13 derrotas em 19 partidas. Após passar cinco anos longe da elite, o HAC até animou sua torcida ao ganhar do Nice por 1 a 0 na primeira rodada. Contudo, as seguintes foram um inferno. Uma série de oito jogos sem vencer (seis derrotas e dois empates) jogou a equipe para o limbo da tabela, de onde jamais teve forças para sair. Em outubro, os Ciel et Marine até deram algum sinal de vida, mas era apenas fogo de palha. Ao fim da primeira metade do torneio, o Le Havre ficou sete pontos atrás da primeira equipe fora da zona de rebaixamento. Um panorama que deve continuar nas 19 rodadas finais.
No meio do caminho, sobrou para o treinador. Jean-Marc Nobilo deixou o comando do Le Havre, passou a ocupar o cargo de diretor esportivo e foi substituído por Frédéric Hantz. Pouco adiantou a mudança. O HAC conta com a defesa mais vazada da Ligue 1, com 34 gols sofridos – uma média de quase dois por partida. O poder ofensivo do time também não é lá essas coisas: balançou as redes apenas 14 vezes e só não foi pior que o do Grenoble (13). Caberá a Lesage, Revault e Dieuze, os líderes do elenco, cobrar um pouco mais de empenho de seus companheiros, mas essa tarefa se torna complicada em um clube sem perspectivas de fazer boas contratações no mercado de janeiro.
Lorient
Colocação: 9° (26PG, 7V, 5E, 7D, 25GP, 23GC)
Destaque: Gameiro
Decepção: Namouchi
Sem muito alarde, o Lorient cumpriu um primeiro turno correto. Os Merlus ficaram dentro de suas expectativas, fugiram da zona de rebaixamento, mas tinham consciência de suas limitações e almejavam o miolo da tabela. No início, a torcida até sentiu um frio na barriga, quando a equipe passou seis rodadas na 18ª colocação. O treinador Christian Gourcuff os poucos fez o time aprimorar sua qualidade de jogo e, com um estilo ofensivo, o Lorient subiu de rendimento. Também colaborou a disciplina do elenco: a equipe ocupa o primeiro lugar no ranking do ‘fair play’, com apenas 20 cartões amarelos recebidos. Nenhum jogador da equipe foi expulso neste primeiro turno, uma marca considerável.
A evolução dos Merlus na Ligue 1 coincide com a de Gameiro. O atacante, contratado no começo da temporada, demorou um pouco para se adaptar ao seu novo clube, mas logo provou ser indispensável. Abriel e Audard também tiveram um grande papel para a recuperação do time. O Lorient, embora tenha pretensões modestas a cada ano, parece ter aprendido a se impor. A prova fica por conta da espetacular virada sobre o Olympique de Marselha em pleno Vélodrome. Os donos da casa venciam por 2 a 0, mas levaram três gols nos quinze minutos finais e saíram derrotados por 3 a 2. Com tranqüilidade, o time segue dentro de seu planejamento, mas poderia sonhar com algo um pouco mais ousado para o restante da temporada.
Sochaux
Colocação: 19º (14PG, 1V, 11E, 7D, 18GP, 25GC)
Destaque: Erding
Decepção: Alvaro
Como em 2007/08, a primeira metade da temporada para o Sochuax foi de apreensão. O time conseguiu a proeza de vencer apenas uma de suas 19 partidas e, sem surpresas, figura na zona de rebaixamento. Os Leões podem se gabar de um título de pouco orgulho: rei dos empates. Ao todo, foram onze (!) resultados iguais, o que ajuda a explicar o baixo número de pontos ganhos. O treinador Francis Gillot viveu a experiência de resgatar os Jaune et Bleu do limbo. Ele chegou ao clube após a demissão de Frédéric Hantz, que não resistiu à péssima campanha na primeira metade do campeonato. O técnico evitou o rebaixamento, mas agora precisa repetir o milagre para mais uma vez livrar o time do fantasma da Ligue 2. Pelo menos ele escapou de perder o emprego.
O Sochaux passou as 12 primeiras rodadas sem comemorar uma vitória sequer. O único triunfo veio diante do Le Mans (2 a 1). A situação seria ainda pior se não fosse a atuação de Erding. O atacante turco segue como a principal referência ofensiva dos Leões, sendo o responsável por um terço dos gols da equipe (seis dos 18). Se o time houvesse cedido à pressão do PSV e de outros interessados em contratá-lo, certamente estaria ainda mais afundado. Para níveis comparativos, Valenciennes e Le Havre, os outros membros da zona do rebaixamento, ganharam três vezes. Para o Sochaux, de nada adianta ter “apenas” sete derrotas (o PSG tem seis e acabou o turno em quarto) se não vence. A falta de confiança do elenco, aliada à incapacidade de definir um jogo, ameaçam a permanência da equipe na primeira divisão.
Paris Saint-Germain
Colocação: 4º (33PG, 10V, 3E, 6D, 24GP, 17GC)
Destaque: Sessegnon
Decepção: Rothen
Enfim o PSG deu um basta às sucessivas temporadas de preocupação. Nos dois últimos anos, o clube da capital flertou com a Ligue 2, mas aprendeu a lição para 2008/09. Desta vez, a equipe acertou na política de contratações e, em vez de apostar na quantidade e por nomes de reputação duvidosa, preferiu apostar em soluções mais bem pensadas para os problemas do elenco. Pauleta, o único a se salvar no ataque, aposentou-se? Chegou Hoarau, destaque no Le Havre. O meio-campo precisava de alguém para lhe dar maior segurança? Veio Makélélé. Paul Le Guen finalmente teve condições de montar um time-base, bastante confiável, cujo rendimento em campo correspondeu às expectativas. Com bons resultados, a tranqüilidade voltou a reinar também entre os torcedores, agora preocupados em incentivar o time – longe da época de protestos até violentos, invasões do centro de treinamentos e incidentes corriqueiros no Parc des Princes.
Sem dúvida, o principal nome da virada do PSG se chama Sessegnon. O meia-atacante valeu cada um dos € 8 milhões investidos para contrata-lo do Le Mans. Antes dele, o PSG era um time torto, apoiando-se somente pelo lado esquerdo. O beninense equilibrou a equipe, ao desbravar a direita e se tornar o cérebro dela. Rothen, até então o único meia criativo de maior destaque do elenco, teve seu trabalho desafogado, mas mesmo assim segue como uma decepção. Nesta primeira metade do campeonato, o time da capital conseguiu bater Bordeaux, Lyon e, mais importante, derrotou o grande rival Olympique de Marselha em pleno Vélodrome (4 a 2). Com chances de se classificar para a Liga dos Campeões e firme na disputa pelo título, o PSG vive a expectativa de uma temporada redentora, daquelas para recolocar o time nos trilhos do sucesso.
Lyon
Colocação: 1º (38PG, 11V, 5E, 3D, 23GP, 12GC)
Destaque: Benzema
Decepção: Makoun
Alguma coisa vai mal em Gerland. Terminar o primeiro turno na liderança se tornou algo comum para a equipe, mas a soberania do OL está seriamente ameaçada. Não apenas o Bordeaux surge novamente como um perigoso adversário, mas outras equipes (Olympique de Marselha, Paris Saint-Germain, Rennes) surgem em seu retrovisor dispostos a lhe roubar a coroa. Como na temporada passada, este Lyon não convence. No fim do ano, a equipe venceu apenas um de seus cinco jogos, permitindo a aproximação dos adversários. Aquela equipe disposta a pegar seus opositores pela jugular ficou para trás. Hoje, os lioneses dão sinais de decadência. Para piorar, há um gosto de frustração, pois o OL gastou como ninguém exatamente para apagar o fiasco de 2007/08, mas sem qualquer tipo de evolução dentro de campo.
No total, foram € 57 milhões investidos na contratação de reforços. Seguiu-se a política de tirar dos rivais seus principais destaques, como nos casos de Éderson e Lloris (Nice) e Mensah (Rennes). Mas não dá para deixar de estranhar pagar € 14 milhões por Jean II Makoun, que mal jogou e, quando entrou em campo, pouco fez para justificar tamanho investimento. Em teoria, o único dinheiro bem gasto foi com Lloris: € 8,5 milhões por um jovem goleiro que não deixou a torcida sentir saudades do ídolo Coupet. O Lyon tem se tornado uma vítima de sua própria grandeza, ao gastar muito mal seu dinheiro. De nada adianta ser um clube rico se os recursos para melhorar o elenco são jogados pela janela sem qualquer cerimônia.
Houve também uma dose de azar. A bruxa das contusões rolou solta principalmente no setor defensivo, o que deixou a equipe órfã neste setor. Para começar, os dois laterais-direitos (Réveillère e Clerc) sofreram graves lesões. Mensah foi obrigado a atuar improvisado em algumas partidas, mas o ganense passou mais tempo na enfermaria do que dentro de campo. Na esquerda, viu-se o mesmo com Grosso, muito baixo de sua melhor forma. O técnico Claude Puel se viu obrigado a usar Gassama, mas o jovem precisa amadurecer um pouco mais para suportar o ritmo de um jogo decisivo como o daquele contra o Bayern de Munique, em Gerland, pela Liga dos Campeões. Um primeiro tempo desastroso para o sistema defensivo lionês, em prova cabal de sua fragilidade.
Do meio-campo para a frente, o Lyon ainda conta com Benzema para resolver seus problemas. Mesmo assim, quando o atacante esteve ausente por conta de uma lesão, ficou nítido como o time sofre com sua ausência. Fred teve a oportunidade de se redimir diante da torcida e dos dirigentes, mas preferiu seguir pelo caminho das polêmicas e força sua saída do clube. Piquionne está a passeio pelo OL, tamanha sua ineficiência. Sobra confiar em Delgado, o que, convenhamos, é muito pouco para um time que luta pelo octocampeonato e por um lugar ao sol na Europa. Embora Éderson tenha um desempenho regular, Puel o orienta a jogar pelo lado esquerdo, definitivamente fora da posição na qual rende mais. Enquanto isso, Juninho Pernambucano segue em ritmo de despedida. Embora ainda decisivo em lances de bola parada, o meia segue em baixa.
Como o Lyon terá pela frente o Barcelona nas oitavas-de-final da LC, sua eliminação do torneio parece encaminhada. Tal qual no ano passado, o time carregará para o restante da Ligue 1 a frustração por não conseguir impor seu principal objetivo, o de se tornar uma equipe respeitada no cenário continental. Resta se concentrar na Ligue 1, mas isso parece muito pouco. Com rivais mais fortes, o OL vê sua hegemonia no país seriamente contestada. Nunca se viu o trono tão ameaçado como agora.


