Balanço da temporada – II
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Confira abaixo a segunda parte do balanço da última temporada da Ligue 1. Para ler a primeira clique aqui.
Lyon
Colocação final: 3º (64PG, 17V, 13E, 8D, 61GP, 40GC)
Técnico: Claude Puel
Maior vitória: 5×0 Arles-Avignon
Maior derrota: 0x4 Auxerre
Competição continental: Liga dos Campeões (eliminado nas oitavas de final pelo Real Madrid)
Principal jogador: Bafétimbi Gomis
Decepção: Yoann Gourcuff
Artilheiro: Lisandro López (17 gols)
Líderes em assistências: Jimmy Briand e Yoann Gourcuff (5 assistências)
Obter uma vaga para a Liga dos Campeões seria motivo de comemoração para a maioria dos clubes franceses. Para o Lyon, o terceiro lugar na Ligue 1, e a consequente necessidade de disputar a fase preliminar da LC, foi sinônimo de fracasso. A decepção foi tamanha que nem o presidente Jean-Michel Aulas conseguiu sustentar a permanência de Claude Puel. O treinador, que já tinha sua cabeça pedida há tempos, viu seu relacionamento com a torcida se deteriorar de vez com um time sem alma, cuja burocracia em campo irritava até o seguidor mais paciente. Para quem investiu tão pesado na contratação de reforços e que se tornou habitué da LC, a classificação obtida com tamanho sofrimento só poderia ser tratada como um fiasco retumbante.
Desde 2009, o Lyon gastou mais de € 100 milhões para formar um elenco capaz de retomar a hegemonia na França e se tornar uma potência na Liga dos Campeões. Ficou bem distante de um e do outro. São três temporadas sem título. Ao final da sétima rodada da Ligue 1, o OL amargava um pífio penúltimo lugar. Yoann Gourcuff, contratado a peso de ouro (€ 22 milhões), não era nem sombra do que produziu no Bordeaux. Traumatizado com os sucessivos fracassos, o elenco esteve à beira da implosão. Perdido e sem respaldo dos jogadores, Puel demorou para cair. Uma nova era parece chegar ao OL. Com a confirmação de Rémi Garde, ex-técnico das categorias de base do clube, como substituto, o clube dá a entender qual será seu pensamento daqui para frente. Nada de jogar dinheiro pela janela e gastar milhões com jogadores que não valem um terço do valor investido. A ordem deve ser valorizar os pratas da casa e turbinar o time com promessas. Enfim a ficha caiu para Aulas, e o presidente não se mostra disposto a repetir as loucuras financeiras de um período recente até para não comprometer ainda mais os cofres do OL.
Olympique de Marseille
Colocação final: 2º (68 PG, 18V, 14E, 6D, 62GP, 39GC)
Técnico: Didier Deschamps
Maior vitória: 4×0 Montpellier
Maior derrota: 2×3 Valenciennes, 2×3 Lyon
Competição continental: Liga dos Campeões (eliminado nas oitavas de final pelo Manchester United)
Principal jogador: André Ayew
Decepção: André-Pierre Gignac
Artilheiro: Loïc Rémy (15 gols)
Líder em assistências: Benoît Cheyrou (5 assistências)
A esperança de sucesso pairava sobre o Vélodrome. O Olympique de Marseille sonhava em conservar sua coroa da Ligue 1 e, de quebra, fazer bonito na Liga dos Campeões. O clube bateu na trave em seus dois principais objetivos. Apesar da conquista do bicampeonato da Copa da Liga Francesa (o OM foi o primeiro time a levar o título do torneio por dois anos seguidos), ficou a nítida sensação de que faltou alguma coisa para a receita dar certo. Alguns deslizes cometidos ao longo da temporada ajudam a explicar este sentimento de frustração, embora os marselheses tenham sido vice-campeões franceses e se classificado para as oitavas de final da LC.
Para começar, o OM praticamente não se mexeu na janela de transferências. A aposta em um elenco vencedor seria adequada se o elenco contasse com melhores opções para o banco. As lesões sofridas por alguns de seus principais jogadores (como André-Pierre Gignac) comprometeram a qualidade do time em momentos decisivos. A síndrome do Vélodrome, que parecia estancada, tomou conta do grupo nesta temporada. De cara, os marselheses perderam em casa para o Caen que, aliada ao revés no jogo seguinte para o Valenciennes, obrigou-os a uma corrida de recuperação prematura. No total, o time deixou de ganhar 20 pontos atuando em seus domínios. Foram sete empates diante de sua torcida (Lyon, Rennes, Toulouse, Auxerre, Valenciennes, Monaco e Lens). O futuro se mostra com algumas mudanças radicais, como a provável saída de Lucho González (que manifestou seu desejo de deixar o clube). O OM deve se mexer para não bobear de novo.
Monaco
Colocação final: 18º (44 PG, 9V, 17E, 12D, 36GP, 40GC)
Técnicos: Guy Lacombe, Laurent Banide
Maior vitória: 4×0 Nancy
Maior derrota: 0x3 Sochaux
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Park Chu Young
Decepção: Dieumerci Mbokani
Artilheiro: Park Chu Young (12 gols)
Líderes em assistências: Benjamin Moukandjo, Igor Lolo e Lukman Haruna (2 assistências)
A torcida monegasca ainda tenta se recuperar do golpe. Nas duas últimas temporadas, o Monaco esteve bem perto da zona do rebaixamento, mas escapou da degola como por um milagre. Desta vez, a salvação não veio e o ASM amargou a descida para o inferno. No início, parecia que o time do principado poderia iniciar uma reação, ainda mais com a chegada de jogadores experientes como Bonnard, Niculae, Hansson e Mbokani. A esperança, porém, não se confirmou. O Monaco vagou em campo como um time sem alma, desprovido de um líder capaz de acalmar a situação e organizar a equipe nos momentos difíceis. Desde a nona rodada, o time já figurava entre os últimos colocados da Ligue 1. Nem mesmo as grandes mudanças que estariam por vir serviram para evitar a catástrofe final.
A eliminação prematura na Copa da França para o modestíssimo Chambéry, combinada com a 17ª colocação na Ligue 1, provocaram a queda do treinador Guy Lacombe. Em janeiro, o clube se mexeu de forma desesperada no mercado. Mbokani foi embora; chegaram Feindouno, Welcome, Malonga e Moukandjo. Aliás, Mbokani não deve nem passar perto do principado. O promissor atacante foi contratado por € 7 milhões e se tornou um dos maiores micos da temporada. Autor de um mísero gol em dez partidas, ele ainda contribuiu para deixar o clima no vestiário insuportável com suas declarações polêmicas. O técnico Laurent Banide, de volta ao ASM, fez a equipe apresentar algumas melhoras, mas mesmo assim era pouco para assegurar a permanência na elite. Na 36ª rodada, o empate concedido ao péssimo Lens nos acréscimos (1 a 1) acabou com a confiança do elenco. Das 38 rodadas, o Monaco figurou na zona de rebaixamento em 16. A diretoria, conhecida por sua paciência curta (em especial com treinadores), agora deve aprender na marra como se deve administrar um clube de forma eficiente. Os poucos talentos (Ruffier, Park, Haruna, Mongongu) devem sair e o orçamento, claro, sofrerá uma drástica redução. O ASM precisa desta lição para voltar com sabedoria.
Montpellier
Colocação final: 14º (47PG, 12V, 11E, 15D, 32GP, 43GC)
Técnico: René Girard
Maior vitória: 3×1 Arles-Avignon, 3×1 Lens
Maior derrota: 0x4 Olympique de Marselha
Competição continental: Liga Europa (eliminado pelo Györi ETO na terceira fase preliminar)
Principal jogador: Olivier Giroud
Decepção: Emir Spahic
Artilheiro: Olivier Giroud (12 gols)
Líder em assistências: Estrada (6 assistências)
Ao fim da 30ª rodada, o Montpellier figurava na sexta posição da Ligue 1 e sonhava com uma vaga na Liga Europa. Esperava-se que o clube cumprisse campanha tão exemplar como na temporada anterior, mas a expectativa logo se transformou em decepção. Em seus oito jogos seguintes, o MHSC se afundou em um abismo. Foram nada menos do que seis derrotas (três delas seguidas), um empate e uma vitória. A vaga em uma competição europeia e até mesmo um lugar entre os dez melhores times do campeonato ficaram bem distantes. Talvez a queda repentina de desempenho esteja relacionada à derrota por 1 a 0 na final da Copa da Liga Francesa para o Olympique de Marselha. A ressaca pela perda do título estragou completamente uma campanha que tinha tudo para ser marcante. O Montpellier ficou apenas três pontos à frente do Monaco, primeiro clube da zona de rebaixamento.
O Montpellier se notabilizou por ser uma equipe de marcação dura. Tanto que o time foi o segundo que mais levou cartões amarelos na Ligue 1 (83, apenas um a menos do que o Caen). O destempero se traduziu em Emir Spahic. Ele recebeu oito amarelos e foi expulso uma vez, mas o jogador ficou marcado por seu cotovelo incontrolável. Nolan Roux e Issam Jemaa conheceram bem de perto a força de Spahic, que foi punido com rigor: uma suspensão de onze partidas. O MHSC também pecou no setor ofensivo. Seu ataque pouco incomodou os adversários: o time marcou parcos 32 gols, a segunda pior marca da Ligue 1 (melhor apenas do que a do Arles-Avignon). De positivo, o atacante Olivier Giroud demonstrou não sentir o peso de atuar na elite. O ex-atleta do Tours foi às redes 12 vezes. O Montpellier agora volta suas atenções para suas equipes de base, que enfrentam problemas com uma safra ruim. Para quem se gaba de ser um clube formador (e que necessita de suas revelações para não gastar em contratações), trata-se de algo muito preocupante.
Nancy
Colocação final: 13º (48PG, 19V, 9E, 16GC, 43GP, 48GC)
Técnico: Pablo Correa
Maior vitória: 4×0 Lens
Maior derrota: 0x4 Lyon, 0x4 Monaco
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Julien Féret
Decepção: Djamel Bakar
Artilheiro: Hadji (8 gols)
Líder em assistências: Julien Féret (5 assistências)
No início da temporada, o Nancy pensava somente em salvar sua pele e ficar distante da zona de rebaixamento. O clube atingiu sua meta, embora tenha tido um desempenho bastante irregular, principalmente quando atuou em casa. Foram oito derrotas atuando no Marcel-Picot, algumas delas vergonhosas: Brest (2 a 0), Montpellier (2 a 1) e uma humilhante goleada para o rebaixado Monaco (4 a 0). Quando o cinto apertou, o ASNL respondeu de forma positiva. Nas quatro últimas rodadas da Ligue 1, a equipe conquistou dez pontos, algo crucial para assegurar a permanência na elite. No entanto, isto não apaga a atuação febril da defesa, insegura em grande parte do torneio. Além disso, o ataque demorou demais para engrenar. Por sorte, a equipe tinha alguém a quem recorrer nos momentos difíceis. Julien Féret, autor de seis gols e cinco assistências, carregou o time nas costas em diversas oportunidades e fortaleceu sua posição de líder, ainda mais com a suspensão de três meses a Youssouf Hadji.
O Nancy se prepara para uma nova era. Após 16 anos, tanto como jogador como técnico, Pablo Correa se despediu do clube. Embora seu discurso já não tivesse o mesmo impacto sobre o elenco, o uruguaio ainda conseguia tirar algo de bom de um grupo mediano. Foi mérito dele tirar o ASNL da Ligue 2 para levá-lo à Liga Europa e assegurar uma sequência na elite. A equipe deve sofrer uma revolução, já que nomes de destaque como Julien Féret, Youssouf Hadji, Landry N'Guémo, Jonathan Brison e Mickaël Chrétien devem sair. Quem assumir o cargo deve ter em mente que receberá um grupo em transição. Ou seja: não dá para esperar grande coisa do Nancy na próxima temporada. Resta saber se o sucessor de Correa terá a mesma capacidade de extrair o máximo de seus jogadores nos momentos de maior dificuldade.
Nice
Colocação final: 17º (46PG, 11V, 13E, 14D, 33GP, 48GC)
Técnico: Eric Roy
Maior vitória: 2×0 Rennes, 2×0 Lens, 2×0 Toulouse
Maior derrota: 0x4 Caen, 0x4 Sochaux
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Anthony Mounier
Decepção: David Bellion
Artilheiro: Mouloungui (8 gols)
Líder em assistências: Anthony Mounier (11 assistências)
A torcida do Nice sofreu até o último minuto da rodada final da Ligue 1. Por um triz, os Aiglons escaparam do rebaixamento. A equipe viveu uma temporada Robin Hood, já que roubou muitos pontos dos times grandes e enfrentou dificuldades excessivas no confronto direto contra os pequenos, rivais na luta para escapar da degola. Muito dessa dificuldade de se impor diante de seus adversários se deve ao setor ofensivo pouco eficiente. O Nancy teve o terceiro pior ataque da Ligue 1, com apenas 33 gols marcados. Basta ver que seu artilheiro foi às redes inimigas somente oito vezes. Em meio aos problemas, o time se orgulhou de alcançar a semifinal da Copa da França.
O Nice bem que tentou solucionar o problema da falta de gols e se mexeu no mercado durante o meio da temporada. A aposta em David Bellion, porém, mostrou-se um fracasso. Ele foi titular em apenas nove partidas e não marcou um golzinho sequer. Além disso, suas fracas atuações e seus problemas físicos fizeram os dirigentes enfiar suas cabeças em um saco, tamanha a vergonha pelo tiro n’água. Ao menos Anthony Mounier compensou: o veloz meio-campista deu onze assistências e manteve a regularidade mesmo quando o OGC estava em baixa. Preocupado em dar continuidade às obras de seu estádio, o clube não deve fazer loucuras financeiras no mercado. Como vários jogadores devem deixar o elenco, deve-se esperar uma nova temporada de emoções fortes para o Nice.
Paris Saint-Germain
Colocação final: 4º (60PG, 15V, 15E, 8D, 56GP, 41GC)
Técnico: Antoine Kombouaré
Maior vitória: 4×0 Arles-Avignon
Maior derrota: 1×3 Sochaux
Competição continental: Liga Europa (eliminado nas oitavas de final pelo Benfica)
Principal jogador: Mamadou Sakho
Decepção: Apoula Edel
Artilheiro: Guillaume Hoarau (9 gols)
Líder em assistências: Ludovic Giuly (8 assistências)
Na primeira metade da temporada, o Paris Saint-Germain deu a impressão de que enfim havia deixado os anos de turbulência para trás. Dono de um estilo de jogo que encantou os torcedores, o clube da capital vivia em estado de graça, sonhando em brigar pelo título. A esperança, porém, transformou-se em uma tremenda desilusão. O gás do time acabou, os tropeços se tornaram mais frequentes e a vaga para a Liga dos Campeões escorreu pelos dedos, mesmo com o Lyon doido para entregá-la de bandeja para o PSG. Na Ligue 1 anterior, os parisienses terminaram em 13º lugar. A quarta posição em 2010/11, porém, não traz o sentimento de evolução. A equipe tinha condições de chegar mais longe e pagou muitas vezes por falhas individuais.
Nesse quesito, encaixam-se perfeitamente alguns jogadores. O goleiro Apoula Edel tomou frangos memoráveis, tornou-se protagonista de uma polêmica em torno de sua identidade e falhou em momentos decisivos (como nos jogos diante de Lyon e Benfica). Não teve seu contrato renovado e saiu pela porta dos fundos. Nenê começou muito bem, com gols e assistências em profusão. Entretanto, o brasileiro irritou companheiros e torcedores por ser fominha demais e achar que poderia resolver tudo sozinho. A dupla de atacantes formada por Guillaume Hoarau e Mevlut Erding poderia marcar bem mais do que os 17 gols registrados caso não desperdiçassem tantas chances incríveis.
Para a próxima temporada, o PSG desperta todas as atenções. O anúncio da venda do clube para um misterioso grupo de investidores do Qatar atiçou a curiosidade de todos. O time se tornaria um Manchester City, cujo dono não se preocupa em gastar dinheiro e paga o que for para contratar reforços? Assumir um PSG com dívidas de € 15 milhões e perdas de € 19 milhões na temporada anterior não é para qualquer magnata tresloucado e disposto a jogar dinheiro pela janela. As chegadas do goleiro Nicolas Douchez e do atacante Kévin Gameiro já deixam no ar que os qatarianos querem mesmo montar um elenco competitivo, e não fazer do PSG um brinquedo. A chegada de Leonardo como diretor esportivo também está ligada a este ambicioso projeto, cujo resultado promete ser dos mais interessantes.