Futebol francês

Balanço da temporada- II

Le Havre

Classificação: 20º (7V, 5E, 26D, 30GP, 67GC)
Artilheiros: Amadou Alassane (10 gols), Jean-Michel Lesage (5)
Melhor “garçom”: Hassan Alla, Jamel Ait Ben Idir (4 assistências)
Cartões amarelos: 57
Cartões vermelhos: 2
Destaque: Amadou Alassane
Decepção: Yannick Boli

Da mesma forma como o clube garantiu seu acesso para a Ligue 1 com várias rodadas de antecedência, o Le Havre assegurou seu retorno para a segunda divisão bem antes do torneio acabar. E o pior: durante toda a temporada, a equipe nunca pareceu capaz de evitar sua queda. Os números falam por si só. O HAC teve o segundo pior ataque do campeonato e a defesa mais vazada, com uma média de praticamente dois gols sofridos por partida. No lado ofensivo, a explicação para tanta seca se resume a um nome. Guillaume Hoarau voltou para o Paris Saint-Germain e deixou o time órfão de um matador nato. Amadou Alassane, com um perfil semelhante ao de Hoarau (alto e forte), foi o responsável por um terço dos gols marcados pela equipe, mas a extrema dependência em torno dele deixou o setor bastante previsível.

O Le Havre não conseguiu ganhar duas vezes seguidas. Em casa, seu desempenho foi pífio: em 19 jogos, ganhou apenas quatro vezes e perdeu as outras 15. Como visitante, as atuações também estiveram longe de merecer algum elogio, com parcos três triunfos. A fragilidade da defesa e a incapacidade de seu setor criativo fizeram do HAC refém de um estilo de jogo pouco produtivo. Pior para os treinadores. Jean-Marc Nobilo cedeu seu lugar no meio da caminhada para Frédéric Hantz, que teve os méritos de lançar jovens na parte final do campeonato. Como a manutenção na elite já estava comprometida, o jeito era já pensar na montagem de uma base para a disputa da Ligue 2 em 2009/10. Stéphane Noro, Amadou Alassane e Hassan Alla, donos dos maiores salários do elenco, devem ser negociados até para gerar algum recurso para investir em reforços baratos.

Le Mans

Classificação: 16º (10V, 18E, 18D, 43GP, 54GC)
Artilheiros: Thorstein Helstad (10 gols), Modibo Maiga (8)
Melhor “garçom”: Anthony Le Tallec (4 assistências)
Cartões amarelos: 70
Cartões vermelhos: 3
Destaque: Thorstein Helstad
Decepção: desempenho em casa

Para quem se acostumou a ver uma equipe ofensiva e equilibrada, acompanhar o Le Mans nesta temporada foi tarefa bem mais difícil. O clube teve um início de Ligue 1 muito bom, quando figurou em terceiro lugar na décima rodada. No entanto, o time apresentou uma queda muito brusca de rendimento e só se salvou do rebaixamento na última rodada. O ano de 2009 foi péssimo para o MUC 72. A equipe conquistou apenas três partidas neste ano, a pior marca entre os participantes da Ligue 1. A duas rodadas do final do campeonato, o clube vinha de uma série de quatro derrotas. Por sorte (e incompetência de seus adversários), o Le Mans se salvou e deve muito disso a Anthony Le Tallec. O atacante, uma das maiores promessas do futebol francês, mas até agora não estourou, marcou quatro dos seis últimos gols marcados pelo time. Na hora de realmente decidir, a estrela de Le Tallec brilhou.

Em casa, o Le Mans decepcionou sua torcida. Nos 19 duelos disputados diante de sua torcida, o clube ganhou apenas quatro, com nove derrotas e outros quatro empates. Somente o Le Havre teve um desempenho tão ruim assim como mandante. No meio de tanta inconstância, Thorstein Helstad se destacou em sua primeira temporada no futebol francês. Embora tenha ficado sem marcar entre a 7ª e a 18ª rodada, o norueguês terminou como o artilheiro do time. Aliás, o ataque foi motivo de orgulho, pois foi o oitavo melhor da Ligue 1. Em compensação, a defesa deixou a desejar e foi a quarta mais vazada. As perspectivas para 2009/10 são sombrias. Jogadores importantes como Pelé, Gervinho e Coutadeur devem ir embora. Como a diretoria do MUC 72 está preocupada com a fase final de construção do estádio MM Arena, os recursos para a contratação de reforços serão contados. Paulo Duarte, o novo treinador, deve se preparar para se virar com pouca grana e jogadores mais esforçados do que qualificados.

Nancy

Classificação: 15º (10V, 12E, 16D, 38GP, 47GC)
Artilheiros: Hadji (11 gols), Julien Féret (4
Melhor “garçom”: Brison (4 assistências)
Cartões amarelos: 70
Cartões vermelhos: 4
Destaque: Youssouf Hadji
Decepção: Marc-Antoine Fortuné

Em 2007/08, o Nancy por pouco não beliscou uma vaguinha para a Liga dos Campeões. Um ano depois, o clube mergulhou em uma realidade bem mais cruel ao brigar para escapar do rebaixamento. A saída de dois de seus principais jogadores (Puygrenier e Kim) custou caro demais ao ASNL. O time perdeu boa parte de sua segurança na defesa e sua referência ofensiva. Para piorar as coisas no ataque, em janeiro a equipe emprestou Fortuné ao West Bromwich Albion. Se as coisas já andavam ruis, degringolaram de vez. Com uma força quase nula na frente, o time sofreu para conquistar os pontos necessários para permanecer na elite. Os méritos ficam por conta das atuações de Youssouf Hadji. O marroquino, isolado no ataque, conseguiu se virar muito bem apesar das dificuldades da equipe em criar chances reais de gol. Mesmo sem estar em suas melhores condições, Hadji fo às redes onze vezes, em sua melhor temporada na Ligue 1.

Até o começo de 2009, o Nancy cumpria um papel razoável no torneio. A partir de fevereiro, o quadro mudou completamente. O ASNL, então décimo colocado, ficaram nove partidas sem ganhar. Neste período, somou apenas dois pontos em 27 possíveis e se aproximou perigosamente das últimas colocações. A falta de definição da equipe se prova em seu desempenho em casa. Diante de seus torcedores, o Nancy ganhou apenas cinco vezes (a quinta pior marca como mandante). No total, o time venceu dez vezes em 2008/09 – apenas os três rebaixados ganharam menos. A incerteza toma conta do futuro da equipe para a próxima temporada, pois uma grande processo de renovação está em curso. Calvé, Helder, Gavanon, N'Guémo, Biancalani, Zerka e Fortuné devem deixar a equipe, o que deixa um ponto de interrogação quanto à possível formação do elenco para a Ligue 1 seguinte.

Nice

Classificação: 9º (13V, 11E, 14D, 40GP, 41GC)
Artilheiros: Loïc Rémy (11 gols), Habib Bamogo (7)
Melhor “garçom”: David Hellebuyck (7 assistências)
Cartões amarelos: 73
Cartões vermelhos: 5
Destaque: Loïc Rémy
Decepção: Matt Moussilou

A torcida do Nice estava esperançosa. Afinal, mesmo com as saídas de seus principais atletas (Éderson, Lloris e Koné), a equipe se apresentava como uma das candidatas à vaga para a Liga dos Campeões. No final, ficou um grande sentimento de frustração. Os Aiglons sequer se classificaram para a Liga Europa e ficaram em um insosso nono lugar. Para as pretensões do time no início da temporada, estaria de bom tamanho, mas ficou nítido ser pouco. A partida final de 2008/09 demonstra bem como o final de Ligue 1 foi decepcionante. Na despedida do treinador Frédéric Antonetti, o clube não foi além de um empate sem gols em casa diante do lanterna Le Havre. A reta final do OGC no Francês foi uma tristeza só: nas 14 rodadas finais, o time conquistou apenas duas vitórias. A despedida ficou marcada por uma sequência melancólica de três empates e duas derrotas.

Pelo menos o Nice usou bem o dinheiro obtido com as negociações de Éderson e Lloris para o Lyon. Houve quem achasse arriscado demais pagar € 8 milhões pela contratação de Loïc Rémy, encostado no próprio OL. No entanto, o atacante mostrou seu valor na Côte d’Azur. Do banco de reservas lionês, ele explodiu no Nice ao se tornar o artilheiro do clube na Ligue 1 com onze gols. O desempenho de Rémy motivou Raymond Domenech a chamá-lo algumas vezes para a seleção francesa. No outro extremo, encontra-se Matt Moussilou, nem sombra daquela jogador de destaque do Lille. Uma escapada para Marselha e outra para o Qatar, para negociar uma possível transferência, queimaram seu filme dentro do Nice. Com 27 anos, contrato até 2010, Moussilou não disputou um minuto sequer da Ligue 1 e se tornou um fardo no elenco. Mais um pepino para Didier Ollé-Nicolle, o novo treinador, resolver. Antonetti saiu do OGC após quatro anos, um pouco decepcionado pela falta de ambição do clube. Seu substituto precisa desde já encontrar uma nova espinha dorsal para o time, pois Jeunechamp, Hognon, Kanté e Echouafni estão em fim de contrato e não devem seguir no elenco.

Rennes

Classificação: 7º (15V, 16E, 12D, 42GP, 34GC)
Artilheiros: Moussa Sow (9 gols), Jimmy Briand (8)
Melhor “garçom”: Mickaël Pagis (6 assistências)
Cartões amarelos: 64
Cartões vermelhos: 4
Destaque: Rod Fanni
Decepção: Asamoah Gyan

Nas últimas temporadas, o Rennes se notabilizou por fazer um início de Ligue 1 discreto e, na reta final, arrancava e ficava por um triz de se classificar para a Liga dos Campeões. Em 2008/09, a escrita parecia que se quebraria. Os bretões começaram bem e mantiveram uma boa regularidade durante a maior parte do campeonato. No entanto, na hora decisiva, o clube caiu de rendimento e ficou de fora até mesmo da Liga Europa. Embora tenham terminado entre os sete primeiros colocados pelo quinto ano consecutivo, os rubro-negros amargaram alguns fracassos e saíram de cabeça baixa. As contusões e as suspensões de jogadores importantes (Briand, Mangane, Thomert, Gyan) no momento mais inconveniente atrapalharam os planos da equipe. Além disso, a derrota na final da Copa da França para o Guingamp deixou traços marcantes.

No confronto entre as duas equipes da Bretanha, prevaleceu o time de uma cidade pequena, sem força regional e que cumpria campanha de razoável para ruim na Ligue 2. Esta frustração certamente contribuiu para estragar o fim de temporada. O Rennes foi o rei dos empates ao lado do Toulouse. Quase metade dos seus jogos (16) terminaram com resultado igual. Destes, houve sete 0 a 0. Destaque para a solidez defensiva da equipe, a quarta melhor da Ligue 1. No ataque, despontou Rod Fanni, convocado algumas vezes por Raymond Domenech. As esperanças depositadas em Asamoah Gyan, que deveria formar uma dupla ofensiva de respeito, foram para o vinagre. O ganense, que custou € 8,5 milhões, sofreu com seguidas contusões e atuou em apenas 16 partidas (seis delas como titular), com somente um gol feito. Para o futuro, o técnico Guy Lacombe deixou o clube após se desentender com a diretoria. Frédéric Antonetti será o seu substituto, mas resta saber como ele reagirá à frente de uma equipe importante pela primeira vez na carreira.

Saint-Etienne

Classificação: 17º (11V, 7E, 20GD, 40GP, 56GC)
Artilheiros: Bafetimbi Gomis (10 gols), Ilan (9)
Melhor “garçom”: Dimitri Payet (7 assistências)
Cartões amarelos: 61
Cartões vermelhos: 3
Destaque: Blaise Matuidi
Decepção: Daisuke Matsui

Esperava-se um Saint-Etienne candidato ao pódio nesta temporada. Ao final, os Verdes lutaram com todas as forças para garantir a permanência na primeira divisão e só conseguiram seu objetivo na última rodada. Pode-se colocar a culpa pelo fracasso na disputa da Copa Uefa, prioridade da equipe durante boa parte de sua caminhada, mas outros fatores tiveram importância muito maior para a fraca campanha na Ligue 1. O ambiente em Geoffroy-Guichard passou longe da calmaria. Ex-membros da diretoria e antigos jogadores meteram o bedelho na situação atual do time com críticas ácidas. Membros do elenco discutiram de forma ríspida, contribuindo para piorar o clima nos vestiários. Jogadores e torcedores mantiveram relações tensas, o que prejudicou o clube quando atuou em seu caldeirão. No meio do caminho, houve ainda uma troca de treinador: saiu Laurent Roussey, entrou Alain Pérrin. Com tanta instabilidade, foi um bálsamo a permanência na elite francesa.

O desempenho dos Verdes fora de casa também ajuda a entender porque o time suou para escapar da guilhotina. O Saint-Etienne foi o pior visitante e somou apenas nove pontos longe de seus domínios (duas vitórias, três empates e dez derrotas). Ao menos Bafétimbi Gomis e Ilan repetiram as boas atuações e com seus gols e assistências tiveram papel fundamental na salvação do ASSE. Blaise Matuidi também se destacou por sua regularidade, que fez dele um candidato para as próximas convocações dos Bleus. Já Daisuke Matsui, contratado após uma temporada muito boa no Le Mans, decepcionou por completo e não conseguiu se firmar no meio-campo dos Verdes. Para 2009/10, a tensão continua no ar. A torcida não parece dar mostras de aliviar os protestos contra a diretoria, considerada a grande responsável pela fase de vacas magras da equipe. Há ainda a possibilidade de Gomis e Dabo serem negociados, o que aumentaria ainda mais a ira dos seguidores dos Verdes.

Sochaux

Classificação: 14º (10V, 12E, 16D, 40GP, 48GC)
Artilheiros: Mevlut Erding (11 gols), Vaclav Sverkos (8)
Melhor “garçom”: Mevlut Erding (6 assistências)
Cartões amarelos: 70
Cartões vermelhos: 6
Destaque: Mevlut Erding
Decepção: Francileudo dos Santos

Os Leões mais uma vez deram fortes doses de emoção para sua torcida. Em 2007/08, a equipe escapou por pouco do rebaixamento. Nesta temporada, a situação não foi diferente. O Sochaux deu toda a impressão de que não resistiria à guilhotina devido ao seu péssimo desempenho no primeiro turno. A equipe ganhou apenas dois de seus primeiros 19 jogos e figurou na zona de descenso entre a segunda e a 28ª rodada. O sossego só veio na rodada final, quando uma vitória sobre o Grenoble espantou de vez o fantasma. O 14º lugar na classificação final aparece como uma ilusão, já que o time acabou apenas dois pontos à frente do primeiro rebaixado. No total, o Sochaux esteve entre os três últimos colocados em 27 das 38 rodadas da Ligue 1. Grande parte do alívio da torcida se deveu, de novo, às atuações de Mevlut Erding.

O atacante turco já havia brilhado na temporada passada com seu faro de artilheiro. O Sochaux acertou na mosca ao se esforçar ao máximo para mantê-lo em seu elenco. Não à toa, Erding foi o artilheiro e o líder nas assistências da equipe. A confirmação de sua qualidade, porém, dificulta sua permanência e a torcida deve se preparar para sua saída. O atacante teve um companheiro à altura: Sverkos, contratado no meio da temporada e autor de oito gols. A decepção ficou por conta de Francieludo. O brasileiro, naturalizado tunisiano, tinha a chance de se redimir de sua passagem apagada pelo Toulouse, mas quase nada fez em seu retorno aos Leões. O atacante jogou 15 vezes (sete como titular) e fez só dois gols. Os próximos momentos do Sochaux parecem tenebrosos. O presidente Alexandre Lacombe já avisou que deseja enxugar um elenco que já não era lá grande coisa. Conseguiria a equipe sobreviver a um terceiro ano na briga para não cair?
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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