França

Azuis reais

A seleção francesa parece gostar de grandes desafios. Assim foi contra a Inglaterra em Wembley e diante do Brasil, quando apresentou um futebol convincente. Nas eliminatórias da Eurocopa-2012, os Bleus exibiram uma feição bem diferente e obtiveram a vaga sem convencer muita gente. Agora, veio o amistoso contra a Alemanha, em Bremen. Vitória por 2 a 1 e a prova de que os comandados por Blanc estão, sim, entre os candidatos ao título continental.

Quebrar a invencibilidade de 11 meses dos alemães jogando na casa dos rivais já seria um prêmio grandioso por excelência. Os torcedores, porém, ganharam um belo bônus com o convincente resultado do teste diante de uma das melhores seleções do momento. Os Bleus completaram uma série de 18 partidas sem derrota em uma de suas melhores apresentações sob o comando de Laurent Blanc.

Claro que não dá para transformar a imagem da seleção francesa de uma quase indigente que tentará sobreviver de migalhas na Euro a um rolo compressor formado por jogadores do Harlem Globetrotters futebolístico. Os Bleus continuam em um grupo complicado e devem encontrar dificuldades para obter a vaga para a fase seguinte, mas deixam no ar uma boa esperança.

Há quem possa diminuir a importância da vitória tricolor ao dizer que a Alemanha jogou sem cinco de seus principais jogadores. Além disso, os donos da casa não colocaram o pé no acelerador como esperado. Vale lembrar que a França havia feito exibições quase medíocres contra potências do tamanho de Albânia e Bielorrússia, sem contar a falta de inspiração contra Bósnia, Romênia e Bélgica.

O crescimento do nível de jogo dos Bleus tem uma primeira explicação simples. Contra rivais que não se preocupam apenas em defender, a França encontra os espaços necessários para fazer valer seu bom toque de bola. Contra a Alemanha, por exemplo, tanto Mathieu Valbuena como Mathieu Debuchy (que teve participação nos dois gols franceses) tiveram liberdade para explorar o lado direito do ataque.

O amistoso também serviu como teste perfeito para Olivier Giroud. Artilheiro da Ligue 1, o atacante do Montpellier aproveitou muito bem a ausência de Karim Benzema e mostrou que pode ser uma boa opção no banco de reservas. Sem sentir o peso de ser titular pela primeira vez, ele ganhou bons pontos e subiu bem na luta por uma vaga no elenco que disputará a Eurocopa. A defesa também se saiu bem.

A braçadeira de capitão não pesou para Hugo Lloris, calmo nas saídas de gol e contundente nas disputas com os atacantes rivais. A defesa mostrou-se segura com a dupla Méxès e Rami. A novidade ficou por conta do meio-campo defensivo com a entrada de Florent Malouda. Mesmo em uma posição à qual não está acostumado a atuar, o jogador do Chelsea conseguiu cobrir as deficiências de M’Vila.

Entre os pontos negativos, ficou a decepção por mais uma partida discreta de Samir Nasri e Franck Ribéry. Enquanto o primeiro destoou no meio-campo por estar fora de sintonia no tempo de bola, o segundo mais uma vez foi burocrático na esquerda. Para piorar, Ribéry se lesionou e não parece perto de recuperar seu melhor nível.

Eletrizante

Foi um jogo como há tempos não se via na Ligue 1. Lyon e Paris Saint-Germain disputaram um duelo memorável no estádio Gerland com todos os ingredientes necessários para um grande espetáculo: gols à vontade, reviravoltas, equipes dispostas à entrega total e altas doses de emoção. Se ao apito final os torcedores demoraram para recuperar o fôlego após o incrível 4 a 4, o time da capital caiu em si: a liderança já mais lhe pertencia.

Como em tudo há sempre um lado ruim, a partida teve um outro viés preocupante para os mais críticos. Para quem tem altas ambições nesta temporada, as defesas de PSG e OL tiveram atuações catastróficas. Para os lioneses, os lamentos são ainda maiores, já que o time teve duas vezes uma vantagem de dois gols no placar (3 a 1 e 4 a 2). No fim do jogo, sobrou para a arbitragem, alvo de muitas reclamações e que nada tinha a ver pela falta de equilíbrio do setor defensivo do Lyon.

Por parte do Paris Saint-Germain, Carlo Ancelotti viu sua equipe oscilar demais. No primeiro tempo, principalmente, o posicionamento defensivo beirou o caos. Pelo visto, nem mesmo a chegada dos reforços contratados no início do ano serviu para corrigir o crônico problema no setor. Por outro lado, a escolha de Guillaume Hoarau no lugar de Kévin Gameiro entre os titulares foi o golpe de sorte necessário para salvar a noite.

Os parisienses entraram em campo pressionados após a vitória do Montpellier sobre o Bordeaux por 1 a 0. O time da capital abriu 1 a 0, mas levou incríveis três gols ainda no primeiro tempo. Pelo menos Nenê diminuiu nos acréscimos e o intervalo se mostrou uma oportunidade única para Ancelotti puxar a orelha de seus comandados. A bronca deu resultado, pois a hemorragia defensiva vista na etapa inicial foi estancada, ao menos parcialmente.

O vírus da defesa esburacada contaminou o Lyon, que permitiu a reação do PSG. Péssimo para o OL, que perde contato com os pretendentes a uma vaga na próxima edição da Liga dos Campeões. Ruim para o time da capital, ultrapassado pelo Montpellier, novo líder da Ligue 1. No entanto, diante das circunstâncias, um resultado a ser muito comemorado e que pode motivar o elenco a manter o foco mesmo tendo ficado para trás.

O MHSC continua em plena forma, embora tenha exibido um futebol menos vistoso do que o apresentado na semana anterior no empate por 2 a 2 com o PSG no Parc des Prnces. O Montpellier teve mais dificuldades para fazer valer seu domínio da partida, além de o Bordeaux incomodar bastante com uma boa atuação de Obraniak.

O artesão da vitória crucial para o Montpellier se chama Marco Estrada. O chileno teve participação intensa no meio-campo, com mais de 60 jogadas passando por seus pés. Além de cobrir muito bem os avanços de Belhanda e Giroud, ele ainda deu a assistência para o gol de Utaka. O MHSC vive momento iluminado e tem boas chances de se manter na ponta, já que enfrenta rivais bem mais modestos nas rodadas seguintes (Dijon, Caen e Nancy).
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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