Atchim!

A Ligue 1 se preparava para viver mais um clássico entre Olympique de Marselha e Paris Saint-Germain quando, a poucas horas do início do jogo, veio a bomba. Ou melhor, o espirro. O duelo no Vélodrome foi adiado devido ao surto de gripe suína que acometeu o elenco do time da capital. Pela primeira vez, um jogo da primeira divisão foi cancelado devido à doença. Um alerta de que o vírus H1N1, embora tenha sumido um pouco dos noticiários, continua bem ativo por aí.
Um dia antes, o PSG havia confirmado dois casos de jogadores doentes (Ludovic Giuly e Mamadou Sakho). Outros membros do elenco e da comissão técnica da equipe também apresentavam sintomas da doença. Já seriam motivos suficientes para se tomar uma atitude com relação ao clássico, mas os dirigentes da Ligue de Football Profissionel (LFP) resolveram bater o pé e manter a realização da partida.
Passaram-se 24 horas e o período somente confirmou que a prudência deveria prevalecer neste caso. Jérémy Clément também estava com gripe suína – isso sem contar as suspeitas de que Loris Arnaud também teria contraído a doença. Resultado: diante das circunstâncias, a LFP não teve outro jeito se não cancelar o jogo no Vélodrome em cima da hora. A decisão tardia, claro, teve suas consequências.
Se nas primeiras horas do dia tem-se confirmada a realização do jogo, obviamente a torcida do PSG viajará com antecedência para Marselha para acompanhar seu time. A rivalidade com os marselheses já seria o bastante para se imaginar um clima tenso pelas ruas da cidade. Quando saiu a notícia de que não haveria mais jogo, foi como se fosse autorizado o início da batalha entre as torcidas.
Sem ter o que fazer na cidade, os torcedores do PSG logo arrumaram uma “diversão”, ainda mais com a “disposição” dos seguidores do OM. Então, viu-se o velho filme de selvageria e vandalismo passar diante dos olhos de todos – menos dos dirigentes da LFP, que tomaram uma decisão de risco sem analisar o que poderia ocorrer. Agora, eles pegaram uma bela dor de cabeça – e não há Tamiflu forte o bastante para curá-la.
Em campo
Gripe suína à parte, a rodada da Ligue 1 apresentou um febril Lyon cair diante do Nice de goleada. Os 4 a 1 impostos pelos Aiglons tiraram o OL da liderança, mas os lioneses pareciam pouco se importar. O principal da semana estava garantido – a vitória por 2 a 1 de virada sobre o Liverpool em pleno Anfield pela Liga dos Campeões. Restou ao time se arrepender de liberar Rémy, negociado pela equipe com o OGC e responsável direto pelo belo triunfo.
No Lyon, o treinador Claude Puel trocou os pés pelas mãos desta vez. O treinador contribuiu de forma negativa para a queda dos lioneses ao deixar seu time completamente exposto no segundo tempo. Na primeira etapa, o Lyon sofreu diante de um adversário compacto, sólido na defesa e com Rémy inspirado no ataque. Ele teve participação direta nos dois primeiros gols dos donos da casa, que forçaram Puel a testar uma nova formação para os 45 minutos finais.
Em vez de seu tradicional 4-3-3, o treinador achou melhor arriscar e deixou a equipe num 3-5-2. A entrada de Éderson, em uma tentativa de deixar o time mais ofensivo, revelou-se um completo desastre. Além de o OL não cumprir com seu papel, diante de uma eficiente marcação, o clube deixou espaços demais para que o Nice aproveitasse para ampliar sua vantagem.
A ressaca da LC, porém, não atingiu o Bordeaux. Os girondinos, vencedores do duelo contra o Bayern de Munique, motivaram-se após dois tropeços consecutivos no campeonato para retomar a liderança. Em casa, o time não encontrou dificuldades para derrotar o Le Mans por 3 a 0 e apresentar um futebol de qualidade.
Laurent Blçanc recorreu ao seu 4-4-2, com o meio-campo em losango, para dominar os visitantes sem sustos. Tanto na parte coletiva como na individual, os Marine et Blanc também tiveram uma exibição acima da média. Só no primeiro tempo, o Bordeaux teve a bola a seus pés em 72% do tempo, o que explica a tranquilidade da equipe para chegar ao resultado – e, mais importante, voltar à ponta.
Semana da França na LC
Após o triunfo do Lyon sobre o Liverpool, Bordeaux e Olympique de Marselha completaram a festa tricolor na LC. Enquanto os girondinos bateram o Bayern de Munique por 2 a 1 e se consolidaram na liderança da chave, os marselheses mantiveram as esperanças de classificação com a vitória por 1 a 0 sobre o Zürich fora de casa.
Poderia ser de goleada. O Bordeaux se deu ao luxo de perder dois pênaltis, mas mesmo assim a equipe bateu o Bayern de Munique por 2 a 1. Um belo resultado, levando-se em conta o fato de que o time alemão é um dos favoritos a passar para as oitavas de final. Chamou a atenção a maturidade apresentada pelos girondinos, que não se deixaram abalar para o gol contra de Ciani logo no começo.
Aos poucos, os donos da casa impuseram seu ritmo de jogo, obtiveram o empate com o mesmo Ciani e ainda viram o Bayern ficar com um a menos em campo após a expulsão de Müller. O Bordeaux acabou um pouco prejudicado pela prudência de Blanc, que escalou a equipe em um 4-2-3-1 cauteloso, com Chamakh isolado no ataque. Mesmo assim, o clube virou com o atacante marroquino.
Aliás, no segundo tempo, Chamakh não teve medo de encarar a retranca bávara e sofreu os dois pênaltis, perdidos por Gourcuff e Jussiê. Trémoulinas, com seus avanços perigosos pela esquerda, deixou a defesa do Bayern atônita. Embora não tenha sido perfeito, o Bordeaux deu sinais de sangue frio para virar o placar diante de um rival de peso. Blanc fez o time evoluir a grandes passos.
Na Suíça, os donos da casa vinham empolgados pelo surpreendente triunfo por 1 a 0 sobre o Milan em pleno San Siro na rodada anterior. O Olympique de Marselha, por sua vez, jogava sua vida em campo. O time havia perdido seus dois primeiros jogos e um novo tropeço deixaria tudo ainda pior. Em uma partida de baixo nível técnico, o OM saiu vencedor, mas precisa evoluir se quiser sonhar alto.
Didier Deschamps preparou uma surpresa ao escalar uma defesa modificada, com a entrada de Heinze pela lateral-esquerda. Antes de o argentino fazer o gol da vitória, porém, os espectadores foram punidos com um jogo ruim. O Zürich estava mais preocupado em cometer faltas do que propriamente jogar bola. Já o OM sentia dificuldades para ir à frente e criar alguma coisa de útil.
No segundo tempo, o treinador teve o mérito de mudar um pouco o panorama da partida ao promover as entradas de Abriel e Koné. O Olympique ficou um pouco mais ofensivo, sem mudar grande coisa, mas ao menos garantiu a vitória que lhe dá alguma sobrevida. Resta agora secar Real Madrid e Milan, mas isso já vai além dos limites do pensamento positivo.


