Ataque de riso

A estréia da França na Eurocopa entediou a torcida. O empate sem gols contra a Romênia deixou uma impressão ruim, dada a completa apatia ofensiva demonstrada pelos Bleus. Enquanto a defesa cumpria bem seu papel, sem deixar os romenos criarem jogadas de perigo, o setor ofensivo foi motivo de piada. Apesar dos esforços de Ribéry, de nada adiantou ter Anelka e Malouda em campo, duas presenças quase fantasmagóricas em campo. Uma prova de que nem tudo está assim tão bem na casa francesa.
Na partida contra a Romênia, Raymond Domenech foi obrigado a deixar Henry no banco de reservas. O atacante ainda não havia se recuperado completamente de problemas físicos e, por isso, a dupla titular foi formada por Anelka e Benzema. Nos amistosos anteriores, os atacantes de Barcelona e Lyon formaram a parceria ofensiva, com um resultado bastante promissor. Há alguns ajustes para se fazer quanto ao posicionamento deles (por vezes eles costumam ocupar o mesmo espaço em campo), mas indiscutivelmente entendem-se bem melhor do que com a presença de Anelka.
Nesta hora se lamenta a presença de Trezeguet entre os 23. Mesmo com todas as birras de Domenech para com o atacante da Juventus, não dá para se desprezar seu talento, sua presença de área e capacidade de finalização superiores ao quadrado quando comparado com Anelka. ‘Trezegol’ poderia ficar no banco de reservas durante toda a Eurocopa, mas seria bem mais útil do que o camisa oito. Enquanto se mantém firme em suas teimosias, o técnico colhe os frutos da ineficiência de seu ataque. Obviamente, o problema não está apenas em Anelka.
Embora conte com Ribéry em muito boa forma, fica difícil querer apostar suas fichas exclusivamente nos avanços do meia do Bayern de Munique. Ele se mostra presente todo o tempo, força jogadas em velocidade pelas pontas, na tentativa de abrir espaços, mas precisa de companhia. No esquema montado por Domenech, Malouda atua mais recuado, mais ao lado de Toulalan do que próximo ao ataque. Seja do ponto de vista ofensivo ou defensivo, dá no mesmo, pois o jogador do Chelsea parece perdido em qualquer posição.
Por conta desses problemas, a França praticamente não incomodou Lobont na estréia. Foram necessários os lampejos de Ribéry para sair alguma jogada digna de nota, com Benzema como protagonistas das raras finalizações dos Bleus. Uma possível solução para esta ‘seca’ ofensiva seria a saída de Malouda da equipe, com duas opções de substituto. Na primeira, Nasri se incumbiria de ajudar Ribéry a municiar o ataque. A outra seria colocar Govou para cair pela ponta, como faz no Lyon, e deixar os Bleus com uma saída de bola mais rápida para o ataque.
Se o ataque mostrou problemas, a defensiva francesa merece elogios. Toulalan segue em evolução, apesar de mostrar alguma afobação no combate. Pelo menos ele tem a cobertura de Makélélé para qualquer eventualidade, e esta dupla de volantes impediu que os romenos criassem jogadas de maior perigo. Coupet mal teve trabalho, dadas as dificuldades encontradas pelos adversários para passar pela muralha azul.
Domenech acenou com a possibilidade de fazer até quatro mudanças para enfrentar a Oranje, no duelo decisivo da segunda rodada. Com Henry e Vieira recuperados de seus problemas físicos, há a tendência de que eles entrem em campo nos lugares de Anelka e Toulalan. Com o meia da Internazionale em ação, os Bleus ganham na qualidade do passe, o que já amenizaria o problema da ligação com o ataque, sem perder a força no combate – ainda mais diante de uma Oranje de toques velozes, como se viu na estréia vitoriosa diante da Itália campeã mundial.
Mesmo em fase discreta, Henry tem mais cacife do que Anelka, movimenta-se mais e deixa Benzema mais à vontade, por isso sua entrada no lugar do camisa oito se mostra natural. Uma dupla Henry-Anelka, que mostrou ser interessante em algumas partidas, não parece ser a melhor opção agora, dado os momentos atuais de cada um deles. Se quiser, o treinador pode também tirar Malouda, com um ganho de vida pelo lado esquerdo. Domenech só precisa deixar um pouco suas convicções de lado para observar as reais necessidades da seleção.
Balanço da temporada – III
Na parte final da análise de como foi a última edição da Ligue 1, há a volta do Saint-Etienne à disputa de uma competição continental e a decepcionante campanha do Metz, lanterna por vocação desde o pontapé inicial. O Auxerre viveu uma transação difícil; já Le Mans e Lorient têm motivos para comemorar suas evoluções. Por fim, o Lyon conquistou duas taças, mas nem por isso deve se orgulhar de seu desempenho. Os heptacampeões se enfraqueceram e tiveram seu domínio ameaçado.
Auxerre
Campanha: 15º (44PG, 12V, 8E, 18D, 33GP, 52GC)
Artilheiro: Daniel Niculae (11 gols)
Melhor garçom: Kahlenberg (5 assistências)
Cartões amarelos: 64
Cartões vermelhos: 3
Destaque: Niculae
Decepção: falta de apoio da torcida
O AJA sabia desde o começo que viveria um ano muito difícil. As saídas de Bacary Sagna, Younes Kaboul, Benoît Cheyrou, Kanga Akalé e Lionel Mathis acabaram por enfraquecer um elenco sem muitos atrativos a oferecer. Como os reforços contratados pelo clube demoraram para pegar no breu e o treinador Jean Fernandez hesitava em construir um sistema de jogo sólido, o Auxerre realmente não tinha muitas esperanças para se dar bem na Ligue 1. Um bom panorama de como este período de estiagem seria longo foi exibido nas sete primeiras rodadas. O time venceu apenas uma vez, perdeu seis e marcou um mísero gol. Sua melhor classificação na tabela foi um nada encorajador 13º lugar, com o convívio quase diário com o fantasma do rebaixamento. Não poderia ser diferente para uma equipe cuja defesa foi a quarta mais vazada e seu ataque se tornou motivo de riso, com uma média inferior a um gol marcado por partida (foi o terceiro pior desempenho neste quesito entre os 20 participantes).
As marcas teriam sido ainda piores caso alguns jogadores deixassem de carregar o piano. A contratação por empréstimo de Sammy Traoré do Paris Saint-Germain trouxe um pouco mais de estabilidade à defesa, e a partir daí a equipe começou a ganhar alguns jogos. Daniel Niculae, sozinho, marcou um terço dos gols do AJA. Nada mal para o atacante romeno, mais à vontade após passar por uma temporada de adaptação em 2006/07 (marcou quatro gols em 30 jogos). Falta-lhe ainda um pouco mais de regularidade – ele ficou sem balançar as redes a partir da 31ª rodada, logo em um momento crucial para o Auxerre em sua luta contra o descenso. Com tantos problemas, o torcedor preferiu encontrar outros passatempos do que freqüentar as arquibancadas do Abbé-Deschamps. O time registrou o pior público da temporada na Ligue 1 (6.548 pessoas assistiram ao duelo com o Nancy), a pior média de público (10.591) e a mais baixa taxa de ocupação da capacidade total de seu estádio (45,05%). Está na hora de repensar conceitos no Auxerre.
Le Mans
Campanha: 9º (53PG, 14V, 11E, 13D, 46GP, 49GC)
Artilheiro: Túlio de Melo (13 gols)
Melhor garçom: Sessegnon (6 assistências)
Cartões amarelos: 67
Cartões vermelhos: 6
Destaque: Matsui
Decepção: eliminação na Copa da Liga
Aos poucos, o Le Mans consegue se firmar como uma das equipes com maior potencial da França. O clube completou sua terceira temporada consecutiva na Ligue 1 e obteve a melhor classificação de toda a sua história no torneio. Por mais arrogante que pareça, o nono lugar acabou com um gostinho de decepção, pois o clube passou 34 das 38 rodadas entre os oito primeiros, até com boas possibilidades de se classificar para a Copa Uefa. No início, o time estava mais preocupado com os rumos da construção de seu novo estádio e com os planos para aprimorar sua infra-estrutura. Talvez fosse um indício de pé no freio, mas o desempenho do time logo mostrou a evolução a passos largos. As saídas do treinador Frédéric Hantz e de Grafite, seu principal jogador, davam a impressão de que o estilo ofensivo do clube em nada mudou. Melhor para os torcedores, cada vez mais confiantes de um futuro de brilho.
Rudi Garcia manteve a vocação para o ataque de seus comandados, com um estilo de jogo agradável aos olhos. O trio formado por Túlio de Melo, Matsui e Sessegnon marcou 23 gols, metade do total da equipe. No entanto, pagou o preço de não cuidar tanto assim de seu sistema defensivo. Apesar da qualidade do goleiro Yohann Pelé e da segurança do defensor Marko Basa, o MUC 72 tomou 49 gols, sendo a sexta defesa mais vazada. A se lamentar apenas a eliminação da Copa da Liga, quando perdeu por 5 a 4 para o Lens em um jogo eletrizante. Pelo terceiro ano seguido, o Le Mans caiu nas semifinais do torneio. Com as obras do MMArena previstas para terminarem em 2009, a preocupação do clube agora recai sobre o mercado de transferências. Matsui e Túlio de Melo já saíram do clube (acertaram com Saint-Etienne e Palermo, respectivamente). Sessegnon, último vértice do ataque matador, também corre o risco de ir embora. Se demonstrar a mesma maturidade para contratar substitutos do que a exibida para montar planos de sucesso, o MUC 72 incomodará mais ainda em 2008/09.
Metz
Campanha: 20º (24PG, 5V, 9E, 24D, 28GP, 64GC)
Artilheiro: Gueye (6 gols)
Melhores garçons: Agouazi, Gueye (3 assistências)
Cartões amarelos: 76
Cartões vermelhos: 4
Destaque: Pjanic
Decepção: o resto
Os Grenás haviam criado uma boa expectativa para 2007/08. O clube retornava à primeira divisão após garantir o acesso com cinco rodadas de antecedência. Claro, não era de se esperar uma campanha dos sonhos, mas o desempenho do Metz beirou o ridículo. Ao final do primeiro turno, o clube perdeu 14 de suas 19 partidas. Ganhou apenas um jogo e empatou os quatro restantes. Para completar, nenhum desses pontos na metade inicial da competição foi conquistado em casa. Com a lanterna firme nas mãos, cabia ao clube pelo menos tentar salvar um pouco do seu filme carbonizado. O campeão da Ligue 2 de forma absoluta retorna ao campeonato somente um ano depois de passar um papelão na elite. A aposta em um elenco jovem e inexperiente logo se revelou desastrosa. A defesa, ponto forte da equipe na temporada anterior, tornou-se um verdadeiro convite para os ataques adversários. Por falar em força ofensiva, jogar com o Metz era quase uma garantia de não sofrer gols. Ataque mais inofensivo, defesa mais vazada, clube mais vezes derrotado… Quase não dá para ver algo para se elogiar.
Houve pelo menos alguma alma que se salvou no meio de tantos pesadelos. O jovem Miralem Pjanic foi considerado como uma das melhores promessas da temporada. Com 18 anos, o bósnio assegurou sua transferência para o Lyon por € 8 milhões. Esse dinheiro, que faltou no começo de 2007/08 para a contratação de reforços de maior peso, deve agora ser usado para montar um bom elenco para a Ligue 2. A segunda divisão costuma cegar. O técnico Francis De Taddeo foi eleito o melhor da segundona, mas durou pouco tempo entre os leões. Yvon Pouliquen assumiu uma equipe que não tinha mais nada a perder e conseguiu um ou outro bom resultado. No entanto, um clube que passa a freqüentar a zona de rebaixamento desde a 4ª rodada do campeonato e de lá nunca mais saiu não merece outra coisa senão lamentos. Se as atuações em campo foram de doer, o caso de racismo de um torcedor do clube contra Abdeslam Ouaddou, do Valenciennes, arremessou de vez o nome do clube no limbo.
Saint-Etienne
Campanha: 5º (58 PG, 16V, 10E, 2D, 47GP, 34GC)
Artilheiro: Gomis (16 gols)
Melhor garçom: Landrin (6 assistências)
Cartões amarelos: 69
Cartões vermelhos: 4
Destaque: Gomis
Decepção: Nivaldo
O destino parecia reservas aos Verdes lembranças bastante amargas de 2007/08. Em fevereiro, o clube ocupava a 16ª posição, ameaçado pelo rebaixamento. A derrota por 3 a 0 para o Strasbourg colocou o ASSE em situação complciada, mas a equipe reagiu de forma incrível. Logo depois da derrota para o Racing, o Saint-Etienne teve pela frente o Nancy, então donos da melhor defesa do campeonato. O caldeirão de Geoffroy-Guichard viu uma atuação impecável e uma goleada de 4 a 0, marco da arrancada na reta final da Ligue 1. A quinta colocação devolveu ao clube um gostinho que não era sentido há 26 anos: o de disputar uma competição européia. Classificada para a Copa Uefa, a equipe conqusitou mais um degrau na recuperação de seu prestígio. Nada mal para um clube que começou o campeonato de forma instável e com muitas oscilações durante sua campanha.
As dificuldades encontradas no início da temporada têm uma explicação. O treinador Laurent Roussey tinha em mãos um elenco formado por jogadores jovens, formados nas categorias de base do próprio clube. Além deles, alguns reforços contratados para desempenhar funções-chave. A mistura demorou para fazer liga, mas foram necessárias muitas cobranças para que isso acontecesse (o treinador até falou em ‘paródia de futebol’ para se referir à falta de empenho de seus atletas). As broncas deram certo: em casa, o Saint-Etienne continuou temido e bateu um recorde: tomou apenas quatro gols no Geoffroy-Guichard. Bafétimibi Gomis, que havia ameaçado deixar a equipe no meio da temporada, preferiu ficar e acabou recompensado. Seus 16 gols chamaram a atenção de Raymond Domenech, que o incluiu na lista de convocados dos Bleus para a disputa da Eurocopa. Com o objetivo inicial de ficar entre os oito primeiros atingido, os Verdes agora preparam a médio prazo o plano de se classificar para a Liga dos Campeões. Se mantiver Gomis, que renovou seu contrato, outros jogadores importantes como Feundouno e Landrin e se reforçar (Matsui traz muita esperança de fortalecer um já interessante setor ofensivo), não se trata de um sonho que demorará muito para se concretizar.
Lorient
Campanha: 10º (52PG, 12V, 16E, 10D, 32GP, 35GC)
Artilheiro: Saïfi (14 gols)
Melhor garçom: Morel (4 assistências)
Cartões amarelos: 36
Cartões vermelhos: 0
Destaque: Saïfi
Decepção: Jacobsen
Sem nunca ser realmente ameaçado pelo rebaixamento, o Lorient cumpriu uma campanha digna na Ligue 1. Os Merlus sentiram até mesmo o gostinho de liderar o torneio – na quarta rodada, a equipe estava no topo da tabela com vitórias sobre Monaco, Paris Saint-Germain e até mesmo Lyon. A empolgação inicial se apagou até a 13ª rodada, quando ficou sem vencer, empatou cccinco vezes e perdeu outras quatro. Aos poucos, o Lorient se reequilibrou e, embora não fosse brilhante, também passou longe de ser ridículo. O lado negativo ficou por conta da ineficiência de seu ataque. Os Merlus marcaram apenas 32 gols, uma média inferior a um por partida. Tal marca só não superou a do Metz, mas a concorrência foi brava: os Grenás marcaram apenas quatro vezes a menos. Essa falta de força ofensiva complicou a equipe, que poderia sonhar com uma posição melhor se melhorasse nesse quesito.
Por outro lado, a defesa do time se mostrou eficiente. O Lorient foi o quarto clube que menos tomou gols na Ligue 1 (35), número melhor do que o do campeão Lyon (37). Outro fato a se destacar fica por conta da disciplina do time. Os Merlus levaram o prêmio ‘fair play’ pelo baixo número de cartões recebidos (apenas 36 amarelos e nenhum vermelho). No entanto, Saïfi merece o reconhecimento por sua volta por cima. O jogador, de 33 anos, mostrou novamente seu valor ao atender uma recomendação do técnico Christian Gourcuff: deixar o meio-campo para se tornar um atacante. A mudança lhe fez muito bem. Saïfi foi o artilheiro do clube no campeonato, com quase metade do total de gols feitos pelo Lorient. Em 2008/09, a equipe vai para sua terceira temporada consecutiva na elite, um feito histórico. Com uma provável boa orientação de Gourcuff para elaborar uma lista viável de reforços, os Merlus podem sonhar com um projeto mais ousado.
Lyon
Campanha: 1º (79PG, 27V, 7E, 7D, 74GP, 37GC)
Artilheiro: Benzema (20 gols)
Melhor garçom: Juninho Pernambucano (7 assistências)
Cartões amarelos: 58
Cartões vermelhos: 3
Destaque: Benzema
Decepção: Delgado
A inédita dobradinha conquistada com os títulos da Ligue 1 e da Copa da França ajuda a esconder a frustração com a temporada dos lioneses. Em 2007/08, o domínio do OL na França foi colocado em dúvida. O time não conseguiu encantar como nos anos anteriores, mais uma vez fracassou na Liga dos Campeões, quase deixou escapar o título nacional por incompetência própria e errou a mão até mesmo em algo no qual se considera top: a contratação de reforços. Está nítido o desgaste de um elenco cada vez mais desunido, como ficou comprovado com alguns problemas extra-campo. Embora os troféus preencham o salão nobre do clube, ficou evidente a necessidade de mudança de rumos, com uma drástica renovação do grupo.
A chegada de Alain Pérrin para comandar o time parecia trazer ares novos. As saídas de Malouda, Abidal e Tiago pareciam ser cobertas com as contratações de Grosso (campeão mundial com a Itália), Bodmer e Keita (os dois maiores destaques do Lille). De cara, o OL viu sua temporada começar de forma estranha com a perda de Coupet e Cris, seus pilares defensivos, com graves lesões no joelho. Veio Anderson, com o reserva Vércoutre no gol. Para completar o desastre, Pérrin quis montar o time no 4-4-2, uma experiência desastrosa como se viu nos duelos da LC contra Barcelona e Rangers (duas derrotas por 3 a 0, sendo que o time escocês passeou em Gerland). O técnico se viu forçado a retornar para o 4-3-3, perdeu prestígio e ainda viu seus jogadores e até mesmo a diretoria não lhe darem muita bola. Agora, pipocam nomes para substitui-lo, com Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari entre os cotados.
Aos trancos e barrancos, aos poucos o Lyon conseguiu uma estabilidade, até mesmo por conta do abismo que o separa dos demais times da Ligue 1. Embora não tenha sido brilhante, o clube esteve um degrau acima dos concorrentes, o mínimo necessário para ficar no topo da tabela. A defesa, crucificada principalmente nas bobagens cometidas por Anderson, ainda perdeu Müller, machucado. Como os reforços pouco contribuíam para a evolução deste setor (Grosso decpecionou demais), foi necessária a recuperação de Cris e Coupet no segundo turno para, enfim, haver alguma garantia de segurança. Se atrás havia uma bagunça, pelo menos o ataque se salvou, muito pela figura de Karim Benzema.
O atacante deve agradecer demais a Fred por ter as oportunidades necessárias para se tornar titular e ser elevado à condição de o maior atacante em ação na Ligue 1 – isso sem contar as convocações para os Bleus. O brasileiro entrou em litígio com o clube por conta de uma contusão sofrida na preparação para a Copa América e queria ir embora. Quando percebeu que seria melhor jogar bola em vez de bater cabeça com a diretoria, Fred voltou a marcar gols e formou uma boa dupla com Benzema.
Na LC, embora tenha enfrentado o futuro campeão Manchester United nas oitavas-de-final, o Lyon só se classificou por arrancar uma vitória na Escócia sobre o Rangers, na última rodada. A equipe também titubeou demais na Ligue 1. Ao vencer o Bordeaux por 4 a 2 na 28ª rodada, o Lyon abriu uma vantagem de nove pontos para os girondinos. A confortável distância aos poucos diminuiu, chegou a ficar em dois pontos e deixou as emoções para definir o campeão na rodada final. Para quem anuncia ambiciosos planos para dominar a Europa, passar por apuros desse nível soa como uma grande decepção.
Por falar nisso, César Delgado e Marc Crosas foram contratados em janeiro, mas passaram completamente incógnitos. A chegada destes dois resume como o Lyon se equivocou demais na temporada e pagou o preço por isso. A montagem do grupo para 2008/09 parece promissora, mas os lioneses novamente gastaram fortunas para trazer Éderson, Pjanic e Lloris. A saída de Coupet e o cada vez mais provável fim da passagem de Juninho Pernambucano indicam novos tempos, mas eles somente se concretizarão se o clube não subir no pedestal da arrogância, como ensaiou nesat temporada.


