Apresentação da temporada (I)
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A partir desta semana, a coluna traça um perfil dos 20 participantes da Ligue 1. Confira as principais contratações, a expectativa de cada clube para a temporada 2009/10 e a análise dos times.
Auxerre
Colocação em 2008/09: 8º
Técnico: Jean Fernandez
Principal jogador: Ireneusz Jelen
Competição continental que disputa: nenhuma
Objetivo na temporada: vaga na Liga Europa
Na última temporada, o Auxerre fez uma campanha bastante discreta. Apenas na reta final a equipe conseguiu uma boa sequência e, com seis vitórias consecutivas, terminou a Ligue 1 em oitavo lugar. Para 2009/10, a ordem continua sendo assegurar a permanência na elite o mais cedo possível. Só então o time se pode dar o direito de sonhar com alguma pretensão maior. Pelo menos o torcedor do AJA tem algum motivo para iniciar esta temporada com esperanças. A equipe manteve três de seus principais jogadores, ao menos por enquanto: Pedretti, Jelen e Birsa. Contudo, não deu para segurar Kahlenberg. O meio-campista dinamarquês deixou o elenco para se transferir para o Wolfsburg, atraído pela chance de disputar a Liga dos Campeões. A maior mudança, porém, ocorre fora das quatro linhas. Depois de 46 anos na presidência do clube, Jean-Claude Hamel deixou o cargo e foi substituído por Alain Dujon.
A saída de Kahlenberg, principal articulador do time, deve forçar Licata a jogar de forma mais ofensiva para compensar a ausência do dinamarquês. Pedretti, com isso, deve ficar sobrecarregado na tarefa de armar a equipe, e não se sabe se ele terá condições de aguentar tamanha responsabilidade. O desempenho dele será fundamental para o sucesso do ataque do AJA, com um Jelen em ótima forma no final da temporada. Só que de nada adiantará o polonês estar sedento por gols se a bola não chegar até ele com qualidade. Como o clube também não fez tantas compras assim, pode precisar de ajustes no meio do caminho. Os planos do Auxerre para 2009/10 estão marcados pela modéstia. Se der, terminar o campeonato na metade de cima da tabela já estará de bom tamanho, mas que seja com uma regularidade bem maior do que na Ligue 1 anterior.
Nice
Colocação em 2008/09: 9º
Técnico: Didier Ollé-Nicolle
Principal jogador: Loïc Rémy
Competição continental que disputa: nenhuma
Objetivo na temporada: vaga na Liga Europa
Nos quatro últimos campeonatos, o Nice terminou entre os dez primeiros colocados em três oportunidades. O Nice busca manter esta boa média e até se dar o direito de sonhar com uma eventual classificação para a Liga Europa. Isto até poderia ter acontecido em 2008/09, mas o fim de temporada ridículo da equipe frustrou as chances de uma provável vaga no torneio continental. As esperanças do sucesso ficam por conta da renovação vista no elenco, a começar pelo treinador. Frédéric Antonetti deixou a equipe e foi substituído por Didier Ollé-Nicolle. Em termos de elenco, o OGC espera se dar bem com um grupo mais jovem. Em campo, os Aiglons precisam mostrar sucesso logo, pois um de seus setores foi completamente reformulado.
A defesa se tornou a principal incógnita do Nice para a próxima temporada. Kanté, Hognon, Jeunechamp e Rool, titulares e figuras importantes do elenco, já não fazem mais parte do grupo. Cabe a Ollé-Nicolle a missão de formar um sistema defensivo completamente novo e que transmita segurança aos demais companheiros. Se o novo treinador precisa quebrar a cabeça para formar uma defesa sólida, na frente ele deve ficar bem mais tranquilo. O OGC manteve Rémy, uma grata surpresa para quem havia sido colocado de lado pelo Lyon. O atacante custou € 8 milhões e chegou cercado de desconfiança, mas respondeu com muitos gols e boas exibições. O OL tardiamente quis ter o jogador de volta e ofereceu € 15 milhões, mas os rubro-negros fecharam as portas. Sem dúvida, uma das melhores coisas feitas pelo Nice a favor de um bem desempenho na próxima Ligue 1.
Lorient
Colocação em 2008/09: 10º
Técnico: Christian Gourcuff
Principal jogador: Kévin Gameiro
Competição continental que disputa: nenhuma
Objetivo na temporada: ficar no meio da tabela
Os Merlus nunca esconderam suas verdadeiras ambições na Ligue 1. A equipe sabe não ter condições de lutar pelas primeiras colocações com concorrentes de peso, mas também está alguns níveis acima daqueles que apenas lutam para fugir do rebaixamento. Portanto, o Lorient se assume um clube de meio de tabela e se orgulha desse status. Pode soar um discurso conformista, mas o time se preocupa mesmo em se manter como um bom coadjuvante. Após terminar o campeonato duas vezes seguidas em 10º lugar, o time se prepara para mais um ano mediano. No entanto, as dificuldades parecem ser um pouco grandes. O treinador Christian Gourcuff terá que partir quase do zero, pois o elenco sofreu grandes mudanças.
Figuras importantes como Le Pen, Saïfi, Jallet e Ciani se despediram da equipe, mas nenhuma ausência será tão sentida como a de Abriel. O meio-campista trocou o Lorient pelo Olympique de Marselha e deixa o setor órfão de alguém com capacidade de organização. E Gourcuff não deve esperar grandes reforços, pois o clube não se mostrou disposto a gastar muito na janela de transferências. Desde já, Monterrubio se candidata como provável substituto, mas resta saber se ele terá a constância que sempre lhe faltou ou viverá os costumeiros altos e baixos. Pelo menos o desmanche não atingiu Gameiro. Principal artilheiro e assistente do clube na temporada passada, o atacante permaneceu nos Merlus e sua parceira com Vahirua deve render preocupações extras às defesas adversárias. Com 22 anos, ele ainda tem margem para evolução, o que enche de esperanças a torcida do Lorient.
Monaco
Colocação em 2008/09: 11º
Técnico: Guy Lacombe
Principal jogador: Juan Pablo Pino
Competição continental que disputa: nenhuma
Objetivo na temporada: ficar no meio da tabela
O time do principado se acostumou a dizer nos últimos anos que vive um período de transição. No entanto, esta época parece nunca ter fim. O clube já ficou ameaçado pelo rebaixamento e demonstra se recuperar em um ritmo lento demais das campanhas de pouco brilho. O 11º lugar de 2008/09 reflete um pouco esta mentalidade. Se o trabalho do treinador Ricardo Gomes pode ser questionado em alguns pontos, em outro está a resposta para o que esperar do ASM para 2009/10. Sem tantas pretensões na Ligue 1 anterior, e também pela necessidade, o técnico abriu espaço para jovens jogadores se exibirem na vitrine. Gomes foi para o São Paulo, mas em seu lugar o clube contratou alguém que sabe como trabalhar com jovens talentos: Guy Lacombe.
O novo técnico já assumiu o discurso de que ‘este não será o ano do Monaco’. Mesmo que esta não seja uma grande novidade, há de se esperar pela formação de uma equipe mais sólida. Lacombe espera acelerar o processo de amadurecimento de jovens como Pino, Mollo e N’Koulou – este último forma com Mongongu o miolo de zaga mais jovem da Ligue 1. Se Pino mantiver sua evolução (o meio-campista colombiano provou ser polivalente em todas os postos ofensivos), o Monaco deve esperar bons resultados. Contudo, jovens costumam oscilar demais, e isto pode comprometer as ambições do time. Para evitar surpresas, seria necessário contar com alguns jogadores mais experientes para fazer um contrapeso. Puygrenier e Nenê acrescentam qualidade ao elenco, mas seria preciso alguém para este mesmo papel no meio-campo. Lacombe também precisará lidar com a incrível capacidade da direção do Monaco em exigir resultados a curto prazo, sob o risco de ser demitido se demorar muito para apresentar um futebol convincente.
Valenciennes
Colocação em 2008/09: 12º
Técnico: Philippe Montanier
Principal jogador: Rémi Gomis
Competição continental que disputa: nenhuma
Objetivo na temporada: fugir do rebaixamento
Se não fosse pela contratação de Darcheville para o segundo turno, o Valenciennes estaria se preparando a esta hora para a disputa da Ligue 2. O VA passa por um momento de reconstrução de sua identidade. Afinal, desde 2005 a equipe era comandada por Antoine Kombouaré. A promoção, permanência e equilíbrio na Ligue 1 foram conquistadas nos últimos anos graças ao bom trabalho do treinador, agora no Paris Saint-Germain. Sem uma de suas principais figuras, o clube buscou Philippe Montanier, de excelente trabalho no Boulogne-sur-Mer, para reencontrar seu caminho. O novo técnico foi o responsável pela chegada da modesta equipe à primeira divisão, em uma história bem parecida com a vivida pelo Valenciennes.
Para começar, Montanier terá uma missão ingrata. O time se mostrou dependente demais de um atacante nos últimos anos. Primeiro, foi Savidan; com a saída dele, a equipe desandou e só foi se encontrar quando Darcheville chegou por empréstimo. Pois bem, ele deixou a equipe e agora todos se perguntam como o VA vai se virar sem um atacante de referência. Pelo menos o meio-campo foi reforçado com Fahid Ben Khalfallah e Rémi Gomis, ambos ex-Caen. Resta saber se realmente acrescentará alguma coisa trazer dois jogadores que se destacaram em uma equipe rebaixada para a Ligue 2. Outro ponto questionável se encontra fora do elenco. As obras do estádio Nungesser II foram interrompidas, o que pode atrapalhar os planos financeiros do clube. A estabilidade conquistada pela equipe nas últimas temporadas corre sério risco de ruir.
Grenoble
Colocação em 2008/09: 13º
Técnico: Mecha Bazdarevic
Principal jogador: Sofiane Feghouli
Competição continental que disputa: nenhuma
Objetivo na temporada: ficar no meio da tabela
Antes da Ligue começar em 2008/09, havia uma certeza praticamente comum: o campeonato já tinha um forte candidato ao rebaixamento. O Grenoble aparentava ser o time mais frágil dos que subiram na temporada, mas desafiou as críticas e respondeu com autoridade. Le Havre e Caen, os outros promovidos, caíram e o GF 38 permaneceu, sem correr grandes riscos de voltar para a Ligue 2. Em sua segunda temporada consecutiva na elite, o clube traça planos semelhantes: assegurar sua permanência o quanto antes. Além disso, há a promessa de manter a qualidade de seu nível de jogo, principalmente em seu meio-campo. Se o setor criativo se destacava, o ataque dava vexame: foram apenas 24 gols em 38 jogos, uma média inferior a um por partida! Para piorar, a torcida viu o time balançar as redes apenas nove vezes em casa e se revoltou com toda razão – afinal, os preços dos ingressos aumentaram absurdamente para se ver um time que não marca.
Para esta temporada, o treinador Mecha Bazdarevic precisa lidar com uma grande reformulação do elenco. Já era algo esperado, pois o clube apostou na contratação de diversos jogadores por empréstimo. Grégory Wimbée, Walid Regragui, Daniel Moreira e Maxence Flachez, importantes na campanha de 2008/09, deixaram o Grenoble. A aposta agora cai sobre jovens jogadores e outros mais experientes que não vingaram em seus antigos clubes. Matsui, Viviani e um velho conhecido do futebol francês: Ljuboja, uma grande incógnita. Para o ataque enfim funcionar, as esperanças recaem sobre Tadic, vindo do Dynamo Zagreb. O GF 38 ao menos resistiu ao insistente assédio a Sofiane Feghouli. O meio-campista despertou o interesse de Olympique de Marselha, Lyon, Lille, Arsenal, Juventus e Barcelona, mas preferiu ficar mais um ano no Grenoble. Ele só espera não se arrepender de sua decisão.
Nancy
Colocação em 2008/09: 15º
Técnico: Pablo Correa
Principal jogador: Youssouf Hadji
Competição continental que disputa: nenhuma
Objetivo na temporada: fugir do rebaixamento
Em 2007/08, o ASNL brigou até o fim pelas primeiras colocações e quase beliscou uma vaga na Liga dos Campeões. Na última temporada, o time lutou para escapar do rebaixamento. Para acabar com esta gangorra, o Nancy enfim decidiu se lançar no mercado de transferências, algo não muito comum nos últimos anos. Para encontrar o ‘elixir da regularidade’, o clube concentrou seus esforços na contratação de meio-campistas. No entanto, a campanha ruim em 2008/09 espantou possíveis reforços. Camel Meriem, Fabrice Abriel e Chu Young Park gentilmente recusaram as ofertas para se juntar ao Nancy, e o clube comprovou como estava em baixa seu prestígio. O jeito foi se conformar em baixar um pouco suas pretensões e buscar jogadores menos badalados. Só que até nesta hora a equipe mostrou sua face oscilatória.
Em sua política de contratação de reforços, o Nancy baixou o nível e contratou, por exemplo, Floyd Ayité, Cheik Diabaté e Florent Marange. Os três pertencem ao Bordeaux, o que daria uma falsa sensação de qualidade. No entanto, os jovens haviam sido cedidos pelos Marine et Blanc a clubes de divisões inferiores. Essa foi a regra usada para estabelecer a prioridade no mercado, o que dá margem a muitas dúvidas. Além disso, nomes importantes como Marc-Antoine Fortuné e Frédéric Biancalani já deixaram o elenco, deixando-o ainda mais fraco. Nem mesmo os gols de Youssouf Hadji, com a tendência de se isolar no ataque, dão ao ASNL a garantia de uma boa campanha. Pelo visto, a torcida deve se contentar mesmo em se preparar para outra temporada entre os últimos colocados.