França

‘Apostar em mim agora é fácil’: Luis Enrique relembra rejeição em clube do coração

Técnico do PSG vai disputar a segunda final consecutiva da Champions League contra o Arsenal e revelou mágoa antiga com o Sporting Gijón

Luis Enrique está a um jogo de conquistar a Champions League pela segunda vez consecutiva com o PSG, desta vez, contra o Arsenal. Mas mesmo diante de um momento histórico, o técnico espanhol de 56 anos não esquece uma rejeição que ficou guardada desde o início da carreira: o clube da cidade onde nasceu nunca lhe deu uma chance quando ele não era ninguém.

Na coletiva de imprensa antes da final, Luis Enrique foi questionado se ainda mantinha o sonho de comandar o Sporting Gijón, o clube onde iniciou como jogador e que representa sua terra natal. A resposta veio carregada de mágoa contida.

“O Sporting Gijón perdeu a grande oportunidade ao não me dar uma chance no início. Apostar agora no treinador Luis Enrique é fácil, até o meu pai faz isso. A oportunidade era quando eu não era ninguém como treinador. O Barcelona me deu essa oportunidade ao me entregar a responsabilidade do time B.”

Luis Enrique e a rejeição pelo clube do coração

A declaração revela não apenas ressentimento pela rejeição, mas também uma autoconsciência rara sobre o peso emocional que seria dirigir o clube da própria cidade. Luis Enrique foi além e admitiu que tem “pânico” de um eventual fracasso em Gijón e usou um exemplo concreto para ilustrar o raciocínio.

Luis Enrique, técnico do PSG
Luis Enrique, técnico do PSG. (IMAGO / ZUMA Press Wire)

“Vi o que aconteceu com Pitu Abelardo, que triunfou ali como jogador e treinador, mas foi criticado e acabou demitido. Eu só vivi os primeiros 20 anos da minha vida em Gijón, mas se eu vou para lá e sou demitido, acho que me atiro do Cerro de Santa Catalina.”

A referência ao ponto mais alto da cidade antiga de Gijón foi dita com o humor seco que marca Luis Enrique, mas a mensagem é séria. Para alguém acostumado ao mais alto nível, dirigir um clube com vínculos afetivos tão profundos representa um risco emocional diferente de tudo que já enfrentou.

“Estou acostumado com o mais alto nível. Por isso, não posso descartar essa possibilidade, mas não a vejo como provável”, concluiu.

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Final da Champions League como palco para a história no PSG

O contexto em torno da declaração não poderia ser mais contrastante. Luis Enrique chega à final do próximo sábado (30) à frente de um PSG que domina a França e impressiona a Europa com um futebol considerado entre os mais vistosos da atualidade.

Uma segunda Champions consecutiva o consolidaria entre os maiores treinadores da história da competição. Antes, já foi campeão do torneio com o histórico Barcelona de Lionel Messi, Neymar e Luis Suárez, em 2015.

Por outro lado, o Sporting Gijón, que não apostou nele quando não era ninguém, vai assistir de longe. 

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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