França

Ex-Marseille: ‘De Zerbi nos obrigava a acordar às 4 da manhã para correr no bosque, no frio’

Jonathan Rowe, ponta do Bologna, revela métodos extremos do atual técnico do Tottenham e detalha a briga com Rabiot no vestiário do clube francês

Roberto de Zerbi é conhecido por exigir muito dos seus jogadores. Mas Jonathan Rowe, ponta inglês de 23 anos que passou pelo técnico no Olympique de Marseille, revelou em entrevista ao site inglês “The Athletic” um episódio que foi além. Quatro da manhã, bosque escuro, lanternas na mão e corridas em subida antes do sol nascer: esse era o método De Zerbi.

“Eram esgotantes, de morrer. Acordávamos às quatro da manhã para ir correr no bosque, no frio. Tínhamos lanternas para enxergar no escuro. E depois ainda tinham circuitos, sprints em subidas. Nunca tinha visto nada assim na minha carreira”, relembrou Rowe, que atualmente defende o Bologna, na Serie A.

Apesar da dureza dos treinos, o atacante guarda boas memórias do trabalho com o técnico que hoje comanda o Tottenham. Segundo ele, De Zerbi o ensinou a “prestar muita atenção aos detalhes”, uma característica que o inglês leva consigo para o dia a dia na Itália.

A briga com Rabiot e o que De Zerbi não viu

Para além da rotina bizarra na madrugada, o capítulo mais impactante da passagem de Rowe pelo Marseille não foi nenhum treino às escuras. Foi uma briga no vestiário que envolveu Adrien Rabiot, resultou num colega desmaiado e acelerou a saída do atacante para o Bologna no último verão europeu.

Rowe deu detalhes sobre como tudo começou. “Eu estava discutindo com o goleiro Rulli e trocamos palavras pesadas. A segurança interveio e depois o Adrien se meteu.”

De Zerbi comemora vitória do Tottenham. Foto: Icon Sport/PA Images
De Zerbi comemora vitória do Tottenham (Foto: Icon Sport/PA Images)

O que era uma discussão verbal escalou para agressão física, e o inglês faz questão de deixar claro quem deu o primeiro soco:

“Ele e Benatia não viram o primeiro soco que ele me deu. Pensaram que tinha sido eu a bater nele primeiro, mas não foi assim. Para você ter uma ideia, o Darryl Bakola chegou a desmaiar. A situação ficou literalmente fora de controle.”

De Zerbi, na época, descreveu o episódio como uma “briga de bar”. Rowe não contesta a definição, só corrige o registro histórico sobre quem a iniciou.

Kvaratskhelia como modelo e a Premier League no horizonte

Longe da turbulência de Marselha e adaptado à Serie A, Rowe tem objetivos claros para os próximos anos. “Meu objetivo é chegar a um clube de ponta da Premier League”, disse o atacante, que atua pela ponta esquerda e busca referências para aprimorar o estilo. Rowe jogou no Norwich, na Championship, e teve apenas uma temporada na elite inglesa.

O modelo escolhido diz muito sobre a ambição do jogador: Khvicha Kvaratskhelia. E ele se inspira ao ponto de pedir para o clube mandar videos do atacante do PSG.

“Peço muitas vezes ao analista de desempenho que me envie vídeos do georgiano. Eu o estudo. Tento roubar a sua forma de encarar o adversário, de pegar os seus movimentos. Aquela pequena mudança de direção, o corte para dentro e o cruzamento no segundo pau.”

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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