França

Estreia promissora

As atenções estavam voltadas para Lucas no duelo entre Paris Saint-Germain e Ajaccio no Parc des Princes. Em sua estreia oficial pelo clube da capital, o brasileiro deixou uma boa impressão, apesar do empate sem gols. Após sua atuação discreta no amistoso contra o Lekhwiya, ele apresentou uma evolução como titular e saciou a curiosidade de quem queria ver aquele garoto contratado por € 40 milhões.

A primeira pergunta respondida foi como Carlo Ancelotti montaria a equipe com Lucas como titular. As dúvidas foram desfeitas quando o novo camisa 29 do PSG foi confirmado pelo lado direito do campo, com o deslocamento de Lavezzi para atuar mais perto de Ibrahimovic. Quem perdeu a vaga entre os titulares foi Ménez, confirmando o que era mais provável de acontecer.

A reação do público aos primeiros toques de Lucas na bola foi a melhor possível. O brasileiro teve seu nome gritado várias vezes, com um sonoro “ooooh” em sua primeira arrancada. O apoio dos torcedores esteve longe de parecer em vão, já que o jogador teve participação importante no jogo, como provam seus números ao longo dos 85 minutos nos quais permaneceu em campo.

Lucas foi o principal jogador ofensivo no confronto com o Ajaccio. Ele foi acionado 65 vezes, deu três chutes a gol (todos para fora) e participou diretamente de cinco jogadas de ataque do PSG. Nem tudo, porém, foi motivo para elogio. O brasileiro poderia ter explorado mais as jogadas pelos flancos, o que poderia ser uma arma mais eficiente para abrir um pouco a defesa do Ajaccio.

O ACA foi eficiente na contenção das ofensivas do PSG por se fechar bem em sua defesa com três jogadores no miolo. Lucas estava propenso a puxar suas jogadas para o meio, exatamente o local mais congestionado. A dificuldade em encontrar espaço em meio ao ferrolho corso se verifica com o número de vezes nas quais o brasileiro tocou a bola dentro da área: apenas duas.

Durante o primeiro tempo, o PSG arriscou apenas dois chutes a gol, em tentativas de longe de Thiago Motta e Ibrahimovic. Se já estava difícil superar a forte marcação do Ajaccio, a tarefa se tornou mais complicada com a expulsão de Thiago Motta logo no começo da segunda etapa. Para piorar, Thiago Silva sentiu dores na coxa e foi obrigado a deixar o campo. O zagueiro ficará três semanas afastado dos gramados, em mais um duro golpe para o PSG em seus próximos jogos.

De nada adianta Ancelotti escalar um quarteto ofensivo se uma de suas peças insiste em funcionar mal. Pela enésima vez, Pastore foi uma figura apagada em campo, assim como já havia sido contra o Arras na Copa da França. O treinador não teve dúvidas sobre quem seria sacrificado com a expulsão de Thiago Motta. Com Pastore, o PSG já jogava com dez desde os primeiros 45 minutos.

Por mais que Lucas tenha estreado bem e com potencial para encadear bons jogos, o PSG dá sinais de desorganização quando mais precisa manter a calma para decidir um jogo. Isso não se compra com milhões de euros. Se o modesto Ajaccio conseguiu parar o badalado ataque parisiense, Ancelotti ainda não conseguiu o que queria com o time.

Apertem os cintos

Líder da Ligue 1 à frente do badalado Paris Saint-Germain, orgulho recuperado e a esperança de retorno dos dias de glória. O Lyon teria bons motivos para comemorar seu bom momento, mas sua situação não desperta tanta confiança assim. O freio nesta empolgação foi puxado pelo próprio presidente Jean-Michel Aulas. Nem mesmo a possibilidade cada vez mais concreta de brigar pelo título fez o cartola abrir mão do planejamento do clube.

Se a Europa passa por crise financeira, o OL não é diferente. Aulas adotou medidas de austeridade para gerir o clube sem comprometer as finanças e garantir a sobrevivência em dias difíceis. Nada daquela gastança desenfreada a cada abertura da janela de transferências, com diversos reforços cujo custo-benefício foi reduzidíssimo. Desde 2011/12, enxugar a folha salarial, fechar os cofres e apostar nos jovens da base se tornou o mantra mais comum dos lioneses.

A vitória por 2 a 1 sobre o Troyes fez o Lyon se isolar na liderança da Ligue 1, mas sem se contaminar pelo sucesso. Pode parecer broxante, mas Aulas mantém firme sua política do escorpião no bolso. No começo do ano, o cartola vê uma excelente oportunidade para reduzir um pouco mais a folha de pagamento, cortar gastos e aliviar as contas do OL. Em outras palavras, os lioneses capricham na montagem da vitrine para que seus jogadores atraiam a atenção dos interessados e sejam negociados.

O lateral esquerdo Monzón, por exemplo, já se mandou para o Fluminense. Outra mudança esperada deve ser no ataque. O próprio Aulas reconhece que o time não se enfraquece se perder um de seus centroavantes de nível internacional. Resta saber qual deles continuará no clube: Bafétimbi Gomis ou Lisandro López? O argentino está na mira da Juventus e o presidente do OL repete aquele discurso batido do “jogador imprescindível, mas que pode sair se receber uma boa proposta”. Leia-se: se a Juve oferecer € 24 milhões, leva.

Como o clube de Turim não se mostrou muito disposto a pagar tal quantia por um jogador de 29 anos (uma possível oferta ficaria entre € 8 milhões e € 10 milhões), a porta da saída também pode se abrir para Gomis. O francês agrada ao Chelsea e Lisandro ainda tem aquela aura de ‘jogador mítico’. Michel Bastos também tem essa importância para o clube, mas teve o nome ventilado no Internacional. Ou seja, qualquer um é negociável, independentemente do seu status no elenco.

Aulas foi ao Bahrein para tentar encontrar investidores interessados em injetar suas fortunas no Lyon. Enquanto não consegue algo animador, o presidente age de forma coerente ao reforçar seu discurso. Obviamente, o OL não se tornou um balcão de negócios nem promove um daqueles saldões nos quais as pessoas chegam três dias antes para guardar lugar na fila. Negociações pontuais ainda devem ser feitas, mas nada de promover uma limpeza geral no elenco.

Não haverá faxina por um fator simples: o Lyon está firme na briga por uma vaga na Liga dos Campeões. O título, neste caso, seria a cereja do bolo. Por ficar fora da atual edição da LC, o OL amargou uma considerável queda em suas receitas, tanto com venda de ingressos como os valores pagos pela Uefa – isso sem contar os bônus por bons resultados e classificações para fases mais agudas. Com a disciplina que apresentou até aqui, mesmo com o cinto apertado, os lioneses têm grandes chances de classificação à LC, o que seria um alívio e tanto para seu cofre.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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