Olympique de Marselha e Paris Saint-Germain prometem um clássico dos mais agitados das últimas temporadas. A se julgar pelo atual momento das duas equipes, os torcedores podem esperar um duelo histórico para o próximo dia 7. O OM continua em grande forma, como ficou provado em sua reação diante do Fenerbahçe na Liga Europa, e o PSG está tinindo sob a batuta de um Zlatan Ibrahimovic cada vez mais à vontade na equipe.
O clube da capital viveu uma semana das mais perfeitas. Além da goleada sobre o Dynamo Kiev em seu retorno à Liga dos Campeões após oito anos, o time fez belas apresentações diante de Toulouse e Bastia pela Ligue 1. No total, foram dez gols marcados e apenas um sofrido, mas acima de tudo fica a sensação de que a equipe está embalada. O Olympique de Marselha, por sua vez, lidera com sobras e com aproveitamento de 100%.
As excelentes fases vividas pelas duas equipes apresentam elementos semelhantes. Do lado marselhês, é notável a evolução da qualidade de jogo do OM com relação à temporada passada. Se em 2011/12 o time sofria com a falta de criatividade, agora se gaba pela ressurreição de Mathieu Valbuena, Morgan Amalfitano e André Ayew. Aaa exibição contra o Nancy, quando venceu por 1 a 0, ilustra bem este novo perfil da equipe montado a partir das mesmas peças que pareciam não funcionar bem. Movimentação intensa, troca de passes com inteligência e oportunidades variadas foram a tônica da equipe.
O PSG também evoluiu do ponto de vista técnico e atingiu um bom patamar de qualidade, com a possibilidade de crescer ainda mais. Aquela desconfiança inicial, reforçada pelos resultados pouco expressivos dos primeiros jogos, ficou para trás. Vê-se agora um time mais equilibrado e, algo comemorado pelo técnico Carlo Ancelotti, que mantém sua força mesmo quando há necessidade de trocar uma ou mais peças. A máquina continua girando sem sofrer qualquer perda de rendimento.
Quando esteve atrás no placar e perdia por 2 a 0 para o Fenerbahçe até os dez minutos finais do jogo, o Olympique de Marselha não entregou os pontos. O time buscou forças para conseguir o empate no caldeirão do Sükrü Saraçoglu, em nítida demonstração de equilibro mental – algo que passou longe do Vélodrome nos últimos tempos.
Uma sensação que pode ser vivida pelo PSG, cuja primeira grande prova desta temporada será seu duelo contra o Porto pela LC. O duelo no estádio do Dragão servirá para testar como a equipe reage diante de um adversário forte e como está o nível de liderança de jogadores como Thiago Silva e do próprio Ibrahimovic. Sem dúvida, uma partida que mostrará o nível de amadurecimento do elenco do clube da capital neste estágio.
Antes do clássico, os dois rivais têm um caminho parecido a percorrer: há um jogo da Ligue 1 pela frente e outro pela copa europeia que cada um disputa. O OM leva vantagem neste quesito. O time visita o Valenciennes, que costuma complicar sua vida desde 2006, quando retornou à elite. De lá para cá, os marselheses conquistaram apenas uma vitória e dois empates contra três derrotas na casa do VA. Na Liga Europa, os marselheses recebem o AEL Limassol, que pode ate complicar, mas não deve oferecer grande resistência.
O Paris Saint-Germain faz um duelo contra o Sochaux no Parc des Princes pela Ligue 1 e deve fazer seu papel. O que torna a tarefa do PSG mais complicada é a visita ao Porto pela LC e os efeitos que o resultado de lá podem trazer ao time. Se servir de consolo, o clube da capital joga um dia antes do que o OM pelo torneio continental, o que lhe dá um pouco mais de respiro para se recuperar de uma partida que promete ser desgastante em todos os níveis.
Para quem conta com um Ibrahimovic em fase inspiradora, o PSG parte com grandes esperanças de promover uma reviravolta na Ligue 1. Em cinco jogos disputados no torneio, o sueco marcou nada menos do que sete gols. Sete bolas na rede em onze chutes dados na direção do gol. Nem mesmo os insultos, intimidações e jogo duro dos adversários intimidam Ibra, cuja calma e serenidade podem ser o fator decisivo para o clássico tão esperado.
Vexame
Se tinha alguma esperança de se classificar para as oitavas de final da Liga dos Campeões, o Lille as enterrou logo no seu primeiro jogo na fase de grupos. Não dá para pensar diferente quando se vê o baile do BATE Borisov, que dominou completamente as ações no Grand Stade como se estivesse em seu quintal. Recuperar estes pontos perdidos em uma chave com Bayern de Munique e Valencia se mostra desde já como algo praticamente impossível.
A derrota em si já seria preocupante, mas causa calafrios ver como o time se apresenta hoje. O termo catástrofe não seria um exagero, ainda mais quando o BATE Borisov terminou o primeiro tempo com uma vitória por 3 a 0. Diante do adversário tido como o mais fraco do grupo, quem atuou como time pequeno foi o Lille.
Em seus últimos jogos, o LOSC tem sofrido com uma incrível passividade de sua defesa. Nada de agressividade (não confundir com violência) ou concentração; as bobeadas e falhas de posicionamento se tornaram uma constante. O gol de empate do Troyes na quinta rodada da Ligue 1, em uma completa ausência de comunicação entre os jogadores, apenas explica como o time foi capaz de levar três gols do time bielorrusso.
Mesmo o setor ofensivo, considerado como o ponto forte dos Dogues, encontra dificuldades para se impor. Seria muito simplista atribuir a queda de rendimento do ataque do Lille exclusivamente à saída de Eden Hazard. Claro que o jovem belga faz falta ao time, mas outros fatores também ajudam a entender como o time deixou de ser tão incisivo como antes.
Nesta temporada, o LOSC tem dificuldades para encontrar seu centroavante ideal. Tanto Túlio de Melo como Nolan Roux são escalados para desempenhar esta função, mas a falta de gols de ambos compromete qualquer plano. Dimitri Payet alterna bons jogos com partidas bastante apagadas. Esta irregularidade também compromete o bom funcionamento do ataque do Lille.
Como se não bastasse, o processo de adaptação de Salomon Kalou parece durar mais do que o desejado. Outro reforço contratado pelo clube e no qual se depositam muitas esperanças também sente as dificuldades de vestir a nova camisa. Marvin Martin não encontrou seu lugar no time. O meia, de reconhecido talento, boa visão de jogo e passes precisos sofre para se encontrar entre os titulares.
A má fase simultânea destes cinco jogadores afeta o rendimento de todo o time. Com uma defesa insegura, um meio-campo que não consegue se impor diante dos adversários e um ataque que incomoda pouco, o Lille regride em sua evolução na Liga dos Campeões. O time, que julgava estar na fase adolescente na disputa da competição, está mais para um embrião.


