Alívio e preocupação para os Bleus na repescagem
Os franceses soltaram um suspiro de alívio quando viram que Portugal estava fora do caminho dos Bleus na repescagem para a Copa do Mundo-2014. Das mãos de Alexander Frei, ex-atacante do Rennes, saiu a Ucrânia como adversária da seleção tricolor. Um adversário que agradou à Federação Francesa (FFF), que também via com bons olhos um possível duelo contra a Grécia. Curiosamente, o confronto com os ucranianos remete à ferrenha discussão sobre usar o ranking da Fifa como critério para definir os cabeças de chave do sorteio.
Apenas para lembrar, a França reclamou muito por não ter o privilégio de ser um dos cabeças de chave neste sorteio da repescagem. Tudo por conta das distorções do ranking da Fifa, que colocou a Ucrânia à frente dos Blues (20º e 21º, respectivamente) por apenas um ponto. Detalhe: os franceses jogaram duas partidas a menos nas eliminatórias da Copa-2014, enquanto os ucranianos pegaram San Marino e enfiaram duas goleadas (9 a 0 e 8 a 0) determinantes para alcançar uma pontuação melhor do que a de seus futuros rivais.
A preferência dos franceses em encarar a Ucrânia faz sentido se analisarmos as estatísticas dos duelos entre as duas equipes. A Ucrânia nunca venceu a França; em sete partidas, os tricolores ganharam quatro e empataram outras três. No último encontro, na Euro-12, a França (ainda comandada por Laurent Blanc) saiu vitoriosa do Donbass Arena: 2 a 0. Em cinco dos sete jogos contra os ucranianos, os franceses não sofreram gols dos adversários.
Só que a Ucrânia não é uma galinha morta. Desde a chegada do técnico Mikhaïl Fomenko, em dezembro de 2012, a seleção permanece invicta. No total, são onze partidas sem saber o gosto amargo da derrota. Nesta série, estão duelos complicados fora de casa contra Montenegro e Polônia, além de um empate sem gols com a Inglaterra. Os ucranianos confiam demais na sua força defensiva: a equipe sofreu apenas quatro gols nos dez jogos disputados pelas eliminatórias da Copa-14.
A França tem como trunfo decidir a vaga no Stade de France, mas deve ficar atenta desde já. Como já foi analisado aqui anteriormente, o principal problema vivido por Didier Deschamps está na definição de seu setor ofensivo. A excelente fase de Franck Ribéry não deve se tornar uma dependência. Sem alternativas viáveis (e confiáveis) para variar suas jogadas de ataque e não sobrecarregar o jogador do Bayern de Munique, os Bleus encontrarão uma barreira quase intransponível pela frente. Ir ao Mundial não parece ser uma missão tão complicada, mas exige atenção.
No ventilador de novo
Patrice Evra não aprendeu a lição. O lateral esquerdo corre risco de uma nova punição por ter a língua solta. Três anos após estar na origem da greve de Knysna, que lhe valeu uma suspensão de cinco partidas, o jogador simplesmente perdeu a mão ao criticar abertamente Bixente Lizarazu, Luis Fernandez, Rolland Courbis e Pierre Ménès, todos comentaristas, em entrevista concedida ao Téléfoot. Um comportamento inadmissível para quem tem a ficha suja e que compromete ainda mais a recuperação da imagem dos Bleus.
Em resumo, Evra chamou todos os personagens citados de vagabundos e parasitas. Foi o suficiente para a Federação Francesa chamá-lo para se explicar por suas declarações polêmicas. O lateral, cuja permanência na seleção após o escândalo ocorrido na África do Sul durante a Copa já foi um milagre, praticamente joga no lixo uma oportunidade que, para muitos, nem deveria ter tido.
Nos últimos jogos dos Bleus, Evra havia conquistado o posto de titular em uma posição na qual o técnico Didier Deschamps estava em dúvida. Com a concorrência de um instável Gaël Clichy, o lateral esquerdo do Manchester United se ajustou entre a marcação e o apoio ao ataque para assegurar seu lugar no onze inicial. Agora, este conforto terminou. O jogador será ouvido pela FFF em 7 de novembro – mesma data na qual Deschamps anunciará seus convocados para a repescagem contra a Ucrânia. Seria surpreendente se Evra for um dos escolhidos pelo treinador.
Em um momento no qual se exige um mínimo de concentração antes de duelos decisivos para os Bleus, Evra mais uma vez coloca tudo a perder. O lateral conturbou um ambiente que caminhava para a tranquilidade. Ele mais uma vez provou não ter noção alguma das consequências de seus atos e o que eles podem significar dentro do time, cuja imagem diante dos torcedores permanece arranhada. As cicatrizes de Knysna ainda estão aparentes e Evra não se incomoda em exibi-las e reforçá-las. Parece até se orgulhar por ser um bad boy. Neste momento, a França não precisa de um jogador assim.
Crise no Vélodrome
Três jogos, três derrotas. O Olympique de Marseille navega em velocidade de cruzeiro rumo à eliminação na Liga dos Campeões. Pior do que perder em casa para o Napoli (2 a 1) foi constatar que o time mergulhou na crise. Levando-se em consideração o revés para o Nice (1 a 0) na Ligue, já são quatro derrotas consecutivas e que contribuíram para criar um ambiente preocupante.
Esperava-se ver um OM com a faca entre os dentes para o duelo contra o Napoli. Afinal, o time estava no Vélodrome e dependia de um bom resultado para ao menos sonhar com uma classificação para a Liga Europa. Os torcedores, porém, acompanharam outra exibição apática de sua equipe. Aquele desejo de conquistar a vitória com muito suor ficou apenas no imaginário do público.
De novo, os marselheses exibiram suas limitações – para não dizer sua ingenuidade. O time fracassou na defesa, cujo símbolo-mor de impotência foi um perdido Rod Fanni. O setor de criação foi nulo, traduzido na figura fantasmagórica de Pierre-André-Gignac. Mathieu Valbuena, exausto, também foi engolido pela marcação eficiente dos partenopei. O OM assumiu uma postura dócil e aceitou, sem qualquer questionamento, sua posição de inferioridade diante dos adversários na LC.
Tal postura já havia ficado evidente no clássico contra o Paris Saint-Germain, quando o OM foi incapaz de partir para cima mesmo quando o rival ficou com dez jogadores em campo. A falta de disciplina coletiva dos marselheses assusta, com a demora de quase um século para o bloco defensivo se recompor nos contra-ataques do Napoli. Passivo, o time precisa acordar para a realidade antes de se afundar de vez na lama.


