Alegria da defesa adversária
O Lille pode reclamar o quanto for pelo pênalti que definiu a vitória por 1 a 0 do Bayern de Munique, no Grand Stade, pela Liga dos Campeões. Só que não foi a controversa marcação do árbitro Martin Atkinson a maior responsável pelo fiasco do LOSC até aqui em sua participação na LC. O time colhe os frutos de suas repetidas apresentações sem qualquer preocupação em aprimorar sua qualidade ofensiva.
A anemia ofensiva dos Dogues se traduz em uma simples estatística. Jogando em casa, o Lille teve oito finalizações no duelo contra o Bayern. Nenhuma delas – isso mesmo, zero – foram na direção do gol. A Uefa ainda foi boazinha e considerou duas conclusões desviadas e que pararam nas luvas de Manuel Neuer como chances reais de gol. Uma pequena mentira para amenizar a péssima relação entre o time e as redes adversárias.
Claro que não para considerar o Bayern de Munique como um timeco inexpressivo e achar que o Lille partiria para cima para definir uma goleada de 8 a 0. Contudo, prevaleceu uma incômoda sensação de que o time poderia jogar uma semana seguida que não conseguiria incomodar a equipe alemã. Esqueçam aquele time com ataque insinuante das duas últimas temporadas. Ele morreu.
A cada jogo, Túlio de Melo mostra suas limitações e sucumbe à pressão para atuar em um nível que não é o dele. A cobrança para o brasileiro ser a imagem e semelhança de Eden Hazard o tem prejudicado demais. Sem a mesma velocidade e ritmo do belga, Túlio sente dificuldades para atuar em profundidade. Uma decepção para quem havia terminado a temporada anterior com grande desempenho.
Túlio de Melo marcou cinco gols nas rodadas finais da Ligue 1 anterior e dava a impressão de que, enfim, as recorrentes lesões o permitiriam jogar em bom nível. Seu desempenho, porém, beira a catástrofe. Em nove jogos na atual edição do Francês, o brasileiro ainda não marcou. Na LC, ao menos ele foi às redes uma vez, ainda na fase preliminar diante do Kobenhavn. Um gol em cinco jogos da Champions.
Contra o Bayern, Túlio vagava pelo gramado tal como um dos seres errantes da série The Walking Dead. Ele apareceu apenas quando deu uma cabeçada para fora. No mais, foi um anônimo em campo, algo cada vez mais comum em suas apresentações. O brasileiro, porém, não é o único a pagar o pato. Salomon Kalou se esforça para conquistar o título de pior contratação da temporada.
Philipp Lahm agradeceu por ter que marcar o marfinense na partida; o alemão nem teve trabalho para fazer sua função – e até poderia deixa-lo à sorte da natureza. Kalou não chutou, não deu um drible sequer e, até agora, apenas acumula decepções. O Lille ainda espera para ver quando seu reforço (?) será capaz de fazer a diferença.
No meio-campo, Marvin Martin acabou de se recuperar de uma lesão e está sem ritmo de jogo, como se viu diante do Bayern. Mesmo assim, isso não justifica tantos passes errados e algumas escolhas equivocadas na armação. Dimitri Payet ficou no banco e, quando entrou em campo, nada fez de útil – exatamente o reflexo de um Lille decepcionante.
Troca na liderança
O fim de semana foi terrível para o Olympique de Marselha. O dia Pato Donald do OM teve de tudo um pouco – de ruim. Para começar, uma inesperada derrota diante do então lanterna Troyes por 1 a 0. A consequência do resultado foi vr o arquirrival Paris Saint-Germain assumir a liderança da Ligue 1 ao derrotar o Stade Reims também por 1 a 0. O mais doloroso, porém, foi a perda de André-Pierre Gignac.
E quando falo em dor, não exagero. Gignac sofreu uma fratura em um osso do pé esquerdo e ficará afastado dos gramados por cerca de um mês e meio. O atacante deixa o time justamente quando vivia excelente fase e havia se tornado a referência ofensiva da equipe. A ausência de seu principal jogador nas próximas rodadas deve trazer uma instabilidade que os marselheses conheciam pouco nesta temporada.
Uma amostra de como o OM perde sem Gignac foi dada na própria partida contra o Troyes. Loïc Rémy, seu substituto, ainda luta para achar sua melhor forma física. Desde o início da temporada, o atacante deu dez chutes a gol ao longo das partidas que disputou. O número de finalizações na direção do gol é… zero. Uma estatística bastante animadora, presumo. Cabe lembrar que, até a pausa de fim de ano, o OM fará mais 15 jogos.
Nas últimas três rodadas da Ligue 1, o Olympique de Marselha conquistou apenas um ponto. Um desempenho bem diferente daquela explosão inicial. Pela frente, o time terá logo de cara três compromissos complicados e cujo resultado pode influenciar decisivamente sua temporada: os duelos contra Borussia Mönchengladbach (Liga Europa), Lyon (Ligue 1) e o clássico contra o Paris Saint-Germain (Copa da Liga Francesa).
Se existe alguma boa notícia para o OM, o PSG também não convence tanto como líder, levando-se em consideração sua exibição contra o Stade Reims. O time da capital tem algo em comum com o azar de seus maiores rivais ao perder um jogador fundamental por um período considerável. Nenê passou por uma cirurgia após sofrer duas fraturas no rosto e deve ficar fora do time nas próximas semanas.
Com Pastore em baixa e cada vez mais contestado, o brasileiro se mantém em alta por seu excelente desempenho. O jeito será mesmo apostar em uma reviravolta do argentino nas próximas partidas para amenizar os problemas de Carlo Ancelotti em seu meio-campo. Sim, mesmo com um elenco galáctico, o treinador se vê em dificuldades com as recentes baixas provocadas pela bruxa das lesões.
Além de Nenê, o treinador já não contava com Thiago Motta, Clément Chantôme e Mathieu Bodmer. Contra o Stade Reims, Marco Verratti não jogou, pois cumpria suspensão. Sissoko já se recuperou de um problema no joelho, mas ainda está fora de forma. Com tantas baixas, Ancelotti foi obrigado a improvisar o zagueiro Thiago Silva como volante. Isso sem contar a presença do lateral Maxwell como meia pela esquerda. Não surpreenderia ver o Lyon aproveitar a deixa de PSG e OM e pular da terceira para a primeira posição.


