França

Ainda não deu liga

O Lyon encerrou sua participação na fase de grupos da Liga dos Campeões de forma vexatória. Após vencer seus três primeiros jogos, o OL teve um returno vergonhoso, coroado com o empate por 2 a 2 em casa diante do fraco Hapoel Tel Aviv. Pelo quarto ano consecutivo, os lioneses pegarão o primeiro colocado de alguma das chaves da LC e, portanto, decidirão sua sorte fora de casa. Uma péssima notícia para quem sonhava com algo mais após um começo arrebatador.

Os 100% de aproveitamento obtidos nos jogos iniciais contrastam com a pífia atuação nas partidas restantes. Nos três jogos finais, o Lyon perdeu dois e empatou um – só escapou da derrota para o Hapoel Tel Aviv graças ao gol marcado por Lacazette a poucos minutos do fim. Os resultados ruins passam pelo mesmo problema: a fragilidade da defesa, vista tanto na LC como na Ligue 1.

Na LC, o OL sofreu nove gols em seus três últimos jogos. Na Ligue 1, o Lyon aparece apenas como a 11ª melhor defesa da competição. Até agora, o miolo de zaga formado por Cris e Diakhaté ainda não convenceu. Os erros de posicionamento da dupla comprometeram a atuação dos demais companheiros – foi desta forma que o time israelense conseguiu fazer seus dois gols e por pouco não venceu.

Com apresentações abaixo do esperado, fica difícil encontrar algum argumento favorável ao Lyon, um dos cabeças de chave da LC e que ficou atrás do Schalke 04, 15º colocado da Bundesliga. Aliás, a classificação do OL veio de forma bizarra, com uma derrota por 3 a 0 para os Azuis Reais. E o time, pelo menos no papel, tem condições de exibir um futebol de melhor qualidade.

Os números da partida contra o Hapoel Tel Aviv mostram muito bem como o OL sente dificuldades para definir um jogo a seu favor. No total, a equipe finalizou 32 vezes, teve 15 escanteios e 73% da posse de bola. Mesmo assim, pagou caro em duas falhas defensivas, assim como já havia ocorrido contra Schalke 04 e Benfica.

A desorganização parece tomar conta do Lyon. Nos momentos de desespero, o time volta a recorrer a Lisandro López, autor de um gol, de uma assistência e um constante incômodo para a defesa do Hapoel Tel Aviv. No fundo, o OL voltou a exibir a mesma limitação da temporada passada, quando se mostrou dependente em excesso das boas atuações do argentino para se salvar.

Parece muito pouco para uma equipe cujo discurso para esta temporada era de recuperação e retorno ao nível de sua era vitoriosa. O Lyon tem agora dois meses para se concentrar em suas falhas e corrigi-las a tempo de entrar nas oitavas de final. Agora, o clube precisa, mais do que nunca, torcer para que o sorteio do mata-mata lhe seja favorável, sob o risco de o vexame se aproximar de Gerland.

Sow time

Quando se fala 6 a 3, parece que estamos falando de uma parcial de um jogo de tênis. O Lille não disputou a Copa Davis, mas poderia dar uma forcinha para os tenistas franceses, derrotados pelos sérvios na decisão do tradicional torneio. LOSC e Lorient fizeram um dos jogos mais emocionantes (e malucos) da temporada, com um resumo perfeito do atual momento dos Dogues: um ataque empolgante, mas que fragiliza demais sua defesa.

Pela segunda vez nesta temporada, Moussa Sow conseguiu um hat trick. O atacante  simboliza muito bem o poderio ofensivo do Lille. Ele teve participação direta em cinco dos seis gols de sua equipe. Com os três anotados diante do Lorient, ele já ostenta um total de 13 nesta edição da Ligue 1 e lidera a artilharia com folga, com uma impressionante média de 0,81 gol por jogo.

Os dirigentes do Rennes devem estar se remoendo pela transferência de Sow. O atacante encontrou no Lille o espaço e o esquema de jogo favorável ao seu estilo para se destacar. Nem foi preciso muito tempo para se entrosar com Gervinho, Frau, Hazard, Cabaye… O LOSC tem o ataque mais poderoso da Ligue 1 com 31 gols marcados, mas por outro lado viu sua defesa ser vazada 20 vezes. Um preço alto para quem se propõe um estilo de jogo voltado para o ataque.

Há quem argumente que o Lorient deu uma força para o ataque do Lille, pois atuou com um miolo de zaga improvisado. Grégory Bourillon e Alaixys Romao exibiram alguma solidez durante apenas dez minutos. Claro que a culpa não foi somente deles, pois o meio-campo dos Merlus também fracassou no combate e na marcação.

Embora existam estes atenuantes, a vitória do Lille não deve ser desmerecida. O treinador Rudi Garcia tem um grande mérito por manter este estilo ofensivo do LOSC, que já havia se destacado na temporada passada. Com um pouco mais de eficiência, os Dogues agora ocupam a liderança da Ligue 1. Em um torneio tão equilibrado como não se via há tempos, o poderoso ataque da equipe pode fazer a diferença no fim.

Se no líder as coisas andam bem, no lanterna Arles-Avignon as desgraças se sucedem. Como se não fosse suficiente a ruindade da equipe, que soma apenas sete pontos e tem o pior ataque (10 gols marcados) e a defesa mais vazada (33 gols sofridos), mais um fato vem para afundar um pouco mais o clube na lama.

Durante o empate por 1 a 1 com o Nancy, El Amine Erbate foi substituído. O defensor marroquino não gostou de deixar o campo e, contrariado, nem esperou o final da partida para deixar o estádio e ir para casa. No domingo, ele não se reapresentou. Na terça-feira, faltou ao treino. Sobrou para o treinador Faruk Hadzibegic exercer o papel de bombeiro para tentar amenizar a situação desagradável.

Após as saídas prematuras de Angelos Charisteas e Angelos Basinas (que devem ter percebido o tamanho da enrascada na qual se meteram quando assinaram com o Arles-Avignon), o caso de Erbate apenas amplia a sucessão de trapalhadas do clube nesta temporada. O ACA aparece como um dos fortes candidatos à participação mais desastrosa na Ligue 1 dos últimos tempos.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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