FrançaLigue 1

Ah, que é isso, o Bielsa está descontrolado!

A tensão toma conta do Olympique de Marselha. Desde a retomada da Ligue 1 após a pausa do fim de ano, o clube dá sinais de que ainda não está completamente nos eixos em 2015. Além de ver o Lyon assumir a liderança do campeonato, os marselheses passam por um período delicado fora de campo, que também contribuem de forma determinante para a fase ruim do time dentro das quatro linhas.

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Marcelo Bielsa exerce um papel de termômetro da fase do OM. E o argentino está mais ou menos como uma tarde paulistana de janeiro. O treinador está quase entrando em ebulição pelos problemas vividos no Olympique. Sua paciência curta e as respostas atravessadas aos jornalistas se tornaram (ainda) mais comuns neste ano. Seria um sinal de que o argentino está perdendo o controle do elenco?

Claro que a rígida disciplina imposta pelo treinador tem seus efeitos e sofre um desgaste natural ao longo da temporada. Em dezembro, Bielsa protagonizou uma polêmica ao antecipar as férias de Dmitri Payet. O meia não exibia o mesmo comprometimento nos treinos do que em outras épocas e, mesmo sendo o principal ‘garçom’ do time, foi punido. Era um recado claro do técnico: craque ou não, medalhão ou reserva, o jogador tem que seguir sua cartilha. Do contrário, rua.

Tanto Payet como o restante do grupo ficou surpreso com a decisão de Bielsa, cujo método de trabalho valoriza demais o grupo em detrimento de um único jogador – por mais indispensável que ele seja. Aliás, a palavra ‘indispensável’ não faz parte do vocabulário do treinador, que não se melindrou ao afastar nomes como Chilavert e Llorente quando esteve no comando de Vélez Sarsfield e Athletic Bilbao, respectivamente.

Se os jogadores já ficaram melindrados com esta decisão de Bielsa, outra medida do argentino causou mais chiadeira. Os jogadores tiveram apenas sete dias de férias no fim do ano, um dos períodos mais curtos de todos os clubes da Ligue 1. Alguém pode alegar que o OM entrou em campo em 4 de janeiro contra o Grenoble, pela Copa da França, e que por isso os atletas não deveriam reclamar tanto de voltar ao batente em 29 de dezembro. Mas há um pequeno detalhe: em temporadas recentes, o OM também jogou logo no comecinho de janeiro. E o elenco teve mais dias de descanso sem prejudicar seu aproveitamento.

As medidas impopulares e discutíveis minam ainda mais a figura de Bielsa, que demonstra maior nervosismo a cada entrevista coletiva e as típicas perguntas no estilo interrogatório. E tome indireta, patada e ironia para cima dos repórteres que querem saber se o time entrou em crise após a eliminação para o Grenoble, da quarta divisão, na Copa da França. Pensa que acabou? O novo capítulo de tanta confusão tem um brasileiro envolvido.

Dória foi contratado por € 6 milhões, mas tem recebido poucas oportunidades para jogar. Foi o suficiente para despertar o interesse de alguns clubes (brasileiros, inclusive) em contratá-lo, mas Bielsa tem sido taxativo quando questionado se vai, enfim, aproveitar o zagueiro. O argentino, de costas contra a parede pela legião de jornalistas que insiste em perguntar sobre o ex-botafoguense, vociferou.

“Sempre a referência a Dória. Está claro que vocês não entendem coisa alguma do trabalho que faço, se pensam que os jogadores atuam de acordo com o preço que pagamos por eles. Morel é nosso melhor zagueiro pela esquerda. Nkoulou joga pela esquerda e pela direita da mesma forma, assim como Aloé. Dória é um grande jogador, mas escolhi outro para entrar em campo”, disse o treinador ao ser questionado pela enésima vez sobre o tema.

A dúvida da imprensa é válida. Em uma partida na qual não contaria com Nkoulou (na Copa Africana), Fanni e Mendy (suspensos), Bielsa preferiu montar a defesa do OM com Lemina, Aloé, Morel e Dja Djedje. Nada de Dória. E soa ainda mais esquisito quando se sabe que o argentino teve um desentendimento daqueles com o presidente Vincent Labrune pela questão da contratação de reforços. E quando o time gasta para trazer alguém, este atleta é deixado de lado. A batata de Bielsa está assando e ele sabe bem disso. Sua paciência curta indica que a passagem por Marselha não deve ser tão longa quanto imaginava.

Motorzinho

Enquanto o Paris Saint-Germain segue seu ritmo pouco empolgante, um jogador se mostra fundamental para os bons momentos do time, cada vez mais difíceis de se ver. Não, não é Zlatan Ibrahimovic, que está sem fazer gols há quatro partidas. Trata-se de Marco Verratti. O meio-campista nem sempre tem os holofotes voltados para ele em um elenco estelar. Sem ele, porém, o PSG estaria em situação ainda mais problemática na tabela da Ligue 1.

Na vitória por 4 a 2 sobre o Évian, Verratti fez um gol e esteve diretamente ligado na jogada de outro. Foi o único jogador que manteve um nível elevado de atuação, enquanto seus companheiros oscilavam demais entre momentos marcantes e outros deploráveis. E essa constância tem se repetido em outras partidas. Enquanto isso, nomes como os de Thiago Silva, Thiago Motta e David Luiz se perdem em falhas primárias.

Com excelente leitura de jogo, o italiano não se deixa abalar pela temperatura do jogo, seja pela apresentação pífia de seus companheiros, ou pela facilidade encontrada diante de um adversário aturdido. Verratti teve um começo complicado no PSG, ao receber cartões amarelos bobos e um certo afobamento na hora do combate. Ele encontrou o tom certo e se tornou ponto de referência.

A inspiração em Verratti deve ajudar o PSG a reagir. Antes da vitória contra o Évian, o time somava ‘apenas’ 38 pontos em 20 partidas – nove a menos do que no mesmo período da temporada anterior. Trata-se do pior desempenho desde a chegada dos qatarianos ao comando do clube, em 2011. se Ibrahimovic não brilha tanto como em um passado recente, resta à equipe se fiar em seu motorzinho para encontrar a saída contra o marasmo.

Aos poucos, o clube da capital parece reencontrar os eixos. Eliminar o Saint-Étienne (candidato direto ao pódio da Ligue 1) na Copa da Liga deu fôlego ao time. Cavani e Lavezzi, punidos por esticar as férias (o que serviu para deixar o clima ainda mais pesado no PSG), voltaram ao time como se nada tivesse acontecido e foram bem. Com alguns de seus principais problemas contornados, os parisienses esperam, enfim, ter a paz de que tanto necessitam. Os duelos contra o Chelsea pela Liga dos Campeões estão se aproximando e nada melhor do que um clima desanuviado para encarar um desafio dos mais difíceis.

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Equipe Trivela

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