A zaga do PSG está nua sem Thiago Silva
A sorte do ‘clássico dos novos-ricos’ entre Paris Saint-Germain e Monaco foi definida em um lance. Não foi um gol, uma assistência ou um reserva que mudou os destinos do que parecia uma vitória certa do PSG no Parc des Princes. A lesão sofrida por Thiago Silva quando o time da casa ganhava por 1 a 0, e a consequente saída do brasileiro, foram cruciais para o desenrolar do confronto, que terminou empatado por 1 a 1.
Thiago Silva ficou apenas 16 minutos em campo. Durante este período, o PSG já havia aberto o placar e o brasileiro tinha uma boa atuação ao não dar espaço ao poderoso ataque monegasco, sobretudo ao anular Falcao Garcia. Quando subiu para afastar uma bola de cabeça, a queda do capitão do PSG abalou todo o Parc des Princes. Uma lesão muscular o afastará por cerca de seis semanas dos gramados, e as primeiras dificuldades causadas pela ausência dele já foram sentidas.
Zoumana Camara entrou em campo perdido, quase sem tempo para se aquecer. Claro que a demora para se entender com Marquinhos teve papel fundamental para o Monaco reagir e igualar o marcador, mas o estado de espírito dos jogadores do PSG mudou após Thiago Silva deixar o gramado. Era a queda de um líder, cuja tropa caiu junto enquanto o capitão se contorcia em dores.
A serenidade do início da partida deu início à inquietude. A soberania da defesa deu lugar à duvida, à hesitação. Até mesmo a torcida arrefeceu. O Monaco percebeu muito bem este momento delicado vivido pelo PSG. Com mais espaço para atacar, os monegascos igualaram com Falcao Garcia, em assistência de João Moutinho. Marco Verratti foi o responsável por colocar a bola debaixo do braço e inflamar os donos da casa, afastando qualquer abatimento pelo que parecia ser um colapso.
Como o Monaco recuou e passou a se defender em bloco, o PSG cresceu no jogo e multiplicou suas chances, a maioria com Ibrahimovic. Só que a mudança do 4-3-3 para o 4-4-2 no fim do jogo (saída de Verratti, entrada de Ménez) facilitou a tarefa do ASM, que tocava a bola sem grandes ambições. A tarefa de evitar a derrota em casa foi cumprida, mas os parisienses agora encaram um período dos mais complicados.
Ironicamente, um torcedor ilustre acompanhava o jogo no Parc des Princes e deve ter pensado “puxa, era para eu estar lá agora”. Mamadou Sakho, negociado com o Liverpool no começo da temporada, seria a opção mais indicada para segurar a barra no miolo da zaga parisiense. Alex, lesionado, também teria condições de tapar o buraco deixado por Thiago Silva, mas o técnico Laurent Blanc foi obrigado a recorrer a Camara, quarta opção para o setor.
Trata-se de um teste de fogo para Marquinhos. Com apenas 19 anos, o brasileiro mal estreou pelo PSG e já tem a tarefa árdua de comandar a defesa da equipe em duelos importantes (a Liga dos Campeões está aí). Sem qualquer entrosamento com Camara, o jovem será jogado a ferozes leões famintos. Em sua carreira, até aqui, ele soube lidar com este tipo de pressão. Se passar incólume (ou com poucos arranhões) por este período turbulento, dará mais uma prova de sua maturidade e que realmente foi uma aposta correta.
Cruel
Em sua estreia no grupo da morte da Liga dos Campeões, o Olympique de Marseille saiu de campo com motivos para lamentar a derrota por 2 a 1 para o Arsenal. O OM dominou os Gunners por diversas situações, teve mais chances claras para marcar, mas viu o time inglês voltar para casa com três pontos no bolso. Uma largada ruim para quem objetiva uma classificação para a Liga Europa.
O Arsenal brilhou por sua eficiência. Desde o pontapé inicial, os marselheses apresentaram um time sólido, compacto e agressivo. O OM teve seus momentos de hesitação, é bem verdade, mas apresentou uma boa variedade de ações ofensivas, muito por conta do inspirado trio formado por Ayew, Valbuena e Payet. Os Gunners apenas observavam a movimentação inimiga, apenas planejando a hora certa de dar o bote.
Na segunda etapa, o OM aumentou sua pressão e sufocava o Arsenal em seu campo de defesa. A frieza do time londrino foi uma das chaves para a reviravolta nos rumos do jogo. Com um meio-campo bastante técnico, os Gunners aos poucos se aproximavam da meta defendida por Mandanda. A paciência para aguardar a oportunidade ideal para lançar um contra-ataque finalmente apareceu.
No lance do primeiro gol do Arsenal, claro que o desvio meia-boca de Morel contribuiu de forma decisiva para Walcott marcar (que golaço!), mas o Olympique de Marseille já dava sinais de cansaço. O gol jogou o OM nas cordas, tanto que Ramsey teve completa liberdade para avançar e marcar o segundo sem ser incomodado. O pênalti convertido por Jordan Ayew nos acréscimos serviu apenas como prêmio de consolação para um time que não soube matar a partida quando tinha tudo para se dar bem.
Esta tem sido uma característica negativa deste OM nos jogos contra adversários de peso. Contra o Monaco, o OM também teve problemas para acertar o alvo como nas partidas contra rivais menores. André-Pierre Gignac, que seria uma das principais armas para acabar com a ineficiência do ataque, praticamente foi uma figura nula diante dos Gunners. A emblemática atuação diante do clube londrino fica como um aprendizado para que os marselheses mantenham vivas as esperanças de dias melhores na Champions.


