A última bomba de Leonardo no PSG causa mais um abalo
Quando o Paris Saint-Germain pensava ter se livrado da tormenta, eis que a nau do clube dá de cara com mais uma tempestade daquelas. Leonardo apresentou seu pedido de demissão do cargo de diretor do clube, uma semana após ter sua suspensão aumentada para um ano. Um golpe duro para a equipe, que ainda tentava recuperar suas forças após o desgastante processo da escolha de seu novo treinador.
O anúncio ocorre bem no meio da janela de transferências, na qual o clube já havia chegado atrasado à abertura exatamente por conta da indefinição sobre quem substituiria Carlo Ancelotti. Leonardo exerce papel decisivo nas negociações para a contratação de reforços e sua decisão causa um choque, mesmo que sua saída efetiva do clube ocorra quando o mercado fechar suas portas.
Braço direito de Nasser Al-Khelaïfi, Leonardo caiu em desgraça no PSG por conta de seu destempero. Quando o time mais precisava de tranquilidade para caminhar rumo à confirmação do título da Ligue 1, o brasileiro contribuiu de forma decisiva para aumentar o clima de nervosismo e a ansiedade exagerada para que a taça chegasse logo ao Parc des Princes. Basta lembrar os episódios do empurrão no árbitro Alexandre Castro e o bate-boca com Zlatan Ibrahimovic para comprovar que algo estava errado.
Reações desmedidas de um dirigente que deveria, em primeiro lugar, transmitir serenidade e servir como exemplo abalaram a credibilidade de Leonardo junto aos donos do clube. Os qatarianos não gostaram de ver a imagem do PSG arranhada pelos embaraçosos episódios protagonizados pelo dirigente. Até então, o brasileiro tinha prestígio elevado e a confiança absoluta do alto escalão.
Leonardo comprometeu seu futuro no PSG. Ele tinha grandes chances de assumir o cargo de treinador no lugar de Ancelotti e esquentar o banco para a chegada de Arsène Wenger na próxima temporada. Contudo, a suspensão imposta ao brasileiro fez o clube perder tempo para encontrar um treinador e, consequentemente, atrasou o início da preparação do time para a próxima temporada.
Até bater o martelo com Blanc (que nunca foi o preferido da diretoria), o PSG sofreu com os seguidos nãos (Wenger, Capello, Villas-Boas…) e virou motivo de piada. Agora, Leonardo provoca novo baque e deixa o clube novamente em perigo. O brasileiro apenas está no meio de três processos fundamentais para a equipe: a renovação de contrato do meio-campista Marco Verratti (cobiçado por metade da Europa), a contratação do atacante Edinson Cavani (também assediado por vários clubes) e a conversa com Thiago Silva (seduzido pelo canto da sereia chamada Barcelona).
Os últimos meses de Leonardo no PSG se mostraram um verdadeiro desastre. Após colocar em risco a conquista do título francês (vale lembrar ainda que o time correu risco de perder pontos pelo episódio do empurrão no árbitro), comprometer a preparação e a estratégia para a temporada seguinte quanto à escolha do treinador e de reforços, o brasileiro joga sua última bomba para devastar o pouco que havia sobrado. Como dirigente, ele conseguiu apagar toda sua reputação como ídolo do PSG e, pior, colocou em dúvida sua capacidade para atuar fora das quatro linhas.
Vélodrome à venda?
As campanhas eleitorais municipais ainda estão em gestação na França, mas o Olympique de Marseille já acompanha todas as movimentações com muita atenção. Patrick Mennucci, um dos candidatos das primárias socialistas, cogita a possibilidade de vender o estádio Vélodrome. A ideia é arrecadar recursos suficientes para investimentos em outras áreas de uma cidade endividada e carente de alguns serviços.
Hoje, o Vélodrome passa por uma grande reforma que aumentará sua capacidade, o conforto aos torcedores e as receitas, seja com bilheteria ou com serviços. A reforma, iniciada pelo senador Jean-Claude Gaudin, permitirá ao estádio receber 67 mil espectadores. A arena ganhará uma cobertura e, além de camarotes e outros locais exploráveis comercialmente, terá aproximadamente sete mil assentos VIP.
As obras no Vélodrome fazem parte de um pacote que inclui a criação de um estádio de rúgbi, um centro comercial, hotéis, escritórios e áreas comerciais – tudo de olho na Eurocopa-2016. No total, o investimento em todo este trabalho de infraestrutura chega a aproximadamente € 500 milhões. Deste valor, € 267 milhões são destinados apenas para a reforma do Vélodrome. Aí começa a discussão.
Gastar uma elevada soma para a reforma de um estádio parece heresia em uma cidade endividada e de uma população carente – e justificaria a necessidade de vendê-lo. O contrato de aluguel do estádio para o OM também seria revisto e o valor incomoda a diretoria do clube. Se hoje o Olympique paga € 1,5 milhão por ano para utilizá-lo, Mennucci deseja subir esta quantia para € 8 milhões anuais. Os dirigentes se manifestaram radicalmente contra este aumento.
Em 2009, Gaudin recusou uma oferta de Robert Louis-Dreyfus para negociar o Vélodrome ao OM. A proposta era simples: um contrato para a exploração do estádio pelos 99 anos seguintes e a garantia de que a arena seria reformada com recursos vindos do bolso do então dono do clube. Dreyfus sonhava em seguir o exemplo do Arsenal, que desenvolveu uma política agressiva de marketing em torno do time de futebol e do estádio – o que geraria recursos financeiros suficientes para bancar todas as pretensões do clube.
A ideia, porém, contrasta com os rumores de que Margarita, a viúva de RLD, deseja vender o OM ao primeiro que lhe oferecer uma boa grana. Ela, claro, desmente esta possibilidade, mas não parece muito disposta a mexer nas contas do clube para fazer valer os planos traçados por seu marido. O presente do OM, marcado por contenção de gastos e cintos apertados, não permite sonhar tão alto, mesmo que o resultado no futuro seja tentador.
Mennucci usa a lógica. Ao mesmo tempo no qual cuida de sua candidatura, pensa que a venda do OM seria algo fantástico para levar adiante a venda do Vélodrome. O novo dono do clube fatalmente teria interesse em conversar sobre o estádio, ainda mais em tempos de bilionários gastadores no comando de clubes franceses. Uma visão polêmica, que promete esquentar o debate eleitoral em Marselha.


