França

A ressurreição de Klasnic

Quando se esperava uma tranqüilidade por parte do Lyon, pairam dúvidas sobre as reais condições do heptacampeão francês. A derrota por 2 a 1 para o Nantes permitiu aos demais concorrentes ao título diminuir a diferença para o OL, deixando aberta a possibilidade de se acabar com a monotonia no campeonato. Os lioneses completaram três jogos sem vitória na Ligue 1, e até mesmo equipes irregulares como o Olympique de Marselha se aproximam com perigo.

Nos seus três jogos mais recentes, o Lyon somou apenas um ponto, quando empatou sem gols com um limitado Valenciennes em casa. No mais, perdeu por 1 a 0 do Paris Saint-Germain no Parc des Princes, em confronto contra um aspirante ao título. O revés de virada diante dos Canários, que lutam para escapara das últimas colocações, criou um ambiente nada positivo em uma semana bastante complicada.

Para começar, a equipe pega o Bayern de Munique na Liga dos Campeões para definir quem ficará na ponta de seu grupo – o que daria uma teórica vantagem em pegar um adversário supostamente mais fraco nas oitavas-de-final. No domingo, outro duelo de tirar o fôlego: os lioneses recebem o Olympique de Marselha, vice-líder. Basta ao OM uma vitória para alcançar o Olimpo reservado ao OL.

Contra o Nantes, o Lyon se viu sem diversos de seus jogadores importantes. Sem Juninho Pernambucano (suspenso) e Benzema (machucado), o treinador Claude Puel montou um alinha de frente inédita, formada por Piquionne, Keita e Delgado. Apesar do domínio da posse de bola, a nítida falta de entrosamento entre os três emperrava qualquer chance dos lioneses. O gol de Piquionne pouco antes do intervalo só saiu depois de um lance de bola parada – uma falta cobrada por Källström e rebatida pelo goleiro Alonzo.

Nos vestiários, começam a entrar em cena os dois principais personagens do jogo. Ao perceber o Nantes praticamente inofensivo, o treinador resolveu mudar o esquema tático de sua equipe para um 4-4-2. Para isso, promoveu a entrada de Ivan Klasnic no lugar de Guillaume Moullec. O atacante croata, uma das apostas dos Canários em seu retorno à elite, até então havia decepcionado na equipe.

Em quatro meses na França, ele tinha a marca de… zero gols. Em seu 13º jogo na Ligue 1, Klasnic desencantou. Foram deles o gol de empate e o da vitória, em uma demonstração de frieza ao cobrar – e converter – um pênalti a poucos instantes do final. Esqueçam aquele croata que chamou a atenção no Werder Bremen por sua facilidade em ir às redes. Hoje, após passar por dois transplantes renais e um longo período afastado dos gramados, o atacante apresenta características bem diferentes daquela época.

Ligeiramente acima do peso, ainda fora de sua melhor forma física, Klasnic não tem a mesma mobilidade de quando formava dupla com Klose. Aliás, nem dá para querer comparar o parceiro de ataque e seus principais articuladores no Werder Bremen (Micoud e Diego) com os meias disponíveis no Nantes. Aos poucos, o croata também precisa readquirir confiança. Só assim sonhará em voltar a ser o mesmo artilheiro mortal de outros tempos.

Voltando ao Lyon, nem adianta mais falar sobre a defesa. Mensah deveria começar na lateral-direita, mas sentiu uma lesão no aquecimento e foi obrigado a ceder seu lugar para Gassama. O jovem passou em branco, e diminuiu as opções ofensivas pelas laterais e comprometeu a marcação. Mais um nítido caso de como o OL sente dificuldades quando fica sem seus principais elementos. Este é o alento para os concorrentes se aproveitarem de um momento de fraqueza do todo-poderoso.

Olympique na cola

Graças aos tropeços de seus rivais, o Olympique de Marselha assumiu a vice-liderança da Ligue 1 ao derrotar o Nice por 2 a 1 no “dérbi mediterrâneo”. Rubro-negros e marselheses estavam empatados na tabela, com o OGC invicto havia nove rodadas. Um desafio de peso para o OM no Vélodrome, nem sempre sinônimo de facilidade para o dono da casa. Isso sem contar as circunstâncias extra-campo.

Poucos dias antes, Santos Mirasierra, torcedor do Olympique, foi condenado pela Justiça espanhola a três anos e meio de prisão. Ele se envolveu em uma briga com policiais durante a partida contra o Atlético de Madrid pela Liga dos Campeões, no Vicente Calderón. Ele corria risco de ficar até oito anos atrás das grades, mas a repercussão do caso causou certo desgaste ao time – ainda mais por conta do duelo contra os próprios Colchoneros na França, que já deixa todos de cabelos em pé por conta das promessas de quebra-pau.

Em campo, o Olympique adotou uma postura arriscada, ainda mais devido às condições do gramado. Ao permitir ao Nice tomar as ações, o OM se lançou nos contra-ataques em um campo molhado e que dificultava qualquer toque de bola. Melhor para os donos da casa que Echouafni resolveu colaborar e desviar para dentro de suas redes uma falta cobrada por Ziani.

Os marselheses cresceram na partida e, após um show de desperdício, ampliaram com Niang, de pênalti. Como nada no Vélodrome merece ser comemorado antes do fim, o Nice reduziu no começo da segunda etapa com Bamogo. Logo vieram à mente dos torcedores do OM as lembranças da marcante derrota por 3 a 2 para o Lorient. Pelo menos o Olympique mostrou algum sinal de evolução ao manter a calma, algo que lhe custou preciosos pontos na LC, e se manteve ativo no ataque. Embora Ben Saada quase tenha empatado no fim (acertou a trave), os donos da casa garantiram uma importante vitória.

Para o treinador Eric Gerets, os testes feitos na escalação do onze se mostraram eficazes, ainda mais depois dos problemas sofridos por Niang. Sem ganhar há quatro partidas, o treinador preferiu mexer no setor ofensivo do OM para ver se ganhava um pouco mais de qualidade na finalização. Saíram Ben Arfa e Benoît Cheyrou, entraram Zenden e Valbuena. O holandês teve uma apresentação discreta; já o francês se movimentou bem e sofreu o pênalti na origem do segundo gol.

A questão para o treinador fica agora em saber como montar o time sem Niang. O senegalês fraturou um dedo do pé em um choque com Cédric Kanté e desfalcará a equipe por cerca de seis semanas. Por um lado, até esta contusão evitou algo pior. O atacante já se queixava de dores musculares na coxa e corria o risco de sofrer algum problema mais sério. Agora, terá tempo para se recuperar completamente.

A dor de cabeça fica toda para Gerets. Quem ele escalará logo em uma semana de jogos tão decisivos para o Olympique (Atlético de Madrid e Lyon)? No jogo contra o Nice, Samassa substituiu Niang, mas os dois possuem características distintas de jogo. O primeiro faz mais o papel de pivô, mais preso dentro da área, enquanto o segundo prefere abrir espaços, buscar o jogo. Samassa, embora tenha tido algumas oportunidades na equipe principal, ainda não convenceu.

O técnico pode ainda escalar Ben Arfa, Valbuena ou até mesmo Grandin mais avançados. No entanto, nenhum deles encantou quando atuou fora de sua posição predileta. Uma equação de difícil equilíbrio para Gerets, cujo tempo de preparação para esta tarefa se mostra escasso.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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