França

A queda do invicto

O Bordeaux não sabia o que era perder na Ligue 1 havia sete meses. Em 7 de março, o time caía diante do Toulouse por 3 a 0, mas o revés não atrapalhou seu caminho rumo ao título do torneio e a um grande início de temporada. Só que as coisas mudaram na visita ao caldeirão de Geoffrouy-Guichard, diante de um Saint-Etienne em ascensão. Além do adversário, os Marine et Blanc ainda sentiram a ausência de Yoann Gourcuff, seu principal nome, e sofreram com a falta de criatividade no seu meio-campo.

Os girondinos vinham de uma vitória por 1 a 0 sobre o Maccabi Haifa pela Liga dos Campeões no meio da semana. Para o duelo contra os Verdes, o técnico Laurent Blanc fez nada menos do que oito mudanças no time que começou a partida contra a equipe israelense. O resultado deste rodízio foi desastroso. Quem vinha de uma sequência de partidas sentiu o cansaço; já os “novatos” se complicaram com a falta de entrosamento.

A defesa foi o setor que mais perdeu qualidade com a ausência de seus titulares. A zaga cedeu espaços demais para o ataque do Saint-Etienne, que soube aproveitá-los muito bem. Jurietti mostrou-se nervoso, com seguidas falhas e sem confiança para os duelos contra os rivais. Mesmo Henrique e Placente, que poderiam auxiliá-lo, fracassaram em sua missão de proteger a meta.

Quando Alou Diarra, um dos jogadores mais regulares do Bordeaux, vive um dia ruim, a situação só poderia ser esta mesmo. Nem mesmo as entradas de Cavenaghi e Chamakh, com o intuito de deixar a equipe mais ofensiva, surtiram o efeito desejado. Afinal, de que adianta colocar em campo dois atacantes se o meio-campo não funciona? Obviamente, os dois ficaram isolados demais lá na frente, sem ter muitos meios para ajudar o time.

Contra um rival desnorteado, o Saint-Etienne nada mais fez do que fazer seu jogo. Tanto que o primeiro tempo foi completamente dos donos da casa, que dominaram os Marine et Blanc como há tempos não se via alguém fazer. Em 45 minutos, os Verdes venciam por 2 a 0 e até poderiam ir para o intervalo com uma vantagem mais elástica. Blanc resolveu ir para o tudo ou nada ao deixar apenas um volante (Fernando), mas só conseguiu diminuir em um erro de Andreu que resultou no pênalti convertido por Jussiê.

Com a queda do Bordeaux, o Lyon assumiu a ponta com os 2 a 0 sobre o Lens. Os lioneses, neste momento, lidam melhor com a divisão de tarefas entre Ligue 1 e Liga dos Campeões. Mesmo sem alguns de seus principais nomes e uma série de lesões, o OL conta com a boa fase vivida por Källström para se dar bem. O sueco, reserva no começo da temporada, aos poucos cava seu lugar com seguidas atuações de qualidade.

Além de uma assistência, ele desempenha papel fundamental no combate – isso sem contar com sua perna esquerda calibrada nos lances de bola parada. Com Pjanic, Michel Bastos e Källström, o treinador Claude Puel encontra as opções necessárias para seu meio-campo funcionar bem com qualquer formação, um problema que seu colega Blanc encontra dificuldades para solucionar.

Pesadelo marselhês

O Olympique viveu uma semana para ser varrida de sua memória. Na Liga dos Campeões, o time suportou quase uma hora até ser enfim superado pelo Real Madrid no Santiago Bernabéu. O resultado complicou a situação do clube no torneio continental, e a recuperação se fazia necessária na Ligue 1. Só que, em pleno Vélodrome, o OM mais uma vez sucumbiu diante do seu adversário, desta vez o Monaco.

Na Espanha, Didier Deschamps conseguiu o que muitos procuravam desde o início da temporada: ameaçar o Real Madrid em seu próprio território. O treinador escalou o Olympique num 4-3-3, mas com Morientes mais isolado no ataque. O resultado foi uma forte pressão no meio-campo, o que dificultou a vida dos “galácticos” Kaká e Cristiano Ronaldo. A formação ainda permitiu ao OM quase abrir o placar em lances com Niang.

Na segunda etapa, a nau marselhesa afundou. Bastaram seis minutos para a equipe destruir tudo o que havia conquistado nos 45 minutos iniciais por conta da desatenção de seu setor defensivo. Não dá para entender como Pepe faz um lançamento do seu campo de defesa para Cristiano Ronaldo concluir sem que a zaga nada fizesse. Um vacilo de Diawara, que novamente falhou pouco depois ao cometer um pênalti no camisa nove madrileno, que lhe rendeu um cartão vermelho e contribuiu decisivamente para a queda do Olympique.

Deschamps foi obrigado a tirar Morientes, colocar um ineficiente Brandão e ver os Merengues tocarem a bola em ritmo de olé. Enquanto isso, o Zürich conseguiu derrotar o Milan em pleno San Siro, mostrando ao OM como deveria agir contra os rossoneri no Vélodrome. Agora, o Olympique segura a lanterna da chave e, se não se cuidar, pode até mesmo ser surpreendido pelo time suíço e nem se classificar para a Liga Europa.

A reação poderia vir em casa diante do Monaco, mas os marselheses falharam de novo, para desespero de sua torcida. O time do principado veio com a clara intenção de jogar nos contra-ataques. Os anfitriões, por sua vez até mantinham o domínio da posse de bola; porém, encontravam dificuldades para chegar ao ataque com velocidade. O gol de falta de Nenê mexeu com os nervos já esfacelados do OM.

Em nova desvantagem no placar, o Olympique revelou um de seus principais defeitos até aqui: o nervosismo em situações adversas. O time bateu cabeça em todos os seus setores, como se seus atletas tivessem acabado de se conhecer. A falta de rigor defensivo também levou o time da casa a levar o segundo gol ainda na primeira etapa, em contra-ataque concluído por Park.

Foi necessária uma mudança no esquema de jogo da equipe para o Olympique acordar. Deschamps tirou Heinze para a entrada de Valbuena, deixando o time em um 4-4-2 mais sólido. A equipe passou a ocupar melhor os espaços em campo, com maior pressão sobre a defesa do ASM. No entanto, a falta de pontaria do ataque prejudicou os marselheses na busca pelo empate.

Os problemas ofensivos do Olympique incomodam. Brandão passa por uma fase ruim e, por isso, tem frequentado o banco de reservas. Entretanto, Morientes consegue ter um desempenho ainda mais apagado do que o brasileiro, deixando Niang sobrecarregado. O senegalês faz sua parte, mas nem sempre consegue levar o time nas costas. Com uma equipe com poder de fogo reduzido e confusa em campo, Deschamps precisa mostrar ter o domínio da situação para recolocar tudo em seu caminho correto.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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