Futebol francês

A nova missão de Leonardo

Após um jogo de vai não vai, finalmente o Paris Saint-Germain acertou os ponteiros com Leonardo. O ex-jogador e ídolo do clube da capital tratou logo de colocar a mão na massa em suas primeiras horas como diretor de futebol e já deu sinais de como pretende cuidar de suas novas funções. Um bom sinal, levando-se em consideração a quantidade de tarefas complicadas que ele terá pela frente.

Os dias de incerteza no PSG aos poucos ficam para trás. A primeira missão de Leonardo após ser apresentado oficialmente como dirigente foi conversar com Antoine Kombouaré. Era mais do que necessário este encontro, até para dar ao treinador a garantia de que seu trabalho merece um voto de confiança – ainda mais sabendo da pressão que pode se tornar insuportável se os bons resultados não aparecerem logo nas primeiras partidas.

Com a confirmação do ex-técnico da Internazionale, o PSG enfim se vê mais tranquilo para ir às compras. Leonardo assumiu o cargo como uma espécie de manager à inglesa, como fez questão de definir o clube. Ou seja: ele tem plenos poderes para dar pitacos sobre a contratação de reforços. E os contatos do brasileiro já se fazem importantes em uma etapa crucial da montagem do elenco para a temporada que se avizinha.

O PSG vê como mais urgente a necessidade de contratar um zagueiro. Há cerca de um ano, Kombouaré tenta trazer Milan Bisevac, com quem trabalhou no Valenciennes. Leonardo pensa mais alto e sonha em convencer o Benfica a liberar Luisão. Enquanto o primeiro custaria algo em torno de € 3,5 milhões, o defensor brasileiro sairia por algo em torno de € 6 milhões a € 8 milhões.

Leonardo também deixou claro seu interesse em tirar Paulo Henrique Ganso do Santos por € 30 milhões. Por mais que o meia continue na equipe paulista, a lista de desejos do novo dirigente parisiense já evidencia algo importante. Após a compra do PSG por um grupo de investimentos do Qatar, dinheiro deixou de ser um problema. Se esses valores serão gastos com inteligência, aí são outros quinhentos.

Este é o perigo. Com os cofres cheios, o Paris Saint-Germain corre o risco de jogar grana pela janela e já dá exemplos de como o dinheiro em abundância pode lhe fazer mal. Adel Taarabt, do Queen’s Park Rangers, está a mira do time parisiense. A oferta: € 15,2 milhões. Por Keisuke Honda, a diretoria cogitou oferecer € 12 milhões ao CSKA Moscou. Talvez sejam negócios arriscados demais.

Leonardo disse que os novos donos do PSG pensam a longo prazo e que, por isso, não estão dispostos a cometer loucuras. Pode até ser verdade, mas algumas especulações dão a impressão de que alguém pode chutar o balde a qualquer momento. Se as chegadas de Kevin Gameiro e Nicolas Douchez se mostraram perfeitas para preencher as reais necessidades do elenco, o brasileiro precisa ter mãos firmes para não entrar na onda de gastar por gastar. A torcida do PSG precisa de um bom time, e não de uma lista de potenciais fracassos.

Lyon mineirinho

Enquanto o Paris Saint-Germain vive dias agitados e movimenta o mercado de especulações, o Lyon continua na sua. O OL permanece estagnado, como se nada de importante precisasse ser feito para apagar a impressão ruim deixada na temporada passada. A saída de Claude Puel não parece ser a única peça a ser mexida para fazer a equipe funcionar. A necessidade de reforçar o elenco salta aos olhos, mas a diretoria anda a passos bastante lentos para preencher estas lacunas.

Nas últimas temporadas, Jean-Michel Aulas não titubeou na hora de abrir os cofres para contratar reforços. O presidente do Lyon sempre foi um dos principais animadores do mercado de transferências, com gastos exorbitantes para trazer jogadores de nível questionável – ou que não justificaram tamanho investimento. Apenas para ficar em alguns nomes: Kader Keita custou € 18 milhões; Yoann Gourcuff veio por € 22 milhões; já Lisandro López foi contratado por € 24 milhões. Destes, apenas o argentino correspondeu às expectativas.

Os tempos em Gerland são outros. Até agora, nenhuma palha foi movida para contratar alguém. A única novidade foi a confirmação de Rémy Garde como treinador. Advindo das categorias de base do clube, ele simboliza bem qual será a nova regra daqui para frente no OL: nada de gastos sem fundamento. Chegou a hora de valorizar os garotos vindos do centro de formação do clube e, na pior das hipóteses, tentar tirar algum lucro com uma negociação futura.

Por enquanto, os dirigentes assumem que o time precisa de pelo menos dois reforços. O primeiro seria um zagueiro; um dos nomes apontados é o de Douglas, do Twente. Há também o interesse em um volante, já que apenas Maxime Gonalons ocupa o posto. No entanto, nada de loucuras. Os lioneses mantêm os pés no chão (e o escorpião no bolso), fazendo da prudência sua principal característica.

Percebe-se até mesmo uma mudança no discurso da diretoria. No lugar da grandiloquência e dos desejos megalômanos, surge a ideia de que o clube se mantém ambicioso, mas se contenta em obter tão somente uma vaga para disputar uma competição europeia. Uma fala bem diferente de épocas recentes, quando o retorno da hegemonia na Ligue 1 era tratado como um caso de vida ou morte.

A diretoria do OL precisa agira rápido, seja torrando dinheiro ou contando moedinhas para contratar reforços. A enfermaria já começa a ficar lotada. Éderson, frequentador assíduo deste setor, sofreu uma ruptura total de um ligamento do joelho esquerdo. Miralem Pjanic está com um problema muscular. Yoann Gourcuff, com um problema no tornozelo, pode voltar em poucos dias, mas há a possibilidade de o meia passar por uma cirurgia.

Como se não fosse suficiente, o Lyon ainda corre o risco de perder Aly Cissokho, Michel Bastos e Miralem Pjanic, cobiçados por outras equipes. A temporada nem bem começou e os lioneses já têm problemas demais para resolver. A pressão está apenas em seu início.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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