A ilha de LOSC
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O Lille parece estar louco de vontade de jogar sua temporada no lixo. A equipe que tanto encantou até aqui na Ligue 1 e abriu confortável vantagem na liderança agora acumula tropeços. Para piorar, viu o Olympique de Marseille reagir, engrenar e encadear uma série de vitórias. Apenas um ponto separa o LOSC do OM e os Dogues têm uma semana daquelas para definir qual será a do time nesta reta final.
Em março, o Lille conseguiu uma sequência de três vitórias e dava toda a pinta que ninguém tiraria a taça da equipe. Bastaram dois tropeços (a surpreendente derrota para o Monaco por 1 a 0 e o empate por 1 a 1 com o Bordeaux) para tudo mudar de figura. Na hora de dar aquele sprint, o LOSC se mostra sem gás. A coluna passada abordou os problemas que levaram o time a perder fôlego em tão importante momento.
Agora, a semana se revela crucial para as pretensões do Lille. A começar, a semifinal da Copa da França contra o Nice fora de casa. A pressão para se classificar para a final no Stade de France já deixa o elenco com os nervos ainda mais tensos. Um fracasso diante de um adversário que não está lá em situação tão cômoda na Ligue 1 certamente deixará resquícios para o compromisso seguinte, tão complicado quanto o do meio de semana.
Também como visitante, o Lille enfrenta o Lorient sem aquela gordurinha acumulada. Ou seja: o LOSC tem duas provas de fogo pela frente e não contará com o fator campo para pelo menos obter alguma força extra. Com o nervosismo apresentado pelo time nos últimos jogos e a consequente ineficiência ofensiva (um contraste com o poderio já exibido por seu ataque), a equipe corre grandes riscos de mergulhar no abismo.
Nem tudo se mostra pavoroso no caminho do Lille. O time ainda ostenta a liderança da Ligue 1, não sofre com a ausência de seus principais jogadores e vê seu artilheiro Moussa Sow compensar a queda de produção do ataque. Por outro lado, outras questões preocupam, como a fragilidade apresentada pela defesa (como na derrota para o Monaco) ou a má forma física de Yohan Cabaye.
Contra o Bordeaux, o Lille surpreendeu de forma negativa ao permitir que o adversário dominasse a partida e tivesse a iniciativa no começo. Mesmo em casa, o LOSC sentiu dificuldades para se impor. Sem o suspenso Gervinho, o técnico Rudi Garcia apostou em Frau, uma figura fantasmagórica em campo. Sem criatividade, com poucas chances criadas e vendo o rival multiplicar suas finalizações, os Dogues agradeceram a Sow por evitar um resultado ainda pior.
As próximas duas partidas funcionarão como o mais perfeito teste para as capacidades do Lille. Os resultados destes dois duelos revelarão qual é a verdadeira capacidade de resistência do LOSC. A torcida espera que o time mostre, enfim, que tem a maturidade suficiente para suportar uma pressão tão grande e sair desta com moral suficiente para bater no peito e dizer “ninguém tira essa taça de mim”. Do contrário, restará lamentar como a equipe com o estilo de jogo mais vistoso do futebol francês não tem qualquer controle emocional.
Oposto
Se o Lille vive um momento emocional ruim, o Olympique de Marseille exibe uma feição completamente diferente. O OM tinha tudo para viver um desastre em Montpellier. Os donos da casa ficaram em vantagem e a perseguição ao LOSC parecia interrompida ali. No entanto, os marselheses demonstraram grande poder de reação, buscaram a virada e foram recompensados com a curta distância que o separa do líder.
O Olympique de Marseille aprendeu muito bem a lição após o tropeço diante do Toulouse na rodada anterior, quando amargou um empate por 2 a 2 em pleno Vélodrome. Contudo, o OM só despertou quando realmente se viu em apuros. Durante cerca de uma hora, o Montpellier teve a partida em suas mãos. Querendo mostrar serviço e do que pode ser capaz diante do mesmo adversário na decisão da Copa da Liga, o MHSC se lançou à frente sem medo.
Os marselheses estavam encolhidos em campo, preocupados apenas em atacar quando tinha algum lance de bola parada a seu favor. Era muito pouco para um pretendente ao título. O início do segundo tempo apenas evidenciou a lacuna na criação do meio-campo do OM. O Montpellier se aproveitou da apatia e abriu o placar. Foi a pior coisa que os donos da casa poderiam ter feito.
O Olympique de Marseille demorou apenas cinco minutos para igualar e mostrar tudo aquilo que havia escondido até então. Taye Taiwo resumiu a principal característica deste OM que está pronto para engolir o Lille ao menor tropeço do rival. O nigeriano teve a frieza necessária para marcar o gol da vitória dos marselheses em uma cobrança de pênalti cuja importância não pode ser medida em números convencionais.
Exatamente esta mesma frieza compensa por muitas vezes o estilo de jogo de menor brilho, mas de uma eficiência ímpar. Este mesmo espírito de ignorar críticas da imprensa e a perseguição dos torcedores foi incorporado por André-Pierre Gignac. Não é preciso ser um gênio para saber de suas limitações. Entretanto, Gignac parece isolar muito bem todo este contexto quando entra em campo, mesmo ao atuar pelo lado esquerdo (que não é o de sua preferência, embora aceite sem maiores contestações).
Um time que joga bonito e com um ataque forte, mas cujo estado mental beira ao estresse. Uma equipe longe de encantar, mas eficiente e equilibrada para resolver nos momentos decisivos. Lille e Olympique de Marseille travam uma batalha das mais imprevisíveis pelo título. Simplesmente impossível indicar qual deles é favorito.