França

A geografia das principais ligas: França

Democrático e bem distribuído por todo o país. Assim pode ser definido o Campeonato Francês, competição que, ao contrário das concentradas ligas inglesa, argentina e alemã, envolve praticamente todo o país. São, ao todo, 20 clubes em 20 cidades diferentes, o que faz com que os clubes viajem bastante e a população do país, composta por cerca de 65 milhões de habitantes, quase sempre tenha a possibilidade de assistir uma partida na própria cidade ou mesmo nas proximidades. Essa não concentração já é uma característica marcante há muitos anos, mas não garante necessariamente o sucesso da competição.

Com uma média de público de cerca de 20 mil pessoas por jogo, a Ligue 1 está atrás dos campeonatos alemão, inglês, italiano e espanhol. Os clubes, com exceção do Paris Saint-Germain e do Olympique de Marseille (em menor escala), trabalham com um orçamento bastante modesto e precisam investir em jogadores mais baratos vindos de vários lugares do mundo (geralmente de países africanos), ou apelar para as divisões de base. O Lille, atual campeão, é um exemplo mais bem sucedido da mistura dessas duas políticas, pois formou o próprio elenco a partir da contratação de atletas pouco badalados, como Moussa Sow, e estrelas vindas da base, como Eden Hazard.

O título dos Dogues trouxe de volta a taça ao norte do país, região com menos força no esporte, após 13 anos. A última conquista da região havia sido com o Lens, em 1998, ainda antes do heptacampeonato do Lyon, que fica no centro-leste francês e tem como grande rival o Saint-Étienne, clube com o maior número de títulos da história da competição, somando dez ao todo. Os dois clubes se localizam na região do Ródano-Alpes, em cidades basicamente industriais.

No sul, há o Olympique de Marseille, que fica na Provença-Alpes Costa Azul (região banhada pelo Mar Mediterrâneo e que registra um altíssimo índice de turistas. A França é, atualmente, um dos países mais visitados do mundo) e é o segundo maior vencedor da história da Ligue 1 com nove conquistas. O Bordeaux, que já levantou a taça em seis ocasiões representa a Aquitânia, no sudoeste, região onde o Rugby tem mais força e apresenta boas equipes. Paris, a capital, é representada apelas pelo agora milionário Paris Saint-Germain
 

Como era em 1991/92?

Dominada completamente pelo Olympique de Marseille, campeão com ampla vantagem, a Ligue 1 de 1991/92 tinha uma geografia razoavelmente  parecida com a atual, embora a mudança nos clubes tenha sido significativa de lá para cá. Ao todo, oito dos 20 clubes que fizeram parte daquela competição não estão mais na elite francesa e buscam se reestruturar para voltar com força ao cenário nacional.

O mais importante deles é o Monaco, vice-campeão na época, que, depois de conquistar dois títulos franceses e chegar à final da Liga dos Campeões em 2003/04, perdeu o suporte financeiro que tinha e caiu vertiginosamente nos últimos anos até ser rebaixado no ano passado. A queda, ao que tudo indica, não parou por aí, pois, quase no fim do primeiro turno, os monegascos ocupam a lanterna da Ligue 2, com apenas uma vitória em 17 partidas.

Outro time tradicional que não está na elite é o Nantes, que soma oito títulos franceses (os dois últimos em 1994/95 e 2000/01), mas também perdeu força e acabou rebaixado duas vezes, em 2006/07 e 2008/09. Atualmente em 12° lugar na Ligue 2, os canários não nutrem muitas expectativas de promoção, embora haja na cidade um esforço para que o clube consiga se reerguer. A ausência do Nantes, representante da região de Pays de la Loire, no oeste francês, também deixa um buraco no mapa da Ligue 1, que não conta com outras equipes da região.

Outras equipes que estavam na elite francesa na época e não estão agora são o Le Havre, da Alta Normandia (oeste), o Lens, de Pas-de-Calais (norte), o Cannes, o Toulon e o Olympique Nimes (todos do sul, os dois primeiros da Provença-Alpes Costa Azul e o último de Languedoc Roussillon), além do Metz, situado na Alsácia, quase na fronteira com a Alemanha, e que foi vice-campeão em 1997/98, quando revelou Robert Pires para o mundo. A capital, Paris, era representada apenas pelo Paris Saint-Germain, como segue sendo atualmente.
 

Como é em 2011/12?

A principal mudança geográfica na Ligue 1 nesses 20 anos foi o crescimento da Bretanha, que tinha apenas o Rennes na disputa (foi rebaixado naquela temporada) e agora possui três equipes. Além dos Rouge et Noirs, que voltaram à elite e frequentam a parte de cima da tabela já há algum tempo, o Lorient se consolidou como um time médio e o Brest, que subiu e fez campanha razoável no ano passado, também representam a região.

A Borgonha também cresceu no campeonato. Além do Auxerre, tradicional equipe que ficou com o título em 1995/96 e única representante, o Dijon, caçula que subiu na temporada passada e eliminou o PSG na Copa da França em 2011/12, representa a região. A ilha de Córsega, região administrativa da França banhada pelo Mar Mediterrâneo, contou com o Bastia e hoje tem o Ajaccio.

No sul, o Toulouse segue representando os Médios-Pireneus, enquanto o Bordeaux, que estava na segunda divisão em 1991/92, voltou à elite francesa para não sair mais. O Montpellier, que lidera o campeonato junto com o Paris Saint-Germain, o Nice, situado na Provença-Alpes Costa Azul, e o Olympique de Marseille, campeão em 2009/10 e vice na temporada passada, completam a lista. Na região do Ródano-Alpes, Lyon e Saint-Étienne ganharam a companhia do Evian, que subiu nesta temporada.

A região de Pas-de-Calais, no norte francês, segue sendo representada por dois clubes: o Lille, atual campeão, e o Valenciennes, que tem ficado na parte intermediária da tabela nas últimas temporadas. O Lens foi rebaixado em 2011. Os outros clubes estão bastante espalhados. O Sochaux, no Condado Francês, e o Nancy, na Lorena, estão no nordeste do país. E o Caen se localiza na Baixa Normandia.

Depois do domínio, a alternância

Depois do heptacampeonato francês do Lyon entre 2001 e 2008, a Ligue 1 entrou em um período de “alternância no poder”. O Bordeaux quebrou o domínio do OL em 2008/09, mas não conseguiu defender o título. Foi superado pelo Olympique de Marseille, que levantou a taça em 2009/10 e quebrou um jejum de 18 anos sem conquistas. O OM também não conseguiu o bi: foi superado pelo Lille, que voltou a ser campeão após 57 anos.

Em 2011/12, ao que tudo indica, outra equipe poderá ficar com o título. O Paris Saint-Germain, impulsionado pelo dinheiro do Qatar, lidera a competição junto com o Montpellier que, mesmo com um orçamento modesto, consegue fazer frente aos times mais poderosos com um time ofensivo comandado por Olivier Giroud, artilheiro do campeonato com 12 gols até o momento.
 

Ligue 1
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Equipe Trivela

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