França
A França estará no Grupo E, de esperança
Diante da possibilidade de encarar adversários muito mais cascudos na primeira fase da Copa do Mundo-2014, a França celebra sua presença no “grupo da vida”. Os Bleus saíram aliviados com o resultado do sorteio dos grupos do Mundial, com boas possibilidades em seu horizonte. Após toda a polêmica em torno de qual pote os franceses deveriam entrar, escapar dos outros campeões mundiais e cair em uma chave com Suíça, Equador e Honduras saiu como um grande presente de Natal.
Para quem gosta de coincidências, apenas o fato de a França evitar um dos campeões sul-americanos já se torna um motivo de comemoração. Quando encarou Argentina, Brasil e/ou Uruguai logo de cara em Mundiais anteriores, os franceses se deram mal. Foi assim nas Copas de 1930, 1954, 1966, 1978, 2002 e 2010 – estas duas últimas de triste lembrança para os torcedores.
Os franceses podem até sonhar com um caminho tranquilo até as quartas de final. Em teoria, apenas a Suíça ofereceria alguma ameaça para a classificação dos Bleus e deve mesmo ser a maior rival na briga pelo primeiro lugar da chave. Caso esta liderança se confirme, a França encara o segundo colocado do grupo F, que também está longe de ser um perigo daqueles. Exceto por um desastre, a Argentina deve terminar na liderança, com Nigéria, Irã e Bósnia na briga pelo vice.
No entanto, a seleção francesa ainda deixa os torcedores com o pé atrás mesmo com as boas chances de avançar para as oitavas. O vexame de 2010 permanece vivo, e este fantasma ainda precisa ser exorcizado. No Mundial sul-africano, uma chave com Uruguai, México e África do Sul também soava bastante acessível, embora o nível dos adversários fosse superior ao dos futuros rivais dos Bleus em gramados brasileiros.
Os franceses também comemoraram o resultado do sorteio pelo ponto de vista logístico. Com seu QG montado em Ribeirão Preto, a delegação escapou de fazer grandes deslocamentos nesta primeira fase do Mundial. A viagem mais longa será para Salvador, quando os Bleus encaram a Suíça. No mais, uma estreia em Porto Alegre contra Honduras e o duelo contra o Equador no Maracanã na última rodada. Nada mal, se levarmos em consideração que a cabeça de chave Suíça faz uma maratona entre Brasília, Salvador e Manaus.
Até mesmo a ordem dos jogos desta primeira fase favorece os Bleus. De cara, a seleção pega a equipe mais fraca da chave, contra a qual nunca jogou sequer um amistoso. Em seguida, um duelo complicado contra a hermética defesa suíça – e a França tem encontrado muitos problemas ofensivos em seus últimos jogos, o que leva a crer em uma partida de poucas emoções. Por fim, um Equador cujo desempenho longe da altitude nas eliminatórias foi um terror: 12,5% (oito jogos, três empates e cinco derrotas).
Desenha-se um percurso tranquilo para os franceses nesta primeira fase da Copa-2014. Isso, claro, desde que a triste lembrança de Knysna seja definitivamente enterrada e predomine o espírito de luta visto no jogo decisivo contra a Ucrânia no Stade de France. Que a fama de vencedor de Didier Deschamps contagie o elenco e sirva como exemplo para, enfim, a seleção voltar a ser motivo de orgulho.
Histórico
O Olympique de Marselha se esforçou muito e conseguiu seu maior objetivo nesta edição da Liga dos Campeões: entrar para a história como o time francês com pior desempenho de todos os tempos na competição. Nem mesmo o fato de atuar no Vélodrome serviu para impulsionar o OM e evitar esta humilhação. A derrota por 2 a 1 para o Borussia Dortmund coroa uma campanha frágil e coloca os marselheses em seu devido lugar.
Embora tenha mostrado algum valor em momentos pontuais de suas partidas contra Arsenal, Napoli e Borussia Dortmund, o OM caiu por conta de suas limitações. Falta de concentração, espírito de equipe abalado e uma inexperiência evidente estão entre as principais causas do desempenho pífio dos marselheses. O fato de estar em um grupo com adversários fortes apenas elevou estes defeitos ao cubo. Estas falhas também seriam expostas (em menor grau, claro) mesmo em uma chave mais tranquila.
José Anigo assumiu o comando de um barco à deriva e sentiu na pele como o trabalho de Elie Baup havia sido insuficiente para inflamar o grupo. Querido e carismático, Baup fracassou por não dar uma cara de time para o OM. Em 22 partidas sob seu comando nesta temporada, a equipe sofreu onze derrotas. Além do vexame na Champions, os marselheses estão longe do pódio da Ligue 1 (5º, com 27 pontos, nove a menos do que o terceiro colocado Lille), objetivo traçado pela diretoria para esta temporada. Era preciso o tal “choque psicológico”, como definiu Vincent Labrune, presidente do OM.
A mudança de técnico produziu um efeito tímido na equipe, mas capaz de deixar um fio de esperança para o restante da Ligue 1. A apatia demonstrada pelo time na derrota por 1 a 0 para o Nantes no mesmo Vélodrome ficou para trás. Se foi incapaz de resistir ao Borussia Dortmund, ao menos os marselheses demonstraram espírito de luta, principalmente quando atuaram com um jogador a menos por quase uma hora.
Mais determinados e agressivos do que nas partidas anteriores, os marselheses até se reorganizaram após a expulsão de Payet aos 34min do primeiro tempo. Isso não quer dizer que o OM se transformou em uma fortaleza inviolável – na segunda etapa, o Borussia Dortmund tinha facilidade para encontrar espaços na defesa dos donos da casa e desperdiçou chances incríveis para marcar.
Com o fim do calvário na Champions, o OM agora volta toda a sua atenção para reagir na Ligue 1. Anigo, que em teoria fica no cargo até a pausa do fim do ano, tem muito pouco tempo para fazer o que Baup não conseguiu desde o início da temporada: dar um padrão tático e técnico a uma equipe com problemas evidentes em todos os seus setores. Se quiser salvar sua pele, o Olympique de Marselha deve olhar com carinho para a janela de transferências de inverno para preencher suas várias lacunas.



